{"id":16788,"date":"2026-03-23T23:34:02","date_gmt":"2026-03-24T02:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=16788"},"modified":"2026-03-23T23:34:02","modified_gmt":"2026-03-24T02:34:02","slug":"desmistificando-a-radiacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2026\/03\/23\/desmistificando-a-radiacao\/","title":{"rendered":"Desmistificando a Radia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Ao p\u00fablico em geral, em especial \u00e0s pessoas que n\u00e3o tiveram a oportunidade de estudar a f\u00edsica nuclear, a palavra radia\u00e7\u00e3o pode parecer carregada de algo pr\u00f3ximo de um misticismo. O que \u00e9 isso que assombrou a humanidade ao final da Segunda Guerra Mundial, em Chernobyl, na d\u00e9cada de 1980, e em Fukushima, no ano de 2011? Ser\u00e1 que a radia\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo algo com o que s\u00f3 temos contato nesses momentos de desastres?<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0O primeiro ponto a chamar a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, nesse contexto, a radia\u00e7\u00e3o \u00e0 qual nos referimos \u00e9 a radia\u00e7\u00e3o ionizante \u2013 aquela que tem energia suficiente para remover el\u00e9trons de \u00e1tomos ou mol\u00e9culas com os quais interage. Nem toda forma de radia\u00e7\u00e3o tem esse poder: a radia\u00e7\u00e3o n\u00e3o ionizante inclui ondas de r\u00e1dio, micro-ondas, infravermelho e luz vis\u00edvel. A radia\u00e7\u00e3o ionizante \u00e9 classificada em duas categorias principais de acordo com sua natureza f\u00edsica: a corpuscular, composta por part\u00edculas que possuem massa \u2014 como as part\u00edculas alfa (\u03b1), beta (\u03b2) e os n\u00eautrons \u2014 e a eletromagn\u00e9tica, constitu\u00edda por ondas de alta energia e sem massa, representadas pelos raios X e raios gama (\u03b3).<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0A radia\u00e7\u00e3o ionizante pode ser de fonte natural ou artificial. Naturalmente, ela vem do espa\u00e7o (raios c\u00f3smicos) e de radionucl\u00eddeos naturais \u2013 elementos radioativos presentes no nosso planeta (U-238, Th-232 e K-40). Artificialmente, ela pode ser encontrada em diferentes contextos. Entre os principais, est\u00e3o as aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas (radiografia, tomografia e radioterapia) e a gera\u00e7\u00e3o de energia. Esta \u00faltima se refere \u00e0 fiss\u00e3o nuclear, um processo que gera grandes quantidades de n\u00eautrons e raios gama, al\u00e9m de rejeitos radioativos (materiais resultantes da opera\u00e7\u00e3o de reatores nucleares, que permanecem ativos por longos per\u00edodos).<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Neste ponto, j\u00e1 podemos responder \u00e0 segunda pergunta feita no in\u00edcio deste texto. Na realidade, estamos expostos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o a todo momento. N\u00e3o h\u00e1 como evitar, afinal, ela prov\u00e9m do espa\u00e7o e do pr\u00f3prio solo. O principal risco associado \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ionizante s\u00e3o os danos causados \u00e0s mol\u00e9culas de DNA, que podem evoluir para a forma\u00e7\u00e3o de tumores. No entanto, nossos organismos (assim como toda a vida na Terra) s\u00e3o o resultado de um processo evolutivo que ocorreu exatamente em um ambiente exposto \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. Ou seja, estamos biologicamente preparados para lidar com as doses naturais, gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o de enzimas que reparam falhas no DNA e ao processo de apoptose (morte celular programada) [1].<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Os maiores problemas enfrentados pela humanidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ocorrem em contextos artificiais. As bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki liberaram quantidades enormes de radia\u00e7\u00e3o ionizante em duas fases: a irradia\u00e7\u00e3o imediata ap\u00f3s a fiss\u00e3o nuclear e a precipita\u00e7\u00e3o radioativa (fallout), que depositou material residual em \u00e1reas gigantescas. Os desastres de Chernobyl e de Fukushima, embora por motivos distintos, resultaram na dispers\u00e3o de grandes volumes de produtos de fiss\u00e3o na natureza. Outro exemplo \u00e9 o acidente de Goi\u00e2nia em 1987. Nesse epis\u00f3dio, uma c\u00e1psula de C\u00e9sio-137 proveniente de um equipamento de radioterapia abandonado foi violada por catadores de sucata. O desconhecimento sobre o p\u00f3 radioativo levou \u00e0 sua dissemina\u00e7\u00e3o pela cidade, culminando no maior acidente radiol\u00f3gico urbano da hist\u00f3ria ocorrido fora de uma instala\u00e7\u00e3o nuclear [2].<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Os desastres nucleares, sem d\u00favida, constituem p\u00e1ginas muito dolorosas da hist\u00f3ria humana, marcadas por sofrimento, perdas irrepar\u00e1veis e profundas cicatrizes sociais e ambientais. Entretanto, reduzir a radia\u00e7\u00e3o apenas a esses epis\u00f3dios \u00e9 ignorar um aspecto fundamental do conhecimento cient\u00edfico: sua neutralidade enquanto fen\u00f4meno natural. \u00c9 o uso que dela fazemos que determina seus riscos e benef\u00edcios. Quando compreendida, controlada e aplicada de forma respons\u00e1vel, a radia\u00e7\u00e3o se torna uma poderosa aliada da humanidade. Na medicina, uma de suas importantes aplica\u00e7\u00f5es, a capacidade de diagn\u00f3stico precoce e de tratamentos oncol\u00f3gicos salva vidas todos os dias. Assim, desmistificar a radia\u00e7\u00e3o inclui reconhecer que o conhecimento cient\u00edfico aplicado com responsabilidade pode transformar um potencial risco em um instrumento poderoso de progresso.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Autor: Angelo Zanona Neto<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Refer\u00eancias:<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[1] NOUAILHETAS, Y. Radia\u00e7\u00f5es Ionizantes e a vida. Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.gov.br\/cnen\/pt-br\/material-divulgacao-videos-imagens-publicacoes\/publicacoes-1\/radiacoesionizantes.pdf&gt;. Acesso em: 18 de fevereiro de 2026.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[2] C\u00e9sio 137: maior acidente radiol\u00f3gico da hist\u00f3ria aconteceu em Goi\u00e1s e afetou mais de mil pessoas; relembre. Portal G1. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/g1.globo.com\/go\/goias\/noticia\/2023\/07\/06\/cesio-137-maior-acidente-radiologico-da-historia-aconteceu-em-goias-e-afetou-mais-de-mil-pessoas-relembre.ghtml&gt;. Acesso em: 18 de fevereiro de 2026.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[3] (Imagem) BAVERSTOCK, K. Explainer: How much radiation is harmful to health? The Jakarta Post, 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.thejakartapost.com\/life\/2020\/02\/17\/explainer-how-much-radiation-is-harmful-to-health.html&gt;. Acesso em: 18 de fevereiro de 2026.<\/span><\/div>\n<div>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u00a0 \u00a0Ao p\u00fablico em geral, em especial \u00e0s pessoas que n\u00e3o tiveram a oportunidade de estudar a f\u00edsica nuclear, a palavra radia\u00e7\u00e3o pode parecer carregada de algo pr\u00f3ximo de um misticismo. 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