{"id":16029,"date":"2025-08-26T10:58:49","date_gmt":"2025-08-26T13:58:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=16029"},"modified":"2025-09-03T12:48:10","modified_gmt":"2025-09-03T15:48:10","slug":"feliz-ano-velho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2025\/08\/26\/feliz-ano-velho\/","title":{"rendered":"Feliz Ano Velho"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p align=\"justify\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Autor: Marcelo Rubens Paiva<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Ano de publica\u00e7\u00e3o: 1982<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">G\u00eanero: autobiografia<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Marcelo Rubens Paiva levava uma vida relativamente comum em dezembro de 1979: era estudante de engenharia agr\u00edcola na Unicamp, tinha muitos amigos e uma banda em que cantava e tocava guitarra. Tamb\u00e9m era politicamente ativo, aspecto que herdou de sua fam\u00edlia. No dia 14 de dezembro de 1979, com 20 anos, Marcelo estava em uma festa de fim de ano em um s\u00edtio com amigos, subiu em uma pedra \u00e0 beira de um lago e gritou: \u201cA\u00ed, Gregor, vou descobrir o tesouro que voc\u00ea escondeu aqui embaixo, seu milion\u00e1rio disfar\u00e7ado\u201d. Pulou com a pose do Tio Patinhas, e sua vida mudou completamente nos instantes seguintes, porque o lago era muito raso. Esse epis\u00f3dio, que o deixou tetrapl\u00e9gico, marca o in\u00edcio de <i>Feliz Ano Velho<\/i>, obra em que o autor narra com ironia, dor e lucidez sua jornada de reconstru\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Marcelo \u00e9 filho de Rubens Beyrodt Paiva, ex-deputado federal que foi preso, torturado e assassinado pela ditadura militar em 1971. Inspirado a come\u00e7ar a escrever durante o per\u00edodo em que lutava para reconstruir sua vida em uma cadeira de rodas, viria a se tornar um renomado escritor, dramaturgo e jornalista. Na sua primeira obra, narrou o acidente, os dias no hospital e muitas lembran\u00e7as de uma vida que j\u00e1 n\u00e3o existia mais, ao menos n\u00e3o da mesma forma. Com um estilo que mescla humor \u00e1cido, profunda introspec\u00e7\u00e3o, e uma honestidade at\u00e9 mesmo exagerada, a obra tornou-se um marco na autobiografia brasileira.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0O come\u00e7o da narrativa tem enfoque no per\u00edodo em que o autor passou no hospital, nos meses seguintes da ocorr\u00eancia. Durante esse tempo, o futuro era muito incerto: n\u00e3o era poss\u00edvel saber se voltaria a andar, mexer os bra\u00e7os ou manipular objetos. A narra\u00e7\u00e3o transmite o sentimento de incerteza, mas tem um tom de quase irrever\u00eancia, com certa nega\u00e7\u00e3o, que talvez tenha sido o pensamento predominante de Marcelo ap\u00f3s o acidente. Inicialmente, suas preocupa\u00e7\u00f5es envolviam voltar a tocar viol\u00e3o e frequentar a universidade. Com o tempo, essas metas se tornaram secund\u00e1rias diante de objetivos mais urgentes: mexer os bra\u00e7os e m\u00e3os, conseguir se sentar e controlar a cadeira de rodas sozinho.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0A narra\u00e7\u00e3o estende-se at\u00e9 dezembro de 1980, quando o autor j\u00e1 estava em casa h\u00e1 meses, conseguia ficar sentado sem colete ortop\u00e9dico, efetuar pequenas locomo\u00e7\u00f5es sozinho com a cadeira de rodas e at\u00e9 mesmo utilizar uma m\u00e1quina de escrever. Nesse meio tempo foi necess\u00e1ria uma cirurgia na v\u00e9rtebra lesionada, e quando a narrativa acaba, Marcelo estava ainda em aceita\u00e7\u00e3o de sua nova condi\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p align=\"right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u201c<i>Hoje em dia, me pergunto se preferiria estar morto. N\u00e3o sei nem quero saber. S\u00f3 sei que, nas noites em que tenho ins\u00f4nia, lembro de um garoto normal que subiu numa pedra e gritou: &#8211; A\u00ed, Gregor, vou descobrir o tesouro que voc\u00ea escondeu aqui embaixo, seu milion\u00e1rio disfar\u00e7ado.\u201d (p. 267).<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Trata-se de uma leitura muito interessante, principalmente quando o leitor percebe que a situa\u00e7\u00e3o poderia acontecer com qualquer um. Os sentimentos do autor \u2013 nem sempre bons e inspiradores, mas reais \u2013 s\u00e3o transmitidos de maneira fiel com a utiliza\u00e7\u00e3o de uma linguagem direta e humor cortante. A situa\u00e7\u00e3o conturbada do pa\u00eds tamb\u00e9m est\u00e1 presente na obra, especialmente nas lembran\u00e7as que Marcelo tem de seu pai. O desaparecimento de Rubens Paiva e as consequ\u00eancias disso para a fam\u00edlia s\u00e3o retratados de forma dolorosa e cr\u00edtica. Atualmente, Marcelo Rubens Paiva continua atuando como escritor, jornalista e dramaturgo, sendo uma voz importante na cena cultural brasileira. <i>Feliz Ano Velho<\/i> permanece atual e \u00e9 uma leitura que emociona, provoca reflex\u00f5es e merece ser conhecida por quem se interessa por hist\u00f3rias de vida aut\u00eanticas e transformadoras.<\/span><\/p>\n<p align=\"right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><b>Autor:<\/b> Angelo Zanona Neto<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\" align=\"right\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Autor: Marcelo Rubens Paiva Ano de publica\u00e7\u00e3o: 1982 G\u00eanero: autobiografia \u00a0 \u00a0Marcelo Rubens Paiva levava uma vida relativamente comum em dezembro de 1979: era estudante de engenharia agr\u00edcola na Unicamp, tinha muitos amigos e uma banda em que cantava e tocava guitarra. 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