{"id":15687,"date":"2025-06-18T15:32:16","date_gmt":"2025-06-18T18:32:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=15687"},"modified":"2025-06-28T19:54:52","modified_gmt":"2025-06-28T22:54:52","slug":"escravidao-do-primeiro-leilao-de-cativos-em-portugal-ate-a-morte-de-zumbi-dos-palmares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2025\/06\/18\/escravidao-do-primeiro-leilao-de-cativos-em-portugal-ate-a-morte-de-zumbi-dos-palmares\/","title":{"rendered":"Escravid\u00e3o: Do primeiro leil\u00e3o de cativos em Portugal at\u00e9 a morte de Zumbi dos Palmares"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Autor: Laurentino Gomes<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Ano de publica\u00e7\u00e3o: 2019<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">G\u00eanero: Hist\u00f3ria<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0<span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Escravid\u00e3o: Do primeiro leil\u00e3o de cativos em Portugal at\u00e9 a morte de Zumbi dos Palmares, <\/span><\/span><\/i><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">esta<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">obra nos leva a observar<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">e a refletir sobre um dos per\u00edodos mais tristes da hist\u00f3ria: a escravid\u00e3o transatl\u00e2ntica negra. Mediante pesquisas em in\u00fameros bancos de dados e tamb\u00e9m visitando m\u00faltiplos pa\u00edses, o autor nos leva para uma das \u00e9pocas mais sangrentas do nosso passado recente. Somente assim, entenderemos nosso passado para, ent\u00e3o, mudarmos nosso futuro. Em 30 breves cap\u00edtulos, Laurentino Gomes nos mostra, em detalhes, os acontecimentos hist\u00f3ricos que deram in\u00edcio ao maior tr\u00e1fico de pessoas da hist\u00f3ria humana. Partindo da primeira venda de escravos na pequena vila de Lagos, Lisboa, em 8 de agosto de 1444, at\u00e9 a morte de Zumbi dos Palmares, em uma gruta<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">na serra Dois Irm\u00e3os, onde atualmente se localiza<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">o munic\u00edpio de Vi\u00e7osa, em 20 de novembro de 1695.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Na parte introdut\u00f3ria do livro, Gomes nos traz algumas marcas hist\u00f3ricas da escravid\u00e3o. Por exemplo, os \u201cPort\u00f5es do N\u00e3o Retorno\u201d, memoriais em homenagem a todos os africanos arrancados de suas terras natais e que nunca mais as viram.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Intitulado de\u00a0 \u201cA Grande Agonia\u201d,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">o primeiro cap\u00edtulo da obra ilustra uma perspectiva geral dos horrores cometidos aos povos africanos nos primeiros dois s\u00e9culos do tr\u00e1fico negreiro. Nesse per\u00edodo, o per\u00edmetro da escravid\u00e3o avan\u00e7ou para o interior do continente velozmente, chegando a 800 km da margem costeira, alcan\u00e7ando o interior do territ\u00f3rio que hoje comp\u00f5e a Angola. Nas palavras do historiador norte-americano Joseph Miller (1988, p. 148-149) \u201cAli as pessoas matavam e eram mortas como se a vida nada valesse. [&#8230;]\u201d, essas palavras dimensionam bem o terror daquele momento. Por sua vez, a expans\u00e3o do cerco dos europeus na \u00e9poca provocava a fuga dos habitantes dessas regi\u00f5es a irem em busca de abrigo nas \u00e1reas densas da mata e em montanhas, todos fugindo das capturas e das<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">guerras que serviam de combust\u00edvel para o tr\u00e1fico atl\u00e2ntico.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Adiante, no cap\u00edtulo \u201cO Leil\u00e3o&#8221;, o autor aborda a primeira venda de escravos registrada na triste hist\u00f3ria do tr\u00e1fico negreiro. Na manh\u00e3 de 8 de agosto de 1444<\/span><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> na vila de Lagos, os moradores dessa vila acordaram com uma surpresa: 235 homens, mulheres e crian\u00e7as cativos trazidos em 14 caravelas diferentes pelo Infante Dom Henrique, quinto filho de Dom Jo\u00e3o I, para que fossem vendidos como escravos. Dentre esses, 20% Dom Henrique era por direito dono, devido ao chamado \u201cQuinto Real\u201d\u00b9. Assim,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">ele poderia selecionar, dentre todos, os 46 escravos mais fortes e saud\u00e1veis, segundo seus pr\u00f3prios crit\u00e9rios. Ali estavam, portanto, 235 pessoas tiradas de suas fam\u00edlias, lares, amigos e costumes para sempre. Sendo esse o in\u00edcio dos terr\u00edveis mais de 400 anos de escravid\u00e3o que se sucederiam a partir disso.<\/span><\/span><\/p>\n<p><sup>1 <span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif\">Se refere ao imposto de 20% cobrado pela Coroa Portuguesa em todos os neg\u00f3cios comandados por eles.<\/span><\/sup><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Laurentino tamb\u00e9m explora o fato da escravid\u00e3o estar sempre presente nos anais da hist\u00f3ria de cada grande civiliza\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existiu. Estando ela, por exemplo, manifestada na Grande Muralha da China, que, com seus 21.196 km de comprimento, foi constru\u00edda ao longo de quase mil anos por cerca de 1 milh\u00e3o de cativos for\u00e7ados a trabalhar. Ou ent\u00e3o, nos 639 min\u00fasculos diamantes da coroa de Dom Pedro II, exposta no Museu Imperial de Petr\u00f3polis, que foram extra\u00eddos e lapidados por cativos do interior de Minas Gerais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Gomes tamb\u00e9m aborda o fato de<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">que nem sempre na hist\u00f3ria a escravid\u00e3o teve<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">rela\u00e7\u00e3o com uma ra\u00e7a espec\u00edfica. Prova disso \u00e9 a pr\u00f3pria etimologia da palavra \u201cescravo\u201d, que \u00e9 oriunda do latim <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">slavus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, que, por sua vez, servia para designar os povos chamados eslavos, moradores de regi\u00f5es balc\u00e2nicas, das<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">margens do Mar Negro e do Leste Europeu. Portanto, nesse contexto, os escravos eram, principalmente, pessoas brancas de cabelos loiros e olhos verdes ou azuis. Sendo, assim, o car\u00e1ter racial do termo \u201cescravid\u00e3o\u201d \u00e9<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">uma consequ\u00eancia dos mais de 3 s\u00e9culos do tr\u00e1fico negreiro transatl\u00e2ntico.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Ao final do livro, Laurentino trata sobre um come\u00e7o do decl\u00ednio do monop\u00f3lio escravista de Portugal, at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, o maior traficante de escravos naquele contexto. Esse decl\u00ednio se d\u00e1 devido a uma s\u00e9rie de perdas de Portugal, tanto na \u00c1frica quanto no Brasil. A come\u00e7ar pela captura pelos holandeses dos territ\u00f3rios pertencentes \u00e0 Coroa Portuguesa nas regi\u00f5es da Angola, e simultaneamente, com<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">as invas\u00f5es holandesas<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">no Nordeste brasileiro entre 1624 e 1654. No entanto, o \u201carremate final\u201d das perdas de Portugal viria com um nome: Palmares. O quilombo que durante um s\u00e9culo resistiu aos ataques dos portugueses, causando um preju\u00edzo de cerca de 400 mil cruzados aos cofres de Portugal, tr\u00eas vezes o valor do or\u00e7amento destinado ao Brasil em 1612. Esse conflito s\u00f3 teve fim quando, em 1695, a cabe\u00e7a degolada de Zumbi, o maior her\u00f3i de<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Palmares, foi exibida em pra\u00e7a p\u00fablica.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Autor: Juan Rattes de Brito<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] &nbsp; Autor: Laurentino Gomes Ano de publica\u00e7\u00e3o: 2019 G\u00eanero: Hist\u00f3ria &nbsp; \u00a0 \u00a0Escravid\u00e3o: Do primeiro leil\u00e3o de cativos em Portugal at\u00e9 a morte de Zumbi dos Palmares, esta obra nos leva a observar e a refletir sobre um dos per\u00edodos mais tristes da hist\u00f3ria: a escravid\u00e3o transatl\u00e2ntica negra. 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