{"id":15563,"date":"2025-05-12T17:27:44","date_gmt":"2025-05-12T20:27:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=15563"},"modified":"2025-06-18T15:25:56","modified_gmt":"2025-06-18T18:25:56","slug":"paradoxo-do-gato-de-schrodinger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2025\/05\/12\/paradoxo-do-gato-de-schrodinger\/","title":{"rendered":"Paradoxo do Gato de Schr\u00f6dinger"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span>\u00a0 <\/span><\/span>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Durante o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a f\u00edsica qu\u00e2ntica estava em seus prim\u00f3rdios, e ainda n\u00e3o era amplamente aceita nem compreendida como \u00e9 hoje. Nesse per\u00edodo, surgiu na escola de Copenhague, capital da Dinamarca, a teoria da superposi\u00e7\u00e3o de estados, que sugere que part\u00edculas muito pequenas, como os el\u00e9trons, podem ocupar dois ou mais estados simultaneamente. A medi\u00e7\u00e3o na f\u00edsica qu\u00e2ntica \u00e9 delicada, pois \u00e9 quando surgem conceitos como indetermina\u00e7\u00e3o, colapso da fun\u00e7\u00e3o de onda e n\u00e3o-localidade. Conforme a equa\u00e7\u00e3o de Schr\u00f6dinger, antes que medi\u00e7\u00f5es sejam realizadas, a fun\u00e7\u00e3o de onda evolui de forma cont\u00ednua e determinista, de modo que a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica se assemelha a uma teoria de campo bastante comum [2, 3].<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\n<\/span> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Em 1935, o f\u00edsico te\u00f3rico <\/span><a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2016\/05\/15\/erwin-schrodinger\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Erwin Schr\u00f6dinger<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, j\u00e1 inserido entre outros estudiosos da f\u00edsica qu\u00e2ntica, prop\u00f4s um experimento mental com o intuito de refutar a interpreta\u00e7\u00e3o de Copenhague da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, pois a considerava rid\u00edcula e resolveu criar um cen\u00e1rio ainda mais absurdo para ilustrar seu ponto: o paradoxo do gato [1, 2]. O experimento funciona da seguinte forma: um gato \u00e9 colocado dentro de uma caixa fechada, que cont\u00e9m em seu interior um contador Geiger acoplado a uma pequena quantidade de subst\u00e2ncia radioativa, pass\u00edvel de decair em at\u00e9 uma hora. Se ocorrer decaimento, o contador dispara, aciona um martelo e quebra um frasco de cianeto, matando o gato; se n\u00e3o ocorrer, o frasco permanece intacto e o gato continua vivo. Enquanto a caixa permanece fechada, n\u00e3o h\u00e1 como saber qual dos dois eventos ocorreu, de modo que a fun\u00e7\u00e3o de onda do sistema pode ser descrita como uma combina\u00e7\u00e3o linear, ou seja, o estado pode ser representado como a soma de m\u00faltiplos de outros estados, contendo partes iguais de \u201cgato vivo\u201d e \u201cgato morto\u201d. S\u00f3 no instante em que se faz uma medi\u00e7\u00e3o (por exemplo, espiando por um furo na caixa) o sistema \u00e9 definido para um dos dois estados: vivo ou morto. E, ironicamente, quem descobre a situa\u00e7\u00e3o do gato torna-se respons\u00e1vel por seu destino [2].<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\n<\/span> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Como o pr\u00f3prio nome indica, trata-se de um experimento mental, isto \u00e9, n\u00e3o \u00e9 realizado na pr\u00e1tica, de modo a preservar a integridade de qualquer gatinho inocente. O objetivo de Schr\u00f6dinger era justamente expor o car\u00e1ter absurdo da interpreta\u00e7\u00e3o de Copenhague: ele queria demonstrar que n\u00e3o fazia sentido aplicar superposi\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica a objetos macrosc\u00f3picos. No entanto, o paradoxo acabou servindo como uma poderosa met\u00e1fora para explicar o funcionamento da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. De fato, parece inconceb\u00edvel que um corpo de grande porte possa estar em uma combina\u00e7\u00e3o linear de dois estados t\u00e3o distintos; j\u00e1 no mundo microsc\u00f3pico, um el\u00e9tron pode estar em superposi\u00e7\u00e3o de spin \u201cup\u201d e \u201cdown\u201d, mas o gato n\u00e3o pode estar simultaneamente vivo e morto. Para reconciliar esse absurdo, defende-se que, ao disparar, o contador Geiger realiza a \u201cmedi\u00e7\u00e3o\u201d no sentido estat\u00edstico da interpreta\u00e7\u00e3o, independentemente de haver ou n\u00e3o observa\u00e7\u00e3o humana direta da situa\u00e7\u00e3o do gato [1 &#8211; 3].<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\n<\/span> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Assim, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a medi\u00e7\u00e3o ocorre no momento em que um sistema microsc\u00f3pico (regido pela mec\u00e2nica qu\u00e2ntica) interage com um sistema macrosc\u00f3pico (regido pela mec\u00e2nica cl\u00e1ssica), gerando um registro permanente em que o sistema maior n\u00e3o pode ocupar dois estados distintos simultaneamente [3, 2]. Schr\u00f6dinger posicionou-se contra as ideias da escola de Copenhague e rejeitou a interpreta\u00e7\u00e3o dominante de sua \u00e9poca. Embora reconhecesse o sucesso da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica em prever in\u00fameros fen\u00f4menos, ele acreditava que a teoria estava incompleta e buscava uma descri\u00e7\u00e3o mais realista e palp\u00e1vel da realidade [1, 3].<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\n<\/span> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Passados noventa anos desde sua proposi\u00e7\u00e3o, o experimento mental do gato de Schr\u00f6dinger continua a inspirar debates. Parte da controv\u00e9rsia envolve a ideia de que a medi\u00e7\u00e3o decorra da participa\u00e7\u00e3o humana; Werner Heisenberg sugeriu, ent\u00e3o, utilizar o termo evento, para desvincular a medi\u00e7\u00e3o da simples a\u00e7\u00e3o do observador. As diferentes interpreta\u00e7\u00f5es sobre as implica\u00e7\u00f5es do experimento seguem em discuss\u00e3o: na interpreta\u00e7\u00e3o de Copenhague, o gato assume (ou \u201cescolhe\u201d) seu estado apenas quando observado; em outras, avalia-se o colapso objetivo ou vari\u00e1veis ocultas; e h\u00e1 ainda a interpreta\u00e7\u00e3o dos\u00a0 \u00a0 \u00a0 Muitos Mundos, em que o universo se divide em tantos ramos quantas as possibilidades, ou seja, num deles, o gato vive, no outro, morre [1, 3].<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Apesar de todas as discuss\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es, h\u00e1 um fato incontest\u00e1vel: a superposi\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica \u00e9 real. Tecnologias como a computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica fazem uso desse fen\u00f4meno, e, cada vez mais, sua influ\u00eancia estar\u00e1 presente em nosso cotidiano. O paradoxo do gato de Schr\u00f6dinger nos leva a refletir n\u00e3o apenas sobre f\u00edsica, mas tamb\u00e9m sobre os limites da ci\u00eancia e da observa\u00e7\u00e3o, sobre como o ato de medir pode afetar o que medimos e, at\u00e9 que ponto somos capazes de conhecer a realidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><b>Autora:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Eloise Granville.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><b>Refer\u00eancias:<\/b><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">[1] ARA\u00daJO, T. <\/span><b>O gato de Schr\u00f6dinger<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Espa\u00e7o do Conhecimento UFMG. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufmg.br\/espacodoconhecimento\/o-gato-de-schrodinger\/.Acesso em: 05 maio 2025.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">[2] GRIFFITHS, D. J. <\/span><b>Mec\u00e2nica qu\u00e2ntica<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. 2. ed. S\u00e3o Paulo, SP: Pearson, 2011. E-book. Dispon\u00edvel em: https:\/\/plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 05 maio 2025.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">[3] MAZO, P. L. <\/span><b>O Gato de Schr\u00f6dinger<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.ifsc.usp.br\/~strontium\/Teaching\/Material2018-2%20SFI5707%20MecanicaquanticaB\/Monografia%20-%20Pedro%20-%20SchroedingerCat.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.ifsc.usp.br\/~strontium\/Teaching\/Material2018-2%20SFI5707%20MecanicaquanticaB\/Monografia%20-%20Pedro%20-%20SchroedingerCat.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 05 maio 2025.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Durante o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a f\u00edsica qu\u00e2ntica estava em seus prim\u00f3rdios, e ainda n\u00e3o era amplamente aceita nem compreendida como \u00e9 hoje. 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