{"id":15468,"date":"2025-04-20T16:57:04","date_gmt":"2025-04-20T19:57:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=15468"},"modified":"2026-02-24T14:12:21","modified_gmt":"2026-02-24T17:12:21","slug":"a-origem-da-pascoa-e-seu-simbolismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2025\/04\/20\/a-origem-da-pascoa-e-seu-simbolismo\/","title":{"rendered":"A Origem da P\u00e1scoa e Seu Simbolismo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span>\u00a0 <\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Ah, a P\u00e1scoa! Um dos feriados que mais aguardava na inf\u00e2ncia, marcado pela empolga\u00e7\u00e3o de acordar e encontrar a cesta cheia de doces. Cada detalhe tornava esse momento inesquec\u00edvel: as hist\u00f3rias, a comemora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia e, claro, as m\u00fasicas infantis que at\u00e9 hoje ressoam na mem\u00f3ria. Minha m\u00e3e, por exemplo, costumava cantar a seguinte can\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cCoelhinho da P\u00e1scoa, o que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, tr\u00eas ovos assim.<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Coelhinho da P\u00e1scoa, que cor ele tem?<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Azul, amarelo, vermelho tamb\u00e9m [&#8230;] [1]\u201d.<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Esses versos simples e alegres aqueciam meu cora\u00e7\u00e3o e refor\u00e7avam a magia da data. Havia tamb\u00e9m a empolga\u00e7\u00e3o de preparar e decorar a cesta para o coelho depositar os ovos, al\u00e9m da divertida \u2014 e muitas vezes frustrante \u2014 tentativa de fingir estar dormindo s\u00f3 para peg\u00e1-lo no flagra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Dentre esses rituais, \u00e9 f\u00e1cil esquecermos o verdadeiro significado da P\u00e1scoa, que vai muito al\u00e9m dos coelhos e ovos de chocolate. A raiz dessa celebra\u00e7\u00e3o, de acordo com Pedreira (2021), remonta a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eostre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u2014 deusa da mitologia n\u00f3rdica, associada \u00e0 fertilidade, ao amor e ao renascimento. Seu simbolismo est\u00e1 relacionado com lebres e ovos coloridos, que permanecem at\u00e9 hoje nas celebra\u00e7\u00f5es pascais. Os povos n\u00f3rdicos homenageavam <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eostre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> sob a &#8216;luz crescente&#8217; da primavera, ap\u00f3s o primeiro nascer do Sol, quando as flores desabrochavam e a natureza se tornava mais vibrante \u2014 a \u00e9poca do ano que, segundo as cren\u00e7as, trazia felicidade e b\u00ean\u00e7\u00e3os \u00e0 Terra [2].<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0A chegada da primavera tamb\u00e9m estava ligada \u00e0 renova\u00e7\u00e3o do plantio e dos estoques de alimentos e bebidas. At\u00e9 a primeira colheita, as celebra\u00e7\u00f5es \u00e0 deusa deveriam ser comedidas para garantir que os suprimentos n\u00e3o se esgotassem. De maneira an\u00e1loga, no cristianismo, essa mesma preocupa\u00e7\u00e3o foi reinterpretada na Quaresma, um per\u00edodo de abstin\u00eancias e jejuns, tanto alimentares quanto sexuais [2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Para os crist\u00e3os, a P\u00e1scoa celebra a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, que aconteceu tr\u00eas dias ap\u00f3s sua crucifica\u00e7\u00e3o. Segundo os Evangelhos do Novo Testamento, Jesus \u00e9 o filho de Deus, nasceu da Virgem Maria, pregou paz e amor ao pr\u00f3ximo, realizou milagres e conquistou muitos seguidores. A Semana Santa come\u00e7a no Domingo de Ramos, quando Jesus chega em Jerusal\u00e9m e \u00e9 recebido com ramos de palmeira pelos judeus, que o reconhecem como o l\u00edder enviado por Deus para restaurar Israel. Na Quinta-feira Santa, durante a \u00daltima Ceia, Jesus compartilha o p\u00e3o e o vinho com seus 12 ap\u00f3stolos, instituindo a Eucaristia, e revela que ser\u00e1 tra\u00eddo por um deles \u2014 Judas Iscariotes. Preso e acusado de blasf\u00eamia pelos l\u00edderes religiosos judeus, Jesus \u00e9 entregue ao governador romano P\u00f4ncio Pilatos, no qual ordena sua crucifica\u00e7\u00e3o. Cristo morreu na Sexta-feira Santa, mas ressuscitou no Domingo de P\u00e1scoa, renovando a promessa de vida eterna para a humanidade. Atualmente, a ressurrei\u00e7\u00e3o, e consequentemente a p\u00e1scoa, \u00e9 celebrada no primeiro domingo ap\u00f3s a lua cheia, entre 22 de mar\u00e7o e 25 de abril [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0A celebra\u00e7\u00e3o mais antiga que antecede a P\u00e1scoa crist\u00e3 \u00e9 o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pessach <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u2014\u00a0 P\u00e1scoa judaica, mencionada pela primeira vez no livro do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00caxodo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, na lei de Mois\u00e9s. Segundo a escritura sagrada, Mois\u00e9s foi um homem de grande f\u00e9, enviado por Deus para confrontar o fara\u00f3 do Egito, Rams\u00e9s, e libertar o povo hebreu de uma escravid\u00e3o que durou 430 anos [3]. Ap\u00f3s nove pragas, sem que o fara\u00f3 cedesse, Deus ordenou a d\u00e9cima, a morte dos primog\u00eanitos \u2014 filho mais velho de um casal. Para que os hebreus fossem poupados, deveriam sacrificar um cordeiro macho de um ano, sem defeitos, ass\u00e1-lo e consumi-lo com p\u00e3es \u00e1zimos e ervas amargas. O sangue do animal deveria ser passado nas portas para que o anjo da morte poupasse as casas dos hebreus, da\u00ed o nome <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pessach<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, que significa &#8220;passagem&#8221; ou &#8220;poupar&#8221;. Dessa forma, ele atingiria apenas os eg\u00edpcios. Com a morte de seu primog\u00eanito, o fara\u00f3 finalmente permitiu a liberta\u00e7\u00e3o do povo de Deus. Assim, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pessach<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> tamb\u00e9m celebra a liberdade e o \u00eaxodo dos hebreus rumo \u00e0 Terra Prometida, Cana\u00e3, por volta de 1500 a.C [3, 4].<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Foram, em suma, essas influ\u00eancias culturais e religiosas que moldaram ao longo dos s\u00e9culos a P\u00e1scoa, dando origem \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o que conhecemos hoje. Mas como os coelhos e ovos se tornaram s\u00edmbolos t\u00e3o marcantes dessa festividade? O coelho, ligado \u00e0 deusa <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eostre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, simboliza a renova\u00e7\u00e3o da vida, enquanto os ovos, que inicialmente eram reais, passaram a ser decorados na Europa no s\u00e9culo XVIII, at\u00e9 serem substitu\u00eddos pelo chocolate, popularizando ao redor do mundo, o h\u00e1bito de presentear no Domingo de P\u00e1scoa amigos e familiares. Por\u00e9m, \u00e9 triste perceber que essa ess\u00eancia encantadora da P\u00e1scoa est\u00e1 se perdendo com o tempo. A cren\u00e7a infantil no &#8220;coelhinho de olhos vermelhos e pelos branquinhos&#8221; vai dando lugar a uma vis\u00e3o cada vez mais pragm\u00e1tica, onde a fantasia est\u00e1 sendo substitu\u00edda pela realidade [2, 4].<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><b><i>Autora:<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\"> Cassandra Trentin.<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><b><i>REFER\u00caNCIAS:<\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">[1] TOYS, R.<\/span><b> Coelhinho da P\u00e1scoa Que Trazes Pra Mim. <\/b><span style=\"font-weight: 400\">[V\u00eddeo]. YouTube, 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=awB3PxbMRRc%5C%3E\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=awB3PxbMRRc\\&gt;<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 24 fev. 2025.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">[2] PEDREIRA, J. S. <\/span><b>Hist\u00f3ria da P\u00e1scoa: da Deusa Eostre ao Ovo de Chocolate<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. 1\u00aa. ed. S\u00e3o Paulo: ECO Editorial, 2021.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">[3] ARAUJO, G. L. <\/span><b>P\u00e1scoa ou P\u00e1scoas Judaicas?<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Revista de Cultura Teol\u00f3gica, S\u00e3o Paulo, n.89, p. 78-97, jan.\/jun. 2017.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: 400\">[4] WOLFFENB\u00dcTTEL, V. R.;\u00a0 WOLFFENB\u00dcTTEL. C, R. <\/span><b>O Ritual da P\u00e1scoa na Col\u00f4nia de S\u00e3o Pedro &#8211; Torres (RS)<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. 1\u00aa. ed. Itapiranga: Schreiben, 2024.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]\u00a0 \u00a0 \u00a0Ah, a P\u00e1scoa! Um dos feriados que mais aguardava na inf\u00e2ncia, marcado pela empolga\u00e7\u00e3o de acordar e encontrar a cesta cheia de doces. 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