{"id":15314,"date":"2025-03-19T08:45:52","date_gmt":"2025-03-19T11:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=15314"},"modified":"2025-06-03T12:55:57","modified_gmt":"2025-06-03T15:55:57","slug":"sombras-da-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2025\/03\/19\/sombras-da-mente\/","title":{"rendered":"Sombras da mente"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p><span style=\"font-size: 16px;font-family: 'times new roman', times, serif\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><strong>Autor: <span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif\"><a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2021\/07\/09\/sir-roger-penrose-fisico-matematico-e-filosofo-1931\/\">Roger Penrose.<\/a><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><strong>Ano de publica\u00e7\u00e3o:<\/strong> 2021.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16px\"><strong><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif\">G\u00eanero: <\/span><\/strong><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif\">Divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><strong>Resenha:<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 <span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0O que torna os seres humanos especiais? Seria nossa intelig\u00eancia? De fato, nossos c\u00e9rebros s\u00e3o extraordin\u00e1rios \u2014 gra\u00e7as a eles, dominamos o fogo, inventamos a escrita e at\u00e9 desbravamos a Lua. Mas ser\u00e1 que isso, por si s\u00f3, nos torna <strong>realmente <\/strong>especiais? \u00c0 medida que a tecnologia avan\u00e7a, vemos rob\u00f4s e intelig\u00eancias artificiais (IAs) dominarem \u00e1reas do conhecimento de forma sem igual; por exemplo, mesmo nossos melhores jogadores de xadrez, que utilizam seus intelectos \u00e0 quase perfei\u00e7\u00e3o, s\u00e3o superados por tais m\u00e1quinas. Seguindo essa tend\u00eancia, n\u00e3o seria estranho imaginar um mundo onde as m\u00e1quinas pudessem simular com perfei\u00e7\u00e3o o pensamento humano, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Se a intelig\u00eancia n\u00e3o for mais o que nos diferencia, ent\u00e3o o que nos torna especiais? Estar\u00edamos fadados a ser substitu\u00eddos por rob\u00f4s?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Para <a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2021\/07\/09\/sir-roger-penrose-fisico-matematico-e-filosofo-1931\/\">Roger Penrose<\/a> &#8211; f\u00edsico, matem\u00e1tico e professor em\u00e9rito da C\u00e1tedra Rouse Ball de Matem\u00e1tica da Universidade de Oxford &#8211; n\u00e3o precisamos nos preocupar tanto com isso; afinal, o nosso pensamento \u00e9, <strong>em princ\u00edpio, <\/strong>incomput\u00e1vel. Ele apresentou essa ideia pela primeira vez em seu livro <em>A Nova Mente do Imperador<\/em>, onde argumenta que a consci\u00eancia n\u00e3o pode ser reduzida a processos algor\u00edtmicos. No entanto, devido \u00e0 enxurrada de cr\u00edticas e questionamentos que recebeu, Penrose publicou <em>Sombras da mente: uma busca perdida pela ci\u00eancia da consci\u00eancia<\/em> para elucidar essas d\u00favidas. Apesar de ambos serem livros independentes, a leitura se torna mais rica quando lidos em sequ\u00eancia.\u00a0 Para aqueles que se interessaram pela obra, \u00e9 bom se preparar: alguns trechos s\u00e3o bastante complexos, chegando a incluir, por exemplo, o formalismo de <a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2015\/12\/22\/paul-adrien-maurice-dirac-1902-1984\/\">Dirac<\/a> da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. No entanto, como o pr\u00f3prio autor evidencia, essas tecnicidades s\u00e3o uma \u201cfachada\u201d para um tema rico e belo, e perd\u00ea-las n\u00e3o afeta de forma significativa o entendimento do livro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Mas, para os ansiosos, os argumentos de Penrose s\u00e3o constru\u00eddos a partir do teorema de G\u00f6del, que, resumidamente, afirma ser imposs\u00edvel para um sistema formal de regras garantir que todas as suas afirma\u00e7\u00f5es sejam verdadeiras. Embora o teorema possa parecer abstrato, pense no seguinte exemplo dado por Penrose: se um sistema de axiomas matem\u00e1ticos produz um conjunto de afirma\u00e7\u00f5es que s\u00e3o necessariamente verdadeiras, o pr\u00f3prio sistema n\u00e3o pode provar que o conjunto como um todo \u00e9 verdadeiro (ou seja, que todos os seus componentes s\u00e3o verdadeiros).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Evidentemente, esse teorema \u00e9 v\u00e1lido para <strong>qualquer<\/strong> conjunto de opera\u00e7\u00f5es e axiomas. Portanto, podemos estend\u00ea-lo para o sistema de c\u00f3digos bin\u00e1rios que fazem os rob\u00f4s e IAs funcionarem. A partir disso, Penrose elabora um experimento mental que pode ser resumido da seguinte maneira:<\/span><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify\">\n<li><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Imagine um rob\u00f4 cujo programa, desenvolvido por humanos, evoluiu de tal forma a <strong>sempre <\/strong>fornecer afirma\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas <strong>obrigatoriamente.<\/strong><\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size: 16px\">Os humanos que desenvolveram o programa garantem que n\u00e3o h\u00e1 qualquer erro de programa\u00e7\u00e3o, de tal forma que os m\u00e9todos matem\u00e1ticos que os rob\u00f4s usam est\u00e3o corretos.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Por ser um c\u00f3digo computacional, o teorema de G\u00f6del afirma que <strong>\u00e9 imposs\u00edvel<\/strong> os rob\u00f4s terem certeza de que todas as suas afirma\u00e7\u00f5es <strong>realmente <\/strong>s\u00e3o verdadeiras.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">No entanto, como os humanos garantiram que o programa est\u00e1 livre de erros, eles podem <strong>afirmar<\/strong> que todos os teoremas <strong>s\u00e3o verdadeiros. <\/strong><\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Portanto, existem conhecimentos que os humanos t\u00eam que as IAs nunca ter\u00e3o. Esses conhecimentos devem, por obriga\u00e7\u00e3o, ser adquiridos por <strong>fen\u00f4menos n\u00e3o comput\u00e1veis<\/strong> que ocorreram no c\u00e9rebro humano \u2013 caso contr\u00e1rio, o fen\u00f4meno e o conhecimento poderiam ser adquiridos por um computador.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Como o conhecimento \u00e9 adquirido no c\u00e9rebro, que est\u00e1 <strong>obrigatoriamente sujeito \u00e0s leis da f\u00edsica, deve <\/strong>haver algum fen\u00f4meno da f\u00edsica que <strong>n\u00e3o \u00e9 comput\u00e1vel.<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Nas mais de 200 p\u00e1ginas restantes do livro, Penrose reflete sobre qual deveria ser esse fen\u00f4meno. Para chegar a um resultado, nos \u00e9 mostrado parte da relatividade geral, mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, f\u00edsica dos sistemas complexos e emergentes, para ent\u00e3o concluir: <strong>parte do conhecimento humano surge de intera\u00e7\u00f5es qu\u00e2nticas n\u00e3o comput\u00e1veis<\/strong>. A consequ\u00eancia direta desse fen\u00f4meno \u00e9 o surgimento da consci\u00eancia e do sentimento de livre-arb\u00edtrio. Portanto, nunca veremos rob\u00f4s imitando perfeitamente os seres humanos, afinal, eles <strong>nunca <\/strong>ter\u00e3o consci\u00eancia. Para os curiosos que desejam compreender as nuances dessa teoria, a obra de Roger Penrose \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria. Afinal de contas, tal conhecimento n\u00e3o pode ser resumido em um simples texto como este.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><strong>Autor da resenha:<\/strong> Gabriel Vinicius Mufatto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]\u00a0 Autor: Roger Penrose. Ano de publica\u00e7\u00e3o: 2021. G\u00eanero: Divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Resenha: \u00a0 \u00a0O que torna os seres humanos especiais? Seria nossa intelig\u00eancia? De fato, nossos c\u00e9rebros s\u00e3o extraordin\u00e1rios \u2014 gra\u00e7as a eles, dominamos o fogo, inventamos a escrita e at\u00e9 desbravamos a Lua. 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