{"id":15035,"date":"2024-12-16T14:45:14","date_gmt":"2024-12-16T17:45:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=15035"},"modified":"2025-01-23T15:24:12","modified_gmt":"2025-01-23T18:24:12","slug":"astronomia-indigena-como-os-povos-originarios-viam-o-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2024\/12\/16\/astronomia-indigena-como-os-povos-originarios-viam-o-ceu\/","title":{"rendered":"Astronomia ind\u00edgena: como os povos origin\u00e1rios viam o c\u00e9u"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p><span style=\"font-size: 16px;font-family: 'times new roman', times, serif\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span>\u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif\">\u00a0 \u00a0<span style=\"font-size: 16px\">A astronomia ind\u00edgena \u00e9 considerada uma das ci\u00eancias mais antigas. Ela descreve como os povos origin\u00e1rios observavam o c\u00e9u noturno e utilizavam os astros para orientar suas atividades agr\u00edcolas e religiosas. Esses povos acreditavam que a Terra era um reflexo do c\u00e9u<span style=\"text-decoration: line-through\">, <\/span>e que tudo o que acontecia no plano terrestre tamb\u00e9m ocorria no plano celestial. Com esse conhecimento, era poss\u00edvel compreender melhor fen\u00f4menos naturais, como as mar\u00e9s, a flora\u00e7\u00e3o das plantas e a reprodu\u00e7\u00e3o dos animais [1].<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Diferentemente da astronomia convencional, que \u00e9 predominantemente te\u00f3rica, a astronomia ind\u00edgena utiliza m\u00e9todos emp\u00edricos. Ela relaciona os movimentos do Sol, da Lua e das estrelas com eventos meteorol\u00f3gicos ao longo do ano, como as chuvas e as esta\u00e7\u00f5es. Essa fun\u00e7\u00e3o de marco temporal, que liga os corpos celestes aos ciclos, \u00e9 acompanhada por narrativas mitol\u00f3gicas espec\u00edficas de cada povo [2, 3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Uma das hist\u00f3rias mais conhecidas \u00e9 a lenda do boto-cor-de-rosa, origin\u00e1ria dos ind\u00edgenas Temb\u00e9s, que habitam o norte da Amaz\u00f4nia. A narrativa conta a hist\u00f3ria da filha de um cacique que foi seduzida por um jovem que, na verdade, era um boto travestido de homem. Apaixonada por ele, passou a encontr\u00e1-lo em todas as noites de lua cheia. Dessa rela\u00e7\u00e3o nasceram tr\u00eas botos que, nas noites de lua nova e cheia, emergiam \u00e0 superf\u00edcie para rever a m\u00e3e, causando grandes ondas que inundavam as margens do rio. Essa lenda explica o fen\u00f4meno da pororoca, que ocorre devido ao encontro das \u00e1guas oce\u00e2nicas e fluviais, intensificado pela atra\u00e7\u00e3o gravitacional da Lua durante essas fases\u200b [1, 3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Devido \u00e0 intensa atra\u00e7\u00e3o gravitacional durante as fases de lua nova e cheia, as mar\u00e9s avan\u00e7am na foz do rio, formando ondas de at\u00e9 seis metros de altura. Isso evidencia que os Tupinamb\u00e1s possu\u00edam conhecimentos sobre a influ\u00eancia da Lua nas mar\u00e9s, fato que foi registrado pelo mission\u00e1rio Claude D\u2019Abbeville no s\u00e9culo XVII. Em 1612, ele conviveu por quatro meses com os Tupinamb\u00e1s, antecessores dos Temb\u00e9s, que herdaram sua linguagem. Posteriormente, D\u2019Abbeville relatou suas observa\u00e7\u00f5es em um livro publicado em 1614 [2, 3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Naquele per\u00edodo, esse entendimento ainda n\u00e3o fazia parte do conhecimento ocidental. Embora povos como os gregos j\u00e1 tivessem registrado a rela\u00e7\u00e3o entre as mar\u00e9s e as fases da Lua, apenas em 1616 Galileu Galilei apresentou uma explica\u00e7\u00e3o em sua carta intitulada <span style=\"text-decoration: line-through\">&#8220;<\/span><em>Discurso do Fluxo e Refluxo do Mar<\/em><span style=\"text-decoration: line-through\">&#8220;<\/span>. Galileu acreditava que as mar\u00e9s eram causadas pelo movimento de rota\u00e7\u00e3o e pelo &#8220;balan\u00e7o&#8221; da Terra em sua \u00f3rbita ao redor do Sol. Quando Johannes Kepler sugeriu incluir a influ\u00eancia da Lua, Galileu rejeitou a ideia e a criticou duramente [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Somente em 1867, o f\u00edsico e matem\u00e1tico Isaac Newton demonstrou, com base na lei da gravita\u00e7\u00e3o universal, a rela\u00e7\u00e3o gravitacional da Lua sobre as mar\u00e9s. Em termos simples, o movimento de transla\u00e7\u00e3o da Lua e a rota\u00e7\u00e3o da Terra geram duas mar\u00e9s altas por dia. Durante as fases de lua nova e cheia, quando a Lua est\u00e1 alinhada com o Sol e a Terra, as for\u00e7as gravitacionais se somam, produzindo mar\u00e9s ainda mais altas, especialmente em regi\u00f5es pr\u00f3ximas ao equador [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Outros fen\u00f4menos celestes tamb\u00e9m foram registrados pelas culturas ind\u00edgenas. No interior da Bahia, a chamada &#8220;Toca do Cosmos&#8221; apresenta pinturas rupestres que fazem refer\u00eancia a corpos celestes, como estrelas, cometas e eclipses. Uma das pinturas, segundo arqueoastr\u00f4nomos, pode retratar a supernova de 1054, um evento documentado por \u00e1rabes, chineses e outros povos. Essa supernova foi vis\u00edvel durante cerca de dois anos e frequentemente era descrita como um corpo celeste extremamente brilhante pr\u00f3ximo \u00e0 Lua. Contudo, a confirma\u00e7\u00e3o de que essas pinturas representam esse evento depende de an\u00e1lises mais precisas e da data\u00e7\u00e3o exata das obras [1, 3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Apesar dos esfor\u00e7os para promover o estudo da astronomia cultural e da arqueoastronomia no Brasil, essas \u00e1reas ainda s\u00e3o pouco exploradas e divulgadas. Assim como as culturas ancestrais desaparecem junto com a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, locais como a Toca do Cosmos permanecem vulner\u00e1veis \u00e0 a\u00e7\u00e3o do tempo e \u00e0 depreda\u00e7\u00e3o humana. A preserva\u00e7\u00e3o desses patrim\u00f4nios exige pol\u00edticas p\u00fablicas mais rigorosas que protejam a cultura dos povos origin\u00e1rios, mas isso ainda parece distante. Dessa forma, percebe-se que, apesar do conhecimento avan\u00e7ado desses povos em diversos temas, por vezes antecipado em rela\u00e7\u00e3o ao Ocidente, sua cultura segue subvalorizada e em risco de extin\u00e7\u00e3o [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><strong>Autora:<\/strong> Eloise Granville.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[1] ROSSINI, M. C. Astronomia ind\u00edgena: como os povos origin\u00e1rios viam (e veem) o c\u00e9u. Super Interessante. Dispon\u00edvel em: https:\/\/super.abril.com.br\/ciencia\/astronomia-indigena-como-os-povos-originarios-viam-e-veem-o-ceu. Acesso em: 06\/12\/2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[2]MARIUZZO, P. O c\u00e9u como guia de conhecimentos e rituais ind\u00edgenas. Ci\u00eancia e Cultura. vol.64 no.4 S\u00e3o Paulo out.\/dez. 2012.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[3] ROSOLEN, N. Como a astronomia ind\u00edgena nos conecta com o planeta. CNU &#8211; Central de Not\u00edcias Uninter. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.uninter.com\/noticias\/como-a-astronomia-indigena-nos-conecta-com-o-planeta. Acesso em 06\/12\/202.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A astronomia ind\u00edgena \u00e9 considerada uma das ci\u00eancias mais antigas. 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