{"id":15018,"date":"2024-12-09T15:00:14","date_gmt":"2024-12-09T18:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=15018"},"modified":"2025-01-23T15:25:43","modified_gmt":"2025-01-23T18:25:43","slug":"mildred-dresselhaus-1930-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2024\/12\/09\/mildred-dresselhaus-1930-2017\/","title":{"rendered":"Mildred Dresselhaus (1930 &#8211; 2017)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span>\u00a0 \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Mildred Dresselhaus nasceu em 11 de novembro de 1930, no Bronx, um sub\u00farbio de Nova York, nos Estados Unidos. Filha de imigrantes poloneses, teve uma inf\u00e2ncia marcada por dificuldades financeiras, precisando trabalhar em f\u00e1bricas desde cedo para ajudar sua fam\u00edlia. Um marco decisivo em sua vida ocorreu gra\u00e7as ao talento musical de seu irm\u00e3o mais velho, Arthur Spiewak, que a levou a receber uma bolsa de estudos para aulas de violino na Juilliard School of Music [1,2]. Esse contato com a m\u00fasica abriu oportunidades para Mildred conviver com fam\u00edlias de classe m\u00e9dia que valorizavam a educa\u00e7\u00e3o, permitindo-lhe acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre processos seletivos para adentrar em boas escolas. Aos 13 anos, ingressou na Hunter College High School, a \u00fanica escola p\u00fablica de Nova York que aceitava garotas na \u00e9poca [2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Embora fosse uma aluna excepcional, enfrentou resist\u00eancia ao manifestar seu desejo de seguir carreira cient\u00edfica [2,3]. Muitos professores sugeriam que optasse por profiss\u00f5es como secret\u00e1ria ou enfermeira, consideradas na \u00e9poca mais &#8220;apropriadas&#8221; para mulheres. Contudo, sua paix\u00e3o pela ci\u00eancia foi restaurada<span style=\"text-decoration: line-through\">,<\/span> durante seu ensino m\u00e9dio, nas aulas de f\u00edsica moderna ministradas por <a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2021\/11\/26\/8522\/\">Rosalyn Susman Yalow<\/a>, uma professora que lecionava no Hunter College [2,3]. Anos mais tarde, Yalow receberia o Pr\u00eamio Nobel de Medicina (1977) por seu trabalho no desenvolvimento do radioimunoensaio (RIA) \u2013 t\u00e9cnica utilizada para medir horm\u00f4nios e outras mol\u00e9culas biol\u00f3gicas em concentra\u00e7\u00f5es extremamente pequenas [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Inspirada por Yalow, Mildred formou-se bacharel em F\u00edsica pelo Hunter College em 1951, com honrarias de melhor aluna. Esse feito lhe garantiu uma bolsa da Funda\u00e7\u00e3o Fulbright para trabalhar no Laborat\u00f3rio Cavendish da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, entre 1951 e 1952 [1,3]. Ao retornar aos Estados Unidos em 1952, concluiu o mestrado no Radcliffe College em 1953 e, posteriormente, o doutorado na Universidade de Chicago em 1958 [3]. Durante o doutorado, Mildred conheceu Gene Dresselhaus, um jovem f\u00edsico te\u00f3rico com quem se casou e teve quatro filhos. O casal tamb\u00e9m formou uma s\u00f3lida parceria cient\u00edfica [3,4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Ainda em seu doutorado, Mildred concentrou-se no estudo da imped\u00e2ncia de superf\u00edcie em supercondutores na regi\u00e3o de micro-ondas. Utilizando a estat\u00edstica de Fermi-Dirac, ela realizou pesquisas independentes que resultaram em uma descoberta not\u00e1vel: sob certas condi\u00e7\u00f5es, a aplica\u00e7\u00e3o de um campo magn\u00e9tico aumentava a <a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2022\/05\/05\/breve-historia-da-supercondutividade\/\">supercondutividade<\/a> de determinados materiais como ligas de ni\u00f3bio. Essa observa\u00e7\u00e3o, que inicialmente parecia contrariar a rec\u00e9m-publicada teoria BCS \u2014 proposta em 1957 pelos f\u00edsicos John Bardeen, Leon Cooper e Robert Schrieffer, cujas iniciais formam o nome da teoria. Ela descreve como, em temperaturas suficientemente baixas, certos materiais permitem que a corrente el\u00e9trica flua sem resist\u00eancia devido \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de pares de el\u00e9trons, chamados pares de Cooper.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Tais trabalhos de Mildred atraiu a aten\u00e7\u00e3o de nomes importantes na \u00e1rea da supercondutividade, incluindo John Bardeen [2-4]. Embora tenha sido confirmada por cientistas como Paul Richards e Brian Josephson, a explica\u00e7\u00e3o te\u00f3rica para o fen\u00f4meno s\u00f3 surgiu uma d\u00e9cada depois. Assim, apesar de importante, sua contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o alterou de forma decisiva a teoria da supercondutividade [3, 4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Em 1960, Mildred e seu marido se mudaram para o Instituto Tecnol\u00f3gico de Massachusetts (MIT), atra\u00eddos pela pol\u00edtica de igualdade de g\u00eanero da institui\u00e7\u00e3o e pela possibilidade de trabalharem juntos. No MIT, Mildred promoveu a inclus\u00e3o de mulheres na ci\u00eancia [2,4] e assumiu importantes cargos administrativos, como a dire\u00e7\u00e3o do Departamento de Engenharia e Ci\u00eancias dos Materiais em 1977, e tornou-se a primeira mulher a liderar a Academia Americana de Ci\u00eancias. Al\u00e9m disso, presidiu entidades de destaque, como a Sociedade Americana de F\u00edsica (APS) e a Associa\u00e7\u00e3o Americana para o Progresso da Ci\u00eancia (AAAS) [3-5].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Paralelamente, dedicou-se ao estudo das propriedades do grafite, realizando pesquisas pioneiras no campo dos nanomateriais, o que consolidou sua reputa\u00e7\u00e3o como uma das l\u00edderes mais respeitadas nessa \u00e1rea. Entre as diversas honrarias que recebeu, destacam-se o Pr\u00eamio Kavli de Nanoci\u00eancia (2012), a Medalha Nacional de Ci\u00eancia dos Estados Unidos e a Medalha Enrico Fermi. Al\u00e9m disso, foi agraciada com 25 doutorados honor\u00e1rios, evidenciando seus esfor\u00e7os no \u00e2mbito cient\u00edfico [1,5].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Mesmo com uma carreira repleta de compromissos, Mildred priorizou a pesquisa e o ensino, sendo reconhecida como a \u2018Rainha do Carbono\u2019 por seus estudos com o grafite [3,5]. Destacou-se tamb\u00e9m como defensora incans\u00e1vel da representatividade feminina na ci\u00eancia e como uma mentora dedicada pois, como ela mesma afirmou: \u2018<em>Estou feliz em continuar fazendo ci\u00eancia e sendo uma mentora para qualquer um que pe\u00e7a conselhos<\/em>.\u2019 Mildred Dresselhaus faleceu em 20 de fevereiro de 2017, aos 86 anos, na cidade de Cambridge, nos Estados Unidos [4,5].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Autora:\u00a0<\/span><\/strong><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">Cassandra Trentin.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">REFER\u00caNCIAS<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[1] BARROS, R. L. <strong>Ci\u00eancia, tecnologia e g\u00eanero: a participa\u00e7\u00e3o da mulher no campo cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico<\/strong>. S\u00e3o Carlos: Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, 2023.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[2] LOPES, M. C. L. <strong>A import\u00e2ncia das mulheres na f\u00edsica e suas contribui\u00e7\u00f5es por meio de um jogo de RPG de cartas<\/strong>. 2024. 65 p. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Licenciatura em F\u00edsica) \u2013 Universidade Federal do Maranh\u00e3o, Bacabal, 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[3] NASCIMENTO, S. M. S. <strong>S\u00edntese, caracteriza\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00f5es dos carbon dots autodopados com enxofre e nitrog\u00eanio<\/strong>. Tese (Doutorado em F\u00edsica) \u2013 Universidade Federal de Alagoas, p.117, Macei\u00f3, 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[4] SAITOVITCH. E. M. B. <strong>Mulheres na F\u00edsica: casos hist\u00f3ricos, panorama e perspectivas<\/strong>.1. ed. S\u00e3o Paulo: Editora Livraria da F\u00edsica, 2015.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">[5] JORIO. A. <strong>Mildred S. Dresselhaus<\/strong>. <strong>Journal of Raman Spectroscopy.<\/strong> Belo Horizonte (MG), 2017, v. 49, p. 13\u201318.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px;color: #333333\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]\u00a0 \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0Mildred Dresselhaus nasceu em 11 de novembro de 1930, no Bronx, um sub\u00farbio de Nova York, nos Estados Unidos. Filha de imigrantes poloneses, teve uma inf\u00e2ncia marcada por dificuldades financeiras, precisando trabalhar em f\u00e1bricas desde cedo para ajudar sua fam\u00edlia. 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