{"id":14684,"date":"2024-10-11T10:35:03","date_gmt":"2024-10-11T13:35:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=14684"},"modified":"2024-10-11T10:35:03","modified_gmt":"2024-10-11T13:35:03","slug":"a-fisica-das-nuvens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2024\/10\/11\/a-fisica-das-nuvens\/","title":{"rendered":"A F\u00edsica das Nuvens"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0As nuvens come\u00e7aram a se formar cerca de 3 bilh\u00f5es de anos ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o da Terra (que ocorreu h\u00e1 aproximadamente 4,6 bilh\u00f5es de anos), tornando-se um dos fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos mais antigos observados pelos seres humanos (GALANTE, 2016). Devido \u00e0 sua grande variedade de formas e tamanhos, as nuvens sempre exerceram uma forte influ\u00eancia sobre a imagina\u00e7\u00e3o humana. Gavin Pretor-Pinney, em seu livro <em>The Cloudspotter\u2019s Guide<\/em> (2006), enfatiza que \u201co homem costuma atribuir \u00e0s nuvens certa carga dram\u00e1tica\u201d. Essa percep\u00e7\u00e3o do autor ilustra como a natureza enigm\u00e1tica das nuvens influenciou a cultura humana ao longo do tempo (DUARTE, 2009). Na mitologia grega, por exemplo, as nuvens eram associadas \u00e0 morada de Zeus, o deus dos c\u00e9us e das tempestades, assim como a outros deuses do pante\u00e3o grego (CAETANO, 2017).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Foi somente a partir do s\u00e9culo XIX que a ci\u00eancia come\u00e7ou a desvendar os mist\u00e9rios sobre as nuvens. Neste per\u00edodo, os cientistas identificaram as camadas da atmosfera terrestre, a saber: troposfera, estratosfera, mesosfera e termosfera. Praticamente todos os fen\u00f4menos relevantes para a meteorologia e a climatologia ocorrem na primeira camada, a troposfera, que \u00e9 a mais baixa da atmosfera terrestre (DUARTE, 2009). Estendendo-se por aproximadamente 15 km acima da crosta terrestre, a troposfera cont\u00e9m 80% da massa atmosf\u00e9rica e \u00e9 a regi\u00e3o onde se formam as nuvens (ECHER, 2006).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Segundo Rachel I. Albrecht, meteorologista da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), as nuvens se formam quando o vapor d&#8217;\u00e1gua na atmosfera se condensa em got\u00edculas de \u00e1gua ou cristais de gelo. Para que essa condensa\u00e7\u00e3o ocorra, o vapor precisa se agrupar com pequenas part\u00edculas presentes no ar, conhecidos como <em>n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o,<\/em> que incluem desde poeira, fuligem a restos de plantas e microrganismos. Esses n\u00facleos s\u00e3o respons\u00e1veis por tornar as nuvens vis\u00edveis (CANAL USP, 2017).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0A visibilidade das nuvens tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada \u00e0 forma como elas interagem com a luz solar. Devido \u00e0 sua capacidade de refletir a luz em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, as nuvens geralmente aparecem brancas no c\u00e9u. No entanto, em condi\u00e7\u00f5es diferentes, como em dias nublados ou durante tempestades, elas podem adquirir tonalidades que variam de cinza claro a preto. Esse fen\u00f4meno ocorre porque as nuvens podem se tornar bastante espessas e densas. Quando isso acontece, a luz do Sol tem dificuldade para atravess\u00e1-las completamente, tornando sua apar\u00eancia mais escura. Al\u00e9m disso, o \u00e2ngulo da luz solar e a posi\u00e7\u00e3o do Sol no c\u00e9u influenciam as cores das nuvens. Por exemplo, durante o p\u00f4r do sol, as nuvens podem apresentar tons alaranjados e vermelhos devido \u00e0 dispers\u00e3o de Rayleigh, que espalha a luz em comprimentos de onda mais longos (CANAL USP, 2017).\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Essas varia\u00e7\u00f5es na cor e na densidade das nuvens s\u00e3o fatores importantes que permitem classific\u00e1-las em alguns grupos. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM), as nuvens s\u00e3o subdivididas em g\u00eaneros, esp\u00e9cies e variedades. Alguns grupos incluem <em>Cirrus<\/em>, <em>Cirrocumulos<\/em>, <em>Altocumulos<\/em> e <em>Nimbostratus<\/em> \u2014 cada um com diferen\u00e7as em sua composi\u00e7\u00e3o, colora\u00e7\u00e3o, brilho, estrutura e densidade. Al\u00e9m disso, as nuvens tamb\u00e9m s\u00e3o categorizadas com base em sua altitude, podendo ser altas (acima de 6000 m), m\u00e9dias (entre 2000 e 6000 m) e baixas (at\u00e9 2000 m). Vale notar que a altura dessas forma\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas pode variar de acordo com a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e a esta\u00e7\u00e3o do ano (DUARTE, 2009).\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Apesar de estarem em uma altura elevada, as nuvens s\u00e3o significativamente afetadas pela emiss\u00e3o de poluentes na atmosfera. Poluentes como part\u00edculas de sulfato e nitrato alteram a forma\u00e7\u00e3o e as propriedades das nuvens, comprometendo sua capacidade de precipitar \u00e1gua. Isso contribui para a redu\u00e7\u00e3o da quantidade e da distribui\u00e7\u00e3o de chuvas e nevadas, afetando diretamente o equil\u00edbrio h\u00eddrico e impactando o clima local e regional (CAMPOS, 2014).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0A influ\u00eancia dessas impurezas na composi\u00e7\u00e3o das nuvens tem despertado um crescente interesse no estudo dessas forma\u00e7\u00f5es, especialmente por corroborarem na desregula\u00e7\u00e3o da temperatura global. Como destaca Carl Sagan em seu livro <a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2019\/07\/08\/resenha-de-bilhoes-e-bilhoes\/\"><em>Bilh\u00f5es e Bilh\u00f5es<\/em><\/a>, as nuvens atuam como cobertores, refletindo parte da radia\u00e7\u00e3o solar de volta ao espa\u00e7o e reduzindo a quantidade de luz que chega \u00e0 superf\u00edcie da Terra (SAGAN, 2008). Sem as nuvens, nosso planeta seria semelhante \u00e0 Lua, com temperaturas extremas que variam de 116 \u00b0C durante o dia e -173 \u00b0C \u00e0 noite (CAMPOS, 2014).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0 \u00a0Dubai, Emirados dos \u00c1rabes Unidos, uma regi\u00e3o de clima \u00e1rido, tem explorado o uso de tecnologias para criar nuvens artificiais e estimular a chuva [refer\u00eancias]. A t\u00e9cnica mais conhecida \u00e9 a<em> semeadura de nuvens<\/em>, que envolve o lan\u00e7amento de produtos qu\u00edmicos como iodeto de prata ou sais de pot\u00e1ssio nas nuvens para aumentar a condensa\u00e7\u00e3o e estimular a precipita\u00e7\u00e3o. Recentemente, eles t\u00eam testado o uso de drones que disparam cargas el\u00e9tricas nas nuvens, visando influenciar o comportamento das got\u00edculas de \u00e1gua. No entanto, que avancemos tecnologicamente mesmo com avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, devemos lembrar que h\u00e1 limites naturais e consequ\u00eancias que precisamos entender e respeitar para garantir um futuro sustent\u00e1vel. Afinal, como afirmou Richard Feynman, &#8220;A natureza n\u00e3o pode ser enganada&#8221; (ROBBINS, 2015), e cabe a n\u00f3s aprender suas leis para preservar o nosso futuro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Autora:<\/strong> Cassandra Trentin.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">GALANTE, DOUGLAS; <em>et al.<\/em> <strong>Astrobiologia uma Ci\u00eancia Emergente<\/strong>.\u00a0 S\u00e3o Paulo : Tikinet Edi\u00e7\u00e3o : IAG\/USP, 2016.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">CAETANO, A.S; MOREIRA, A. <strong>Sociedade e Mito na Trag\u00e9dia Grega. <\/strong>Al\u00e9theia Revista de Estudos sobre Antiguidade e Medievo, v. 9, n. 1, 2014.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">CANAL USP. <strong>\u00a0Como se formam as nuvens?<\/strong>. Youtube, jun. 2017. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Em74HC2mIbM\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Em74HC2mIbM<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">CAMPOS, E.J.D. <strong>O papel do oceano nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais<\/strong>. Revista USP, S\u00e3o Paulo, n. 103, p. 55-66, 2014.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">DUARTE, B.M. <strong>Caracteriza\u00e7\u00e3o da Estrutura Microf\u00edsica das Nuvens sobre Diferentes Ecossistemas na Am\u00e9rica do Sul Usando dados do MODIS. <\/strong>\u00a0Monografia, Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Meteorologia. Rio de Janeiro, p. 1-10, jul. 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">ECHER, M. P. de S., Martins, F. R.; Pereira, E. B; <em>et al<\/em>. <strong>A import\u00e2ncia dos dados de cobertura de nuvens e de sua variabilidade: metodologias para aquisi\u00e7\u00e3o de dados.<\/strong> <em>Revista Brasileira De Ensino De F\u00edsica<\/em>, <em>Revista Brasileira De Ensino De F\u00edsica<\/em>,v.3, p. 341\u2013352, 2006.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">ROBBINS, J. <em>et al. <\/em><strong>Os melhores textos de Richard Feynman<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Blucher, 2015.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 16px\">SAGAN, C. <strong>Bilh\u00f5es e Bilh\u00f5es. <\/strong>1\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Companhia de Letras, 2008.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0As nuvens come\u00e7aram a se formar cerca de 3 bilh\u00f5es de anos ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o da Terra (que ocorreu h\u00e1 aproximadamente 4,6 bilh\u00f5es de anos), tornando-se um dos fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos mais antigos observados pelos seres humanos (GALANTE, 2016). 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