{"id":14027,"date":"2024-05-20T08:00:37","date_gmt":"2024-05-20T11:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=14027"},"modified":"2026-02-22T15:08:37","modified_gmt":"2026-02-22T18:08:37","slug":"teoria-da-floresta-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2024\/05\/20\/teoria-da-floresta-negra\/","title":{"rendered":"Teoria da Floresta Negra"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0O que h\u00e1 de especial em nossa exist\u00eancia? Ali\u00e1s, porque existimos? Talvez, tenhamos sorte em habitar um planeta que permitiu a cria\u00e7\u00e3o da vida; ou nosso planeta seja o \u00fanico, em todo o universo, em que ela pode ser gerada. Por\u00e9m, ser\u00e1 que a Terra \u00e9 o \u00fanico planeta capaz de originar a vida? Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), apenas em nossa gal\u00e1xia, a <em>Via Lactea<\/em>, existem entre 200 e 400 bilh\u00f5es de estrelas; no Universo observ\u00e1vel, mais de 10 sextilh\u00f5es. Para cada estrela, no m\u00ednimo, pode haver um planeta orbitando. Portanto, diante dessa imensid\u00e3o, planetas pr\u00f3speros ao surgimento da vida devem ser t\u00e3o abundantes quanto as gotas em um copo d\u2019\u00e1gua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Como prova, o astr\u00f4nomo Frank Drake, em 1961, estimou que, na pior das hip\u00f3teses, deveria haver 20 civiliza\u00e7\u00f5es capazes de se comunicar com a Terra em nossa gal\u00e1xia; no melhor dos casos, mais de 50 milh\u00f5es.\u00a0 Essas estimativas surgem de um produto de vari\u00e1veis necess\u00e1rias para que haja vida consciente, como a taxa de forma\u00e7\u00e3o de estrelas na gal\u00e1xia, fra\u00e7\u00e3o de estrelas com planetas em sua \u00f3rbita e n\u00famero m\u00e9dio de planetas com capacidade de ter vida.\u00a0 Mesmo que o valor de algumas vari\u00e1veis sejam apenas especula\u00e7\u00f5es, como a quantidade de esp\u00e9cies inteligentes que desejam estabelecer comunica\u00e7\u00e3o e o seu tempo prov\u00e1vel de vida, a probabilidade de comunica\u00e7\u00e3o com vida extraterrestre ainda deveria ser imensa [1,2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Ent\u00e3o, porque nossa \u00fanica resposta \u00e9 o sil\u00eancio? Os f\u00edsicos Philip Morrison e Giuseppe Cocconi, em 1959, propunham que se houvesse alguma tentativa de comunica\u00e7\u00e3o de vidas inteligentes espaciais, ela ocorreria por ondas eletromagn\u00e9ticas na faixa de 1420,4 MHz.\u00a0 Esse valor corresponde a frequ\u00eancia do \u00e1tomo de hidrog\u00eanio neutro que, devido sua abund\u00e2ncia no universo, toda civiliza\u00e7\u00e3o minimamente avan\u00e7ada deve conhecer. Radiotelesc\u00f3pios varrem o c\u00e9u diariamente, e mesmo assim, n\u00e3o encontramos nada inequ\u00edvoco nessa faixa, ou em qualquer outra que sugira uma tentativa de comunica\u00e7\u00e3o &#8211; apenas o sil\u00eancio [1,2].\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0No entanto, Cixin Liu, em seu romance <em>Darck Florest, <\/em>sugere que esse sil\u00eancio pode ser fruto de uma tentativa desesperada de evitar a morte certa [3]. Ele compara o universo com uma floresta escura, onde:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0<span style=\"font-size: 10pt\">\u201cCada civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um ca\u00e7ador armado espreitando entre as \u00e1rvores como um fantasma [&#8230;].\u00a0 O ca\u00e7ador tem que ter cuidado, porque em toda a floresta existem ca\u00e7adores furtivos como ele. Se ele encontrar outra vida [&#8230;] s\u00f3 h\u00e1 uma coisa que ele pode fazer: abrir fogo e elimin\u00e1-los\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Em outras palavras, por desconhecer as reais inten\u00e7\u00f5es de outras civiliza\u00e7\u00f5es, a melhor a\u00e7\u00e3o, pensado na pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia, \u00e9 elimin\u00e1-la.\u00a0 Nada garante que o contato entre duas formas de vida inteligente seja pac\u00edfico; ali\u00e1s, considerando que os recursos do universo s\u00e3o finitos, o conflito, segundo a teoria, \u00e9 inevit\u00e1vel.\u00a0 No entanto, devido a imensid\u00e3o do cosmo, o pr\u00f3prio conflito \u00e9 um ato arriscado. Supunha, caro leitor, que uma civiliza\u00e7\u00e3o envie naves para destruir outra civiliza\u00e7\u00e3o a 120 mil anos luz: durante o tempo do percurso, a tecnologia das naves manter-se-ia a mesma, enquanto a do planeta atacado evoluiria, podendo, agora, se equiparar ou at\u00e9 superar a da nave [3,4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Tantas incertezas obrigam essas ra\u00e7as, que buscam a perman\u00eancia de sua esp\u00e9cie, realizar uma a\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica: se esconder. Ocultando sua posi\u00e7\u00e3o, eliminando qualquer resqu\u00edcio que prove sua exist\u00eancia, suas vidas estariam salvas, afinal, evitariam todo e qualquer tipo de combate. Dessa forma, talvez, o cosmo esteja repleto de civiliza\u00e7\u00f5es, com incont\u00e1veis formas de vida, por\u00e9m, invis\u00edveis aos nossos olhos, pois vivem sob o medo constante da morte iminente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Apesar de ser uma proposta pessimista, uma ideia aterrorizante, baseada no medo, a teoria da floresta negra, caso seja verdadeira, nos mostra o porqu\u00ea do sil\u00eancio que encontramos. At\u00e9 mesmo a equa\u00e7\u00e3o de Drake, citada no 2\u00ba par\u00e1grafo, muda para concordar com nossa realidade: a vari\u00e1vel que informa o n\u00famero de civiliza\u00e7\u00f5es que buscam se comunicar \u00e9 reduzida a zero.\u00a0 Apesar do Paradoxo de Fermi, que questiona o porqu\u00ea de n\u00e3o recebermos sinais de vida extraterrestre, poder ser solucionado, outra pergunta surge: se houver outras civiliza\u00e7\u00f5es, estamos seguros?\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Em 1972, a <em>nave Pioneer<\/em> <em>I<\/em> enviou para o espa\u00e7o uma placa com nossa localiza\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o sideral; em 1977, a nave <em>Voyager I<\/em> enviou uma esp\u00e9cie de c\u00e1psula do tempo tamb\u00e9m com nossa localiza\u00e7\u00e3o, nossa anatomia, nossa forma de reprodu\u00e7\u00e3o, alguns costumes e l\u00ednguas<sup>1<\/sup>&#8230;. Talvez, nessas tentativas de buscar nos comunicar com outras civiliza\u00e7\u00f5es, tenhamos, caso existam, nos revelado ao nosso ca\u00e7ador, assinado nossa senten\u00e7a de morte. Devemos continuar tentando? [5]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><strong>Autor:<\/strong> Gabriel Vinicius Mufatto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">1: Para saber mais sobre as formas de comunica\u00e7\u00e3o espacial, <a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2020\/09\/03\/nossas-mensagens-espaciais\/\">clique aqui<\/a>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Refer\u00eancias:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[1] <strong>Equa\u00e7\u00e3o de Drake: o que \u00e9 e como surgiu?<\/strong>. Astro do Dia. Dispon\u00edvel em:\u00a0 <a href=\"https:\/\/astrododia.com\/equacao-de-drake\/\">https:\/\/astrododia.com\/equacao-de-drake\/<\/a>. Acesso em 4 de maio, 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[2] <strong>Floresta negra e o sinal Wow: o que \u00e9 e por que \u00e9 t\u00e3o importante?<\/strong>.\u00a0 Astro do Dia. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/astrododia.com\/floresta-negra-e-o-sinal-wow\/\">https:\/\/astrododia.com\/floresta-negra-e-o-sinal-wow\/<\/a>. Acesso em 4 de maio, 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[3<strong>] A Hip\u00f3tese da Floresta Negra \u2013 A Resposta para o Paradoxo de Fermi<\/strong>. <em>Space Today<\/em>. 2023.\u00a0 Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/spacetoday.com.br\/a-hipotese-da-floresta-negra-a-resposta-para-o-paradoxo-de-fermi\/\">https:\/\/spacetoday.com.br\/a-hipotese-da-floresta-negra-a-resposta-para-o-paradoxo-de-fermi\/<\/a>. Acesso em 4 de maio, 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[4] <strong>Teoria da Floresta Negra: porque ainda n\u00e3o ouvimos falar de alien\u00edgenas?<\/strong> Jornal A Resist\u00eancia, Maring\u00e1, 19 de fev. 2020. PET-F\u00edsica UEM. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/petfisicauem.wixsite.com\/petfisicauem\/single-post\/2020\/02\/19\/jornal-a-resist%C3%AAncia-2019-teoria-da-floresta-negra-porque-ainda-n%C3%A3o-ouvimos-falar-de-al\">https:\/\/petfisicauem.wixsite.com\/petfisicauem\/single-post\/2020\/02\/19\/jornal-a-resist%C3%AAncia-2019-teoria-da-floresta-negra-porque-ainda-n%C3%A3o-ouvimos-falar-de-al<\/a>. Acesso em: 4 de maio, 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[5] Oliveira, V. A. <strong>Nossas mensagens espaciais. <\/strong>GPET-F\u00edsica Unicentro. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2020\/09\/03\/nossas-mensagens-espaciais\/\">https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2020\/09\/03\/nossas-mensagens-espaciais\/<\/a>. Acesso em 4 de maio, 2024.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u00a0 \u00a0O que h\u00e1 de especial em nossa exist\u00eancia? Ali\u00e1s, porque existimos? Talvez, tenhamos sorte em habitar um planeta que permitiu a cria\u00e7\u00e3o da vida; ou nosso planeta seja o \u00fanico, em todo o universo, em que ela pode ser gerada. Por\u00e9m, ser\u00e1 que a Terra \u00e9 o \u00fanico planeta capaz de originar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":550,"featured_media":14029,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4],"tags":[337,965,1409],"class_list":["post-14027","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-astronomia","tag-curiosidades","tag-gabriel-vinicius-muffato"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/550"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14027"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14027\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16644,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14027\/revisions\/16644"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}