{"id":1272,"date":"2018-10-04T00:00:22","date_gmt":"2018-10-04T03:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=1272"},"modified":"2023-03-08T17:28:22","modified_gmt":"2023-03-08T20:28:22","slug":"respirando-em-meio-liquido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2018\/10\/04\/respirando-em-meio-liquido\/","title":{"rendered":"Respirando em meio l\u00edquido"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 Se voc\u00ea sempre teve o medo de aprender a nadar pelo fato de acabar se afogando enquanto estivesse praticando, saiba que se este for o seu problema, voc\u00ea n\u00e3o ter\u00e1 mais esta desculpa ap\u00f3s conhecer o composto qu\u00edmico chamado de perfluorocarbono.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 Sabe-se bem que seres humanos e alguns outros seres vivos s\u00e3o incapazes de respirar embaixo d\u2019\u00e1gua devido aos nossos pulm\u00f5es n\u00e3o conseguirem absorver o oxig\u00eanio da \u00e1gua que neles penetram. S\u00e3o v\u00e1rias as causas de n\u00e3o termos esta capacidade, mas uma das principais \u00e9 de que na \u00e1gua h\u00e1 muito pouco oxig\u00eanio dissolvido, sendo que o ar tem vinte vezes mais oxig\u00eanio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 Outros animais como os peixes, baleias, golfinhos e as esp\u00e9cies marinhas em geral, possuem um metabolismo mais desacelerado, o que exige uma menor quantidade de oxig\u00eanio para a sua sobreviv\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 Mas ent\u00e3o, que subst\u00e2ncia l\u00edquida \u00e9 esta que possui maiores quantidades de mol\u00e9culas de oxig\u00eanio e nos permite respirar? A subst\u00e2ncia chama-se perfluorocarbono (PFC), \u00e9 um composto derivado de um hidrocarboneto onde o hidrog\u00eanio \u00e9 substitu\u00eddo por \u00e1tomos de fl\u00faor, ou seja, um hidrocarboneto fluorado l\u00edquido sint\u00e9tico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 Este composto \u00e9 limpo, sem odor, quimicamente e biologicamente inerte, com baixa tens\u00e3o de superf\u00edcie e alta capacidade de carga de O2\/Co2. O PFC pode conter at\u00e9 tr\u00eas vezes mais oxig\u00eanio e at\u00e9 quatro vezes mais di\u00f3xido de carbono do que o sangue humano. Ele tamb\u00e9m atua de forma bastante eficiente na troca de calor, fazendo com que este l\u00edquido seja ideal para uso como um meio de respira\u00e7\u00e3o l\u00edquida para aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 Pesquisas para respira\u00e7\u00e3o l\u00edquida (quando voc\u00ea inala um l\u00edquido rico em oxig\u00eanio em vez de ar) e PFC come\u00e7ou quase imediatamente ap\u00f3s o fim da Primeira Guerra Mundial, enquanto m\u00e9dicos passaram a estudar tratamentos para inala\u00e7\u00e3o de g\u00e1s venenosos e come\u00e7aram a aplicar solu\u00e7\u00f5es salinas em pulm\u00f5es de cobaias (neste caso, em c\u00e3es). O PFC em sim foi desenvolvido no come\u00e7o dos anos 1940 como parte do Projeto Manhattan.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 Mas voltando a quest\u00e3o, ent\u00e3o seria mesmo poss\u00edvel respirar imerso neste l\u00edquido? A reposta \u00e9 sim, por\u00e9m ainda existem algumas limita\u00e7\u00f5es quanto ao seu uso constante. A alta viscosidade do PFC evita que ele circule pelo pulm\u00e3o, n\u00e3o sendo eficientemente o bastante para extrair o Co2 e prevenir acidose respirat\u00f3ria. Voc\u00ea precisa circular o fluido a taxas de 5 litros por minuto para igualar um metabolismo padr\u00e3o em descanso, 10 litros para algum tipo de atividade, e os pulm\u00f5es humanos n\u00e3o s\u00e3o fortes o bastante para isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 O aposentado Arnold Lande, inventor americano e cirurgi\u00e3o de pulm\u00f5es e cora\u00e7\u00e3o, desenvolveu a patente de uma scuba (dispositivo de ar comprimido usado por mergulhadores) com l\u00edquido enriquecido com oxig\u00eanio usado para \u201crespirar\u201d. A ideia do inventor \u00e9 usar um perfluorocarbono e um tipo de l\u00edquido que \u00e9 capaz de dissolver grandes quantidades de gases, em uma scuba com um mecanismo que retire do perfluorocarbono o Co2 e coloque mais O2, retirado da \u00e1gua. Outra alternativa para o Co2 seria uma guelra artificial presa na veia femural, que \u201cperderia\u201d este g\u00e1s para a \u00e1gua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 Este invento permitiria que os mergulhadores humanos fossem a maiores profundidades e com menos problemas, como a forma\u00e7\u00e3o de bolhas de nitrog\u00eanio quando come\u00e7am a subir (que pode ser fatal). Mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os oper\u00e1rios da Petrobr\u00e1s que trabalham em extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo a grandes profundidades que se beneficiariam, outros interessados nisto s\u00e3o os militares, al\u00e9m das aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas aos pacientes com danos pulmonares e card\u00edacos. Tamb\u00e9m seria \u00fatil aos astronautas, onde uma c\u00e1psula l\u00edquida poderia ser usada para substituir uniformes usados para lidar com for\u00e7as G extremas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 Por enquanto, as pesquisas est\u00e3o paradas, j\u00e1 que \u00e9 preciso um fluido menos denso e mais econ\u00f4mico. Os perfluorocarbonos s\u00e3o duas vezes mais densos que a \u00e1gua, o que faz com que n\u00e3o sirvam para longos per\u00edodos, por causa do estresse imposto aos pulm\u00f5es. Por\u00e9m, voc\u00ea ainda poderia utiliza-l\u00f3 em sua piscina para aprender a nadar, pois n\u00e3o existiria o risco de voc\u00ea se afogar ingerindo o l\u00edquido. Mas o problema estaria para voc\u00ea encher sua piscina, o PFC custa acima de 120 reais com quantidades pr\u00f3ximas a 1 litro, ou seja, supomos que fosse uma piscina de 18 mil litros, voc\u00ea teria que investir alguns milh\u00f5es para conseguir realizar este ato.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\"><strong>Texto por:<\/strong> Bruno Belin Dal Santos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">Refer\u00eancias:<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">TARANTOLA, Andrew. <strong>Humanos podem respirar l\u00edquidos?<\/strong>; Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/humanos-podem-respirar-liquidos\/&gt;; Acessado em: 30 de setembro de 2018.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">GROSSMANN, Cesar. <strong>Humanos podem respirar um l\u00edquido ao inv\u00e9s de ar?<\/strong>; Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/hypescience.com\/humanos-podem-respirar-um-liquido-ao-inves-de-ar\/&gt;; Acessado em: 30 de setembro de 2018.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">ANDRADE, Cristiano Feij\u00f3; FORTIS, Elainejm Aparecida Felix; CARDOSO, Paulo Francisco Guerreiro. Liquid ventilation: literature review. <strong>Jornal de Pneumologia<\/strong>, v. 28, n. 6, p. 351-361, 2002. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\"><strong>Fonte da imagem:<\/strong> Xarupi-socioambiental: Ci\u00eancia, Descoberta Fant\u00e1stica.<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u00a0\u00a0\u00a0 Se voc\u00ea sempre teve o medo de aprender a nadar pelo fato de acabar se afogando enquanto estivesse praticando, saiba que se este for o seu problema, voc\u00ea n\u00e3o ter\u00e1 mais esta desculpa ap\u00f3s conhecer o composto qu\u00edmico chamado de perfluorocarbono. \u00a0\u00a0\u00a0 Sabe-se bem que seres humanos e alguns outros seres vivos s\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":137,"featured_media":1273,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4],"tags":[624,294,187,250,559],"class_list":["post-1272","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-biologia","tag-blog","tag-bruno","tag-perfluorocarbono","tag-respiracao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1272\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}