{"id":10665,"date":"2023-11-28T08:00:52","date_gmt":"2023-11-28T11:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=10665"},"modified":"2025-07-08T16:42:05","modified_gmt":"2025-07-08T19:42:05","slug":"mar-bioluminescente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2023\/11\/28\/mar-bioluminescente\/","title":{"rendered":"Mar Bioluminescente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Imagine a incr\u00edvel experi\u00eancia de estar em uma praia, cujo mar brilha no escuro. Surpreendentemente, esse efeito n\u00e3o \u00e9 provocado pela luz da Lua, t\u00e3o pouco pela luz do Sol ou de qualquer ilumina\u00e7\u00e3o artificial [1]. Nenhum fator externo \u00e9 respons\u00e1vel por isso, ao contr\u00e1rio, \u00e9 um fen\u00f4meno natural subaqu\u00e1tico, conhecido como <em>bioluminesc\u00eancia.\u00a0 <\/em>O sufixo<em> \u201cbio\u201d <\/em>indica, que \u00e9 provocado por seres vivos [2,3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0De acordo com o Instituto da Universidade de S\u00e3o Paulo (IO-USP), organismos marinhos como \u00e1guas-vivas, algas e alguns peixes, assim como organismos terrestres, como vaga-lumes e alguns fungos, podem ter a caracter\u00edstica da bioluminesc\u00eancia. ou seja, esses organismos emitem luz pr\u00f3pria como um sinal de defesa, para atrair presas ou para fins de atra\u00e7\u00e3o sexual [1,3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Os vaga-lumes, por exemplo, utilizam a bioluminesc\u00eancia para acasalar, atraindo suas f\u00eameas por meio de &#8220;piscadas de luz&#8221;. Al\u00e9m disso, os machos utilizam sua habilidade luminosa para camuflar-se como f\u00eameas, enganando outras esp\u00e9cies de vaga-lumes machos para se alimentarem deles.\u00a0 Tanto em vaga-lumes como em algumas esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas, o fen\u00f4meno de bioluminesc\u00eancia ocorre por meio de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que geralmente envolvem dois produtos importantes: uma prote\u00edna denominada de luciferina e uma enzima chamada de luciferase, sendo necess\u00e1rio, a presen\u00e7a de oxig\u00eanio. Este processo resulta na emiss\u00e3o de f\u00f3tons dos organismos, gerando luz vis\u00edvel [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Diante disso, podemos aprofundar nossa an\u00e1lise com uma quest\u00e3o fascinante: por que a luz que percebemos assume colora\u00e7\u00e3o &#8220;verde-amarelada&#8221; ao observar vaga-lumes e uma tonalidade &#8220;azul-neon&#8221; ao contemplar alguns mares? A cor da luz emitida por organismos bioluminescentes, como vaga-lumes e algumas formas de vida marinha, \u00e9 determinada pela combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios fatores, como os compostos qu\u00edmicos envolvidos na bioluminesc\u00eancia, bem como esses compostos interagem com o ambiente [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0O brilho azul fluorescente causado por bilh\u00f5es de algas unicelulares ou pl\u00e2nctons vegetais\u00a0 (<em>Noctiluca Scintillans)<\/em>, \u00e9 resultado de um processo de oxida\u00e7\u00e3o. Isso ocorre quando a luciferina entra em contato com o oxig\u00eanio presente nesses organismos. Esse processo qu\u00edmico \u00e9 semelhante ao que ocorre nos vaga-lumes, a diferen\u00e7a est\u00e1 na presen\u00e7a de prote\u00ednas bioluminescentes que interagem com os compostos qu\u00edmicos, resultando em emiss\u00f5es luminosas com comprimentos de onda distintos [1,3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Al\u00e9m disso, a cor da luz tamb\u00e9m pode ser influenciada pela dispers\u00e3o da luz. A \u00e1gua do mar pode absorver e dispersar a luz de v\u00e1rias maneiras, o que, por sua vez, afeta a percep\u00e7\u00e3o da cor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0De acordo com o especialista em bioluminesc\u00eancia Michael Latz, um cientista renomado do Scripps Institution of Oceanography, a uni\u00e3o de v\u00e1rios organismos unicelulares num mesmo local causa uma mudan\u00e7a na colora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, tornando-a castanha-avermelhada, da\u00ed o nome &#8220;mar vermelho&#8221; [3]. Quando esses organismos se multiplicam em grande n\u00famero, a \u00e1gua pode assumir uma colora\u00e7\u00e3o avermelhada ou castanha devido aos pigmentos que eles cont\u00eam, como a clorofila e a peridinina. Esses pigmentos podem absorver e refletir a luz de forma diferente, resultando em uma mudan\u00e7a na cor da \u00e1gua. O aumento significativo desse efeito apresenta uma explica\u00e7\u00e3o simples, que pode n\u00e3o ser um bom sinal [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Em uma entrevista ao jornal australiano ABC, Gustaaf Hallegraeff, professor de bot\u00e2nica aqu\u00e1tica na Universidade de Tasm\u00e2nia, mencionou que os cientistas acreditam, o efeito azul fluorescente pode estar relacionado com as correntes oce\u00e2nicas e o aquecimento do oceano [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Embora os mares bioluminescentes parecem ser menos comuns em compara\u00e7\u00e3o aos vaga-lumes que vemos durante a noite, h\u00e1 in\u00fameros relatos de v\u00e1rias praias ao redor do mundo que apresentam o fen\u00f4meno bioluminescente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Assim sendo, \u00e9 comum vermos esse fen\u00f4meno em praias como: Nova Zel\u00e2ndia (sudoeste do Oceano Pac\u00edfico); Lago de San Diego; ilhas Raa Atoll; Maldivas e Lago Gippsland, em Victoria, na Austr\u00e1lia. Eventos desse tipo tamb\u00e9m acontecem em territ\u00f3rio brasileiro. Pesquisas mostram o espet\u00e1culo causado por bact\u00e9rias bioluminescentes nas \u00e1guas costeiras de Imb\u00e9 e Tramanda\u00ed, no Rio Grande do Sul (RS), na Ilha do Mel, no Paran\u00e1, e na Ilha do Cardoso, no extremo Sul do litoral paulista. [4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><strong>Autora:<\/strong> Cassandra Trentin.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Refer\u00eancias:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[1] CORREIA, Flavia. <strong>Mar do RS \u00e9 tomado por brilho intenso; entenda o fen\u00f4meno da bioluminesc\u00eancia.<\/strong> Olhar Digital, 03 nov. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2021\/10\/29\/ciencia-e-espaco\/bioluminescencia-mar-rio-grande-do-sul\/\">https:\/\/olhardigital.com.br\/2021\/10\/29\/ciencia-e-espaco\/bioluminescencia-mar-rio-grande-do-sul\/<\/a>. Acesso em: 14 out. 2023.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[2] DANTAS, Thiago. <strong>A luz do vaga-lume.<\/strong> Mundo Educa\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/curiosidades\/a-luz-vagalume.htm#:~:text=Esse%20processo%20ocorre%20da%20seguinte,sua%20energia%2C%20emite%20a%20luz\">https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/curiosidades\/a-luz-vagalume.htm#:~:text=Esse%20processo%20ocorre%20da%20seguinte,sua%20energia%2C%20emite%20a%20luz<\/a>. Acesso em: 14 out. 2023.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[3] GRA\u00c7A, Alfredo. <strong>Ondas bioluminescentes: o mist\u00e9rio do mar azul fluorescente.<\/strong> METEOREDtempo.com, 11 ago. 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.tempo.com\/noticias\/ciencia\/o-misterio-do-mar-azul-fluorescente.html\">https:\/\/www.tempo.com\/noticias\/ciencia\/o-misterio-do-mar-azul-fluorescente.html<\/a>. Acesso em: 14 out. 2023.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[4] BARBI, Silas. <strong>Onde Encontrar Bioluminesc\u00eancia no Brasil. <\/strong>Desviantes. 19 set. 2014. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/desviantes.com.br\/blog\/post\/onde-encontrar-bioluminescencia-no-Brasil\/\">https:\/\/desviantes.com.br\/blog\/post\/onde-encontrar-bioluminescencia-no-Brasil\/<\/a>. Acesso em: 14 out. 2023.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0Imagine a incr\u00edvel experi\u00eancia de estar em uma praia, cujo mar brilha no escuro. Surpreendentemente, esse efeito n\u00e3o \u00e9 provocado pela luz da Lua, t\u00e3o pouco pela luz do Sol ou de qualquer ilumina\u00e7\u00e3o artificial [1]. 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