Resenha de: “Johnny Vai à Guerra”

Resenha de: “Johnny Vai à Guerra”

Autor: Dalton Guerra

Ano de publicação: 1939

Resenha:

“Johnny vai à guerra” é um livro do autor Dalton Trumbo. Foi publicado originalmente em 1939 nos Estados Unidos. Apesar de ter sido publicado no mesmo ano em que a 2a Guerra Mundial estourou, o livro tem como pano de fundo a 1a Guerra (1914-1918).

Em “Johnny vai ‘a guerra” Trumbo nos apresenta a Joe Bonham, um jovem de uma família pobre do Colorado. Sua vida consiste em buscar emprego para ajudar no orçamento da família, principalmente porque seu pai morreu deixando ele, a mãe e as irmãs mais novas. Aprenderemos sobre a vida de Bonham no Colorado em flashbacks, apenas. Porque, agora, o soldado está se recuperando de ferimentos gravíssimos.

Em um hospital não se sabe onde, ele acorda com dores em todo o corpo e devagar, começa a perceber que não é mais o mesmo: ele teve ambas as pernas e ambos os braços amputados por conta da explosão de uma granada, também perdeu quatro dos seus cinco sentidos (visão, audição, paladar e olfato). Mas isso não foi tudo. Trumbo coloca o leitor dentro da cabeça de Joe – acompanhamos o soldado reagir a seu atual estado, suas memórias de antes da Guerra e suas tentativas frustradas de se comunicar. O que antes era um jovem promissor, com toda uma vida pela frente, virou um pedaço de carne que não consegue se comunicar com o mundo para dizer nem mesmo seu nome.

Em todo o tempo Joe tenta entender o que está acontecendo, por quê estão mantendo ele vivo. Um dos aspectos que torna o livro tão cruel é o fato de Joe divagar em suas memórias (afinal é a única coisa que lhe restou) lembrando-se de sua vida antes dessa horrível tragédia e pensando que nunca mais poderá rever sua família, que não poderá mais sair com seus amigos ou sorrir novamente (seu rosto está desfigurado).

Por tudo isso, Johnny vai a guerra ficou censurado por alguns anos, e seu autor sofreu perseguição política, pois, conseguiu mostrar que talvez o maior horror da guerra não seja apenas os soldados que perdem suas vidas, mas, aqueles que são brutalmente mutilados pela guerra (física e psicologicamente). Além disso, o autor questiona o que é realmente esse recrutamento ao exército e até onde ele seria justo, através dos pensamentos de Joe, que a todo instante questiona o por quê da guerra:

“…aqui está você Joe Bonham deitado como um pedaço de carne pelo resto da vida e para quê? Alguém lhe deu um tapinha no ombro e disse venha comigo garoto você vai para a guerra. E você foi. Mas por quê? Em qualquer outra negociação mesmo na compra de um carro ou na realização de uma tarefa você tinha o direito de perguntar o que eu ganho com isso? (…) Mas quando um sujeito chega e diz venha comigo e arrisque sua vida e talvez morra ou fique aleijado ora bolas você não tem direito algum. Não tem sequer o direito de dizer sim ou não ou vou pensar. Há uma porção de leis para proteger o dinheiro das pessoas mesmo em tempo de guerra mas não há nada na legislação dizendo que a vida de um homem pertence a ele e a mais ninguém.”

Por fim, este livro cumpriu tão bem seu papel de crítica a Guerra,  que rendeu um filme igualmente chocante em 1971, que inclusive foi a inspiração para a música One, do Metallica. 

Autora da resenha: Milena Schroeder Malherbi

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