{"id":1753,"date":"2014-11-18T00:00:00","date_gmt":"2014-11-18T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/irati\/2014\/11\/18\/luiz-mott-fala-sobre-homofobia-e-sua-relacao-com-a-inquisicao-portuguesa\/"},"modified":"2014-11-18T00:00:00","modified_gmt":"2014-11-18T02:00:00","slug":"luiz-mott-fala-sobre-homofobia-e-sua-relacao-com-a-inquisicao-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/irati\/2014\/11\/18\/luiz-mott-fala-sobre-homofobia-e-sua-relacao-com-a-inquisicao-portuguesa\/","title":{"rendered":"Luiz Mott fala sobre homofobia e sua rela\u00e7\u00e3o com a Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sites.unicentro.br\/irati\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/luiz-mott_02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-1678\" src=\"http:\/\/sites.unicentro.br\/irati\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/luiz-mott_02-300x184.jpg\" alt=\"luiz mott_02\" width=\"259\" height=\"159\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Campus Irati sediou na \u00faltima quarta-feira (12), a palestra \u201cA Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa e a homofobia no Brasil\u201d, ministrada pelo antrop\u00f3logo e historiador Luiz Mott, um dos fundadores da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gays, L\u00e9sbicas e Travestis (ABGLT). A dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise hist\u00f3rica fez de Mott um dos principais pesquisadores acerca de temas como escravid\u00e3o, Inquisi\u00e7\u00e3o, religiosidade e sexualidade no Brasil.<\/p>\n<p>O coordenador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Unicentro, professor Helio Sochodolak ressalta que Mott \u00e9 um exemplo de milit\u00e2ncia pelos direitos das minorias e pelo respeito a diversidade sexual. \u201cA sociedade brasileira precisa dar um salto qualitativo na quest\u00e3o dos direitos humanos e do respeito com as diferen\u00e7as. Temos condi\u00e7\u00e3o de fazer isso, o Brasil tem uma certa aptid\u00e3o para as diferen\u00e7as, mas \u00e9 preciso exercitar. Percebe nas pr\u00e1ticas cotidianas que isso ainda n\u00e3o acontece na sua plenitude, e iniciativas como as de Mott contribuem para melhorar a quest\u00e3o das boas rela\u00e7\u00f5es humanas\u201d, acrescenta Sochodolak.<\/p>\n<p>Mott conta que a Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa foi encarregada da persegui\u00e7\u00e3o aos sodomistas, que eram os gays, e a homossexualidade era considerada um pecado e um crime. \u201cA Igreja reprimiu o adult\u00e9rio, os b\u00edgamos e os padres imorais mas tamb\u00e9m, os praticantes da homossexualidade. Durante os 300 anos em que funcionou a Inquisi\u00e7\u00e3o em Portugal e no Brasil, foram perseguidos e presos centenas de homossexuais\u201d, explica.<\/p>\n<p>A Inquisi\u00e7\u00e3o criou um clima de terror na medida em que os homossexuais poderiam ser presos, a\u00e7oitados, terem bens sequestrados, ou ainda, serem degredados para a \u00c1frica ou para regi\u00f5es remotas. Os que eram considerados como \u201cmais culpados\u201d eram queimados na fogueira. Segundo Mott, foi a Inquisi\u00e7\u00e3o que criou no Brasil a homofobia cultural, fornecendo a ideologia que justifica a intoler\u00e2ncia contra os homossexuais.<\/p>\n<p>O termo homofobia \u00e9 um conceito recente, cunhado por um psic\u00f3logo dos Estados Unidos em 1966, e significa o \u00f3dio e a intoler\u00e2ncia aos homossexuais. Para o antrop\u00f3logo, a homofobia \u00e9 um tipo de racismo anti-homossexual e incluiu os gays, as l\u00e9sbicas e os travestis. Quando existem discrimina\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para algumas dessas minorias ent\u00e3o pode-se falar em lesbofobia e transfobia, embora a homofobia seja um conceito chave que engloba todos esses segmentos.<\/p>\n<p>\u201cA homofobia se manifesta atrav\u00e9s da cultura, quando a sociedade considera que o gay \u00e9 inferior, que n\u00e3o merece confian\u00e7a. Existe a homofobia institucional quando o Governo n\u00e3o garante a seguran\u00e7a da comunidade gay, e ainda, a homofobia individual quando como o Freud diz que as pessoas que n\u00e3o resolveram a sua pr\u00f3pria sexualidade n\u00e3o conseguem ver tranquilamente um homossexual e querem agredir, bater e matar\u201d, frisa<\/p>\n<p>Atualmente, o Brasil \u00e9 o campe\u00e3o mundial de assassinatos a homossexuais. A cada 28 horas um gay ou um travesti \u00e9 assassinado no pa\u00eds, esse ano j\u00e1 s\u00e3o 255 casos registrados. No Paran\u00e1, nos \u00faltimos 30 anos foram 219 assassinatos de gays, travestis e l\u00e9sbicas, um n\u00famero que conforme Mott, certamente \u00e9 maior porque muitos n\u00e3o s\u00e3o documentados. Somente em 2014, j\u00e1 s\u00e3o 14 assassinatos no estado.<\/p>\n<p>\u201cEspero que essa minha palestra aqui na Unicentro represente um momento de reflex\u00e3o para todos aqueles que ainda t\u00eam preconceito possam se libertar dessa ignor\u00e2ncia, e que possam ter rela\u00e7\u00f5es mais solid\u00e1rias e tolerantes com a popula\u00e7\u00e3o homossexual que representa 10% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. \u00c9 fundamental que o Governo garanta pol\u00edticas p\u00fablicas para que todos sejam tratados com igualdade, mas tamb\u00e9m, que as pr\u00f3prias pessoas, os professores e a universidade ensinem a verdade: que ser gay n\u00e3o \u00e9 crime, n\u00e3o \u00e9 pecado e que todos somos cidad\u00e3os humanos. O que os gays querem \u00e9 direitos iguais\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Campus Irati sediou na \u00faltima quarta-feira (12), a palestra \u201cA Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa e a homofobia no Brasil\u201d, ministrada pelo antrop\u00f3logo e historiador Luiz Mott, um dos fundadores da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gays, L\u00e9sbicas e Travestis (ABGLT). 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