{"id":652,"date":"2025-07-08T16:16:29","date_gmt":"2025-07-08T19:16:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/?page_id=652"},"modified":"2025-09-12T10:18:16","modified_gmt":"2025-09-12T13:18:16","slug":"capitulo-3-republica-1889-1994","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/producao-discente\/historica-da-moeda-no-brasil\/capitulo-3-republica-1889-1994\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 3 \u2013 Rep\u00fablica (1889\u20131994)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Com a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica em 1889, o Brasil passou por mudan\u00e7as profundas na estrutura pol\u00edtica e econ\u00f4mica. No campo monet\u00e1rio, o novo regime buscou se distanciar do modelo imperial e promover a moderniza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro. Entre as medidas adotadas, destacou-se a tentativa de implementa\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o-ouro e a centraliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria, que passou a ser conduzida pelo Banco do Brasil (Gambi, 2010). O per\u00edodo inicial da Rep\u00fablica, no entanto, foi marcado por instabilidade. A crise conhecida como <em>Encilhamento<\/em>, ocorrida nos primeiros anos do regime, teve como principal articulador o ent\u00e3o ministro da Fazenda Rui Barbosa. Com o objetivo de estimular a industrializa\u00e7\u00e3o, Rui autorizou uma pol\u00edtica de cr\u00e9dito f\u00e1cil e aumentou a emiss\u00e3o de moeda. A aus\u00eancia de mecanismos de controle, somada \u00e0 especula\u00e7\u00e3o financeira, gerou infla\u00e7\u00e3o, bolhas econ\u00f4micas e perda de confian\u00e7a no sistema banc\u00e1rio (Martins, 2020). O nome \u201cencilhamento\u201d remete \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de cavalos para uma corrida, numa met\u00e1fora ao entusiasmo exagerado que precedeu a crise. Diante do colapso econ\u00f4mico, o governo adotou medidas de austeridade. Em 1898, o ministro Joaquim Murtinho assumiu a pasta da Fazenda e conduziu um ajuste fiscal severo, conhecido como <em>Funding Loan<\/em>, que reestruturou a d\u00edvida externa e buscou restaurar a credibilidade do pa\u00eds frente aos credores internacionais (Szmrecs\u00e1nyi, 2000). As medidas inclu\u00edram conten\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos, redu\u00e7\u00e3o da base monet\u00e1ria e valoriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio. Embora tenham estabilizado temporariamente a situa\u00e7\u00e3o financeira, os efeitos sociais foram negativos: a economia entrou em recess\u00e3o e o desemprego aumentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>Quer conhecer mais sobre o encilhamento? <\/em><\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_video link=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-wiwU63tDOE&#8221; el_width=&#8221;80&#8243; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1752003216995{margin-bottom: 10px !important;}&#8221;]Durante a Primeira Rep\u00fablica, o Brasil manteve um regime de c\u00e2mbio fixo vinculado ao ouro, embora frequentemente suspenso em momentos de crise. A pol\u00edtica monet\u00e1ria do per\u00edodo era fortemente influenciada pelas exporta\u00e7\u00f5es, especialmente do caf\u00e9. <a href=\"https:\/\/cpdoc.fgv.br\/sites\/default\/files\/verbetes\/primeira-republica\/CRISE%20DE%201929.pdf\">A quebra da Bolsa de Nova York em 1929<\/a> teve efeitos diretos sobre a economia brasileira e marcou o fim da ades\u00e3o oficial ao padr\u00e3o-ouro. Nesse contexto, o mil-r\u00e9is permaneceu como moeda de curso for\u00e7ado. Herdado do Imp\u00e9rio, ele foi mantido ao longo de todo o per\u00edodo republicano at\u00e9 1942 (Brito, 2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>Impacto da crise de 1929 na exporta\u00e7\u00f5es brasileiras<\/em><\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;657&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;.vc_custom_1752003383042{margin-bottom: 10px !important;}&#8221;]A moeda passou por diversas mudan\u00e7as institucionais e enfrentou flutua\u00e7\u00f5es constantes em rela\u00e7\u00e3o a moedas estrangeiras, como a libra esterlina e o d\u00f3lar. Essas oscila\u00e7\u00f5es estavam relacionadas a d\u00e9ficits fiscais, desequil\u00edbrios no com\u00e9rcio exterior e choques externos. Buscando conter a instabilidade cambial, o governo criou em 1906 a <a href=\"https:\/\/mapa.an.gov.br\/index.php\/dicionario-primeira-republica\/752-caixa-de-conversao\"><em>Caixa de Convers\u00e3o<\/em><\/a>, uma institui\u00e7\u00e3o que visava manter a paridade do mil-r\u00e9is com o ouro e dar previsibilidade ao sistema. No entanto, o mecanismo teve vida curta: a Primeira Guerra Mundial comprometeu o padr\u00e3o-ouro global e exp\u00f4s a fragilidade da moeda brasileira (Ribeiro; Falc\u00e3o, 2012).<\/p>\n<p><strong>A substitui\u00e7\u00e3o do Mil-R\u00e9is pelo Cruzeiro em 1942 e suas implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas<\/strong><\/p>\n<p>Durante o <a href=\"https:\/\/expo-virtual-cpdoc.fgv.br\/governo-vargas\">governo de Get\u00falio Vargas<\/a>, em meio \u00e0 Segunda Guerra Mundial, o Mil-R\u00e9is, moeda que circulava no Brasil desde o per\u00edodo imperial, iniciou um processo de esgotamento devido \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e \u00e0 necessidade de moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (Sandoval, 2015). As circunst\u00e2ncias impostas pela guerra exigiam que o Brasil desenvolvesse ajustes econ\u00f4micos e estrat\u00e9gias financeiras robustas para estabilizar a economia nacional.esgotamento dos mil-r\u00e9is durante a segunda guerra mundial<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>Esgotamento dos mil-r\u00e9is durante a segunda guerra mundial<\/em><\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;658&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Forma\u00e7\u00e3o do pensamento brasileiro moderno sobre a infla\u00e7\u00e3o: da Segunda Guerra Mundial \u00e0 crise cambial (1939-1947)<\/strong><\/p>\n<p>Com o passar dos anos, a moeda passou por um processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o, e sua perda de valor dificultava as transa\u00e7\u00f5es cotidianas, pois eram necess\u00e1rias quantias muito altas para compras comuns, o que tornava o sistema monet\u00e1rio muito complexo. Diante disso, em 1942, o Cruzeiro foi introduzido como uma medida estrat\u00e9gica para modernizar o sistema monet\u00e1rio, alinhar o pa\u00eds \u00e0s pr\u00e1ticas internacionais e facilitar as rela\u00e7\u00f5es comerciais com outras na\u00e7\u00f5es. A decis\u00e3o de substituir o Mil R\u00e9is pelo Cruzeiro n\u00e3o foi apenas uma quest\u00e3o t\u00e9cnica de mudan\u00e7a de c\u00e9dulas e moedas; ela trouxe profundas implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. O Cruzeiro foi introduzido com o objetivo de unificar e simplificar o sistema monet\u00e1rio, reduzir os \u00edndices inflacion\u00e1rios e dar ao Brasil uma moeda que refletisse a nova era de moderniza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento econ\u00f4mico. Esse movimento tamb\u00e9m buscava integrar melhor a economia brasileira ao mercado internacional, que estava cada vez mais din\u00e2mico. Por um momento, a nova moeda contribuiu para estabilizar a economia, servindo como uma base para pol\u00edticas econ\u00f4micas mais eficientes. No entanto, a transi\u00e7\u00e3o trouxe desafios, como a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e do mercado \u00e0 mudan\u00e7a. Al\u00e9m disso, quest\u00f5es como ajustes de pre\u00e7os e a atualiza\u00e7\u00e3o das contas financeiras precisaram ser resolvidas rapidamente para que a moeda pudesse cumprir seu prop\u00f3sito. A transi\u00e7\u00e3o de moedas teve impacto n\u00e3o apenas na economia, mas tamb\u00e9m nas \u00e1reas sociais e pol\u00edticas. O Cruzeiro tornou-se um s\u00edmbolo do avan\u00e7o rumo \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o nacional, representando uma nova imagem do Brasil no cen\u00e1rio internacional. Essa mudan\u00e7a refletia o desejo do governo Vargas em promover o crescimento econ\u00f4mico e fortalecer a identidade de um pa\u00eds modernizado e industrializado, preparado para participar ativamente das trocas comerciais globais (Schmidtke, 2017).[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Cruzeiro na Era Vargas (1942):<\/strong>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;660&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;661&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_message message_box_color=&#8221;warning&#8221; icon_fontawesome=&#8221;fa fa-solid fa-money-bills&#8221; css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>A cria\u00e7\u00e3o do BACEN (1964) e a estrutura\u00e7\u00e3o do <\/em><a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/estabilidadefinanceira\/sfn\"><em>SFN<\/em><\/a><\/strong><\/p>\n<p><em>Uma das iniciativas mais significativas para tentar estabilizar o cen\u00e1rio econ\u00f4mico foi a cria\u00e7\u00e3o do Banco Central do Brasil (Bacen) em 1964. Antes do Bacen, as fun\u00e7\u00f5es de um banco central eram desempenhadas pelo Banco do Brasil, o que muitas vezes resultava em conflitos de interesse devido \u00e0 dualidade de suas responsabilidades, tanto comerciais quanto de controle da moeda e do cr\u00e9dito. A cria\u00e7\u00e3o do Bacen surgiu durante o Regime Militar e fazia parte de um conjunto de reformas para modernizar a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e fortalecer a pol\u00edtica econ\u00f4mica nacional.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">Figura: Antiga Caixa de Amortiza\u00e7\u00e3o, primeira sede do Banco Central do Brasil<\/span> <\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_662\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-662\" class=\"size-full wp-image-662\" src=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/foto1.jpg\" alt=\"Banco Central\" width=\"242\" height=\"176\" \/><p id=\"caption-attachment-662\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Biblioteca Nacional &#8211; Brasil (1964)<\/p><\/div>\n<p><em>A estrutura\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro Nacional (SFN), tamb\u00e9m institu\u00eddo em 1964, foi um movimento essencial para a reforma do sistema econ\u00f4mico, servindo como alicerce para a regulamenta\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras no pa\u00eds. O SFN foi estruturado para ajustar as pr\u00e1ticas financeiras \u00e0s necessidades de um pa\u00eds de renda m\u00e9dia em r\u00e1pido desenvolvimento, distribuindo responsabilidades entre o Bacen, a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM), institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00fablicas e privadas, entre outras entidades. Estas mudan\u00e7as vieram para criar um ambiente mais seguro e est\u00e1vel para a economia brasileira, facilitando o controle de cr\u00e9dito e a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/em><\/p>\n<p><em>Mesmo em meio \u00e0s dificuldades, estas institui\u00e7\u00f5es estabeleceram a base para as pol\u00edticas monet\u00e1rias e reguladoras que mais tarde possibilitaram a implementa\u00e7\u00e3o bem-sucedida do Plano Real em 1994, marcando uma nova era de estabilidade econ\u00f4mica no Brasil.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Para conhecer mais sobre o BACEN: <\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/acessoinformacao\/institucional\">BANCO CENTRAL DO BRASIL<\/a>[\/vc_message][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>De um sistema monet\u00e1rio lastreado para um sistema fiduci\u00e1rio\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o do sistema monet\u00e1rio brasileiro de um modelo lastreado para um sistema fiduci\u00e1rio foi um processo que n\u00e3o s\u00f3 redefiniu a estabilidade econ\u00f4mica do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m mudou completamente a maneira como as pessoas enxergam o dinheiro.<\/p>\n<p>O grande ponto de ruptura aconteceu em 1933, quando o governo instituiu o Decreto n\u00ba 23.501, eliminando a conversibilidade do papel-moeda em ouro e estabelecendo o curso for\u00e7ado da moeda. At\u00e9 ent\u00e3o, o Brasil operava sob um sistema lastreado, onde cada unidade monet\u00e1ria emitida tinha um correspondente f\u00edsico \u2014 tradicionalmente o ouro. Isso servia como um mecanismo de seguran\u00e7a, limitando a impress\u00e3o desenfreada de dinheiro e garantindo que seu valor fosse est\u00e1vel. No entanto, o cen\u00e1rio global inst\u00e1vel e os impactos da Crise de 1929 exigiam mudan\u00e7as urgentes na estrutura econ\u00f4mica, e a rigidez do lastro passou a ser um obst\u00e1culo (Franco, 2017).<\/p>\n<p>Em outro trecho de sua obra, Franco (2017) menciona que com essa mudan\u00e7a, o dinheiro passou a ser, essencialmente, uma cria\u00e7\u00e3o estatal, sem v\u00ednculo direto com metais preciosos. O governo deixou de ser obrigado a converter suas notas em ouro e, inicialmente, tamb\u00e9m n\u00e3o se responsabilizou por proteger o poder de compra dessas c\u00e9dulas \u2014 algo que s\u00f3 viria com o tempo, \u00e0 medida que protocolos mais s\u00f3lidos de pol\u00edtica monet\u00e1ria e atua\u00e7\u00e3o do Banco Central fossem se desenvolvendo. A aceita\u00e7\u00e3o do dinheiro passou a ser imposta por lei, um conceito chamado de curso legal ou compuls\u00f3rio. O valor das c\u00e9dulas deixou de ter qualquer rela\u00e7\u00e3o direta com peso, medida ou outro ativo tang\u00edvel e passou a ser influenciado por fatores como taxa cambial e infla\u00e7\u00e3o, sendo regulado muito mais por din\u00e2micas de mercado do que por alguma regra fixa.<\/p>\n<p>Nos anos 40, o Brasil continuava sua transi\u00e7\u00e3o para um sistema fiduci\u00e1rio. O Cruzeiro, introduzido nesse per\u00edodo, ainda era oficialmente lastreado em ouro, mas a rigidez dessa paridade cambial era cada vez mais incompat\u00edvel com a realidade de uma economia emergente que buscava expans\u00e3o e desenvolvimento. Al\u00e9m disso, os impactos da Segunda Guerra Mundial agravaram a necessidade de ajustes, e o pa\u00eds enfrentava uma realidade de infla\u00e7\u00e3o crescente e escassez de recursos (Serra, 1982). O lastro, que antes oferecia seguran\u00e7a, come\u00e7ou a ser visto como um entrave \u00e0 capacidade de adapta\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>A extin\u00e7\u00e3o da conversibilidade teve impactos diretos sobre credores e devedores, gerando perdas inesperadas para aqueles que mantinham contratos atrelados ao ouro. Al\u00e9m disso, tr\u00eas medidas fundamentais marcaram essa fase de transforma\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria: o curso compuls\u00f3rio, o regulamento de c\u00e2mbio e a limita\u00e7\u00e3o das taxas de juros. Essas a\u00e7\u00f5es foram determinantes para moldar o sistema monet\u00e1rio brasileiro nos anos seguintes.<\/p>\n<p>Mas os efeitos dessa transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o pararam por a\u00ed. Segundo Franco (2017), tr\u00eas grandes tend\u00eancias come\u00e7aram a se consolidar no novo modelo fiduci\u00e1rio:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Inflacionismo<\/strong>: Com o fim do lastro, o governo passou a ter maior liberdade para imprimir dinheiro, criando o chamado imposto inflacion\u00e1rio, onde a perda de poder de compra da popula\u00e7\u00e3o virou uma forma indireta de tributa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Isolacionismo<\/strong>: A moeda nacional passou a ser utilizada de forma menos dependente de padr\u00f5es globais, refletindo o contexto de desagrega\u00e7\u00e3o e conflitos da \u00e9poca.<\/li>\n<li>\u201c<strong><span class=\"tooltip-palavra\">Seletivismo<span class=\"tooltip-text\">O termo \u201cSeletivismo\u201d aparece entre aspas para preservar a grafia original empregada pelo autor na obra de refer\u00eancia. Em sua obra, Franco (2017, p. 29) diz que o seletivismo se refere ao vi\u00e9s de seletividade no cr\u00e9dito e nos efeitos da infla\u00e7\u00e3o. Isso significa que, ap\u00f3s 1933, a pol\u00edtica monet\u00e1ria come\u00e7ou a ser usada n\u00e3o apenas para controlar a economia de forma ampla, mas tamb\u00e9m para direcionar seus efeitos conforme imperativos sociais e morais.<\/span><\/span><\/strong>\u201d: A pol\u00edtica monet\u00e1ria ganhou vi\u00e9s social, sendo usada para organizar os impactos econ\u00f4micos da nova ordem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Esses tr\u00eas pilares \u2014 infla\u00e7\u00e3o, isolamento e \u201cseletivismo\u201d \u2014 direcionaram a evolu\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias e de cr\u00e9dito do pa\u00eds pelas d\u00e9cadas seguintes, moldando a maneira como o Brasil gerenciaria sua economia. A ado\u00e7\u00e3o do sistema fiduci\u00e1rio permitiu maior flexibilidade fiscal e ampliou o papel do Banco Central na regula\u00e7\u00e3o da oferta monet\u00e1ria, ajudando a estruturar pol\u00edticas que, no futuro, resultaram em reformas como o Plano Real (Franco, 2017).<\/p>\n<p>No fim das contas, o abandono do lastro foi uma resposta \u00e0 necessidade de moderniza\u00e7\u00e3o. A migra\u00e7\u00e3o para um sistema fiduci\u00e1rio representou uma aposta na credibilidade do Estado e na disciplina fiscal como fatores determinantes para a estabilidade monet\u00e1ria. Essa decis\u00e3o definiu os rumos da economia brasileira e ajudou a criar a base do sistema financeiro que sustenta o pa\u00eds at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>As sucessivas reformas monet\u00e1rias ocorridas nesse per\u00edodo<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil passou por seis reformas monet\u00e1rias, conforme destacado pela CNN Brasil (2022) e pelo Banco Central do Brasil (2007):[\/vc_column_text][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1752071332948{margin-bottom: 20px !important;padding-right: 15px !important;padding-left: 15px !important;background-color: #F3F3F3 !important;}&#8221;][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Cruzeiro na Era Vargas (1942):<\/strong>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;660&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;661&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1752071332948{margin-bottom: 20px !important;padding-right: 15px !important;padding-left: 15px !important;background-color: #F3F3F3 !important;}&#8221;][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>1967 &#8211;\u00a0 Cruzeiro Novo (Governo Castelo Branco \u2013 Regime Militar)<\/strong>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;669&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;668&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1752071332948{margin-bottom: 20px !important;padding-right: 15px !important;padding-left: 15px !important;background-color: #F3F3F3 !important;}&#8221;][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>1970 &#8211;\u00a0 Cruzeiro (Governo M\u00e9dici \u2013 Milagre Econ\u00f4mico)<\/strong>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;671&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;672&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1752071332948{margin-bottom: 20px !important;padding-right: 15px !important;padding-left: 15px !important;background-color: #F3F3F3 !important;}&#8221;][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>1986 &#8211;\u00a0 Cruzado (Plano Cruzado \u2013 Governo Sarney)<\/strong>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;673&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;674&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1752071332948{margin-bottom: 20px !important;padding-right: 15px !important;padding-left: 15px !important;background-color: #F3F3F3 !important;}&#8221;][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>1989 &#8211; Cruzado Novo (Plano Ver\u00e3o \u2013 Governo Sarney)<\/strong>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;675&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;676&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1752071332948{margin-bottom: 20px !important;padding-right: 15px !important;padding-left: 15px !important;background-color: #F3F3F3 !important;}&#8221;][vc_column_inner][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>1990 &#8211;\u00a0 Cruzeiro (Plano Collor I \u2013 Governo Collor)<\/strong><\/p>\n<p>O nome Cruzeiro foi reintroduzido, acompanhado do confisco de poupan\u00e7as e dep\u00f3sitos para reduzir a quantidade de moeda em circula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m houve congelamento de pre\u00e7os e sal\u00e1rios e abertura econ\u00f4mica. A medida gerou p\u00e2nico financeiro, recess\u00e3o e aumento do desemprego. Apesar das inten\u00e7\u00f5es, a infla\u00e7\u00e3o permaneceu alta.[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1752071332948{margin-bottom: 20px !important;padding-right: 15px !important;padding-left: 15px !important;background-color: #F3F3F3 !important;}&#8221;][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>1991 &#8211;\u00a0 Cruzeiro (Plano Collor II \u2013 Governo Collor)<\/strong><\/p>\n<p>Houve nova tentativa de estabiliza\u00e7\u00e3o com um novo congelamento de pre\u00e7os, corte de gastos e ajustes fiscais. A infla\u00e7\u00e3o persistiu e a desconfian\u00e7a popular agravou a crise pol\u00edtica.[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;677&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;666&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1752071332948{margin-bottom: 20px !important;padding-right: 15px !important;padding-left: 15px !important;background-color: #F3F3F3 !important;}&#8221;][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>1993 &#8211;\u00a0 Cruzeiro Real (Plano de Transi\u00e7\u00e3o \u2013 Governo Itamar Franco)<\/strong><\/p>\n<p>Criado para preparar o terreno para o Plano Real, o Cruzeiro Real foi acompanhado pela introdu\u00e7\u00e3o da Unidade Real de Valor (URV), uma moeda virtual indexada ao d\u00f3lar. A URV permitiu a corre\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e contratos, ajudando na transi\u00e7\u00e3o para o Real, que foi adotado em 1994 e estabilizou a economia brasileira<strong>.<\/strong>[\/vc_column_text][vc_single_image image=&#8221;678&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;679&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>A <\/strong><a href=\"https:\/\/repositorio.fgv.br\/items\/ffefef0b-a22a-454f-9624-ec5c3ce8a7b8\"><strong>Hiperinfla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A hiperinfla\u00e7\u00e3o foi um desafio econ\u00f4mico na vida dos brasileiros entre 1980 e 1990. De acordo com Varaschin (2023), a infla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o se caracterizava apenas por sua intensidade, mas tamb\u00e9m por seu car\u00e1ter estrutural e cr\u00f4nico, profundamente enraizado nas din\u00e2micas econ\u00f4micas e sociais do pa\u00eds. Desde os anos 1980, observou-se uma acelera\u00e7\u00e3o persistente nos \u00edndices inflacion\u00e1rios, impactando diretamente a confian\u00e7a na moeda nacional e dificultando a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas eficazes por parte do Estado, gerando intensa instabilidade.<\/p>\n<p>A alta descontrolada dos pre\u00e7os fazia com que os valores das mercadorias mudassem diariamente, resultando na perda do poder de compra da popula\u00e7\u00e3o e afetando tanto a economia familiar quanto a nacional. A elevada tributa\u00e7\u00e3o e a constante desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda levavam os cidad\u00e3os a realizarem suas compras imediatamente ap\u00f3s receberem seus sal\u00e1rios, tornando invi\u00e1vel qualquer forma de poupan\u00e7a e dificultando o planejamento financeiro.<\/p>\n<p>&#8220;A infla\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de corroer o poder de compra, aumentava a desigualdade social, pois os mais pobres eram os mais afetados pela eleva\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos pre\u00e7os e tinham menos mecanismos de prote\u00e7\u00e3o.&#8221; (Barbosa, 2023, p. 120).<\/p>\n<p>Ao analisarmos a hist\u00f3ria econ\u00f4mica do Brasil, nos anos antecedentes ao real \u00e9 poss\u00edvel identificar os fatores que levaram a instabilidade financeira desse per\u00edodo. Desde a ditadura militar (1964-1985), o Brasil acumulou uma grande d\u00edvida externa, agravada por pol\u00edticas econ\u00f4micas inst\u00e1veis e crises internacionais, como a do petr\u00f3leo. Al\u00e9m disso, o governo gastava mais do que arrecadava, gerando um descontrole fiscal. Os pre\u00e7os e sal\u00e1rios aumentavam automaticamente com a infla\u00e7\u00e3o, o que dificultava o controle e fazia tudo ficar mais caro o tempo todo.<\/p>\n<blockquote><p><a href=\"https:\/\/www.econ.puc-rio.br\/uploads\/adm\/trabalhos\/files\/Isabela_Esterminio_de_Melo.pdf\">A crise do petr\u00f3leo em 1973<\/a> teve um impacto significativo na economia brasileira. O aumento dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo no mercado internacional teve um impacto negativo na balan\u00e7a comercial do Brasil, uma vez que o pa\u00eds era dependente da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Isso resultou em problemas nas contas externas, um aumento na taxa de infla\u00e7\u00e3o e uma desacelera\u00e7\u00e3o da economia. Al\u00e9m disso, a crise do petr\u00f3leo e a instabilidade econ\u00f4mica global levaram o Brasil a acumular cada vez mais d\u00edvidas. O pa\u00eds precisou contrair empr\u00e9stimos para sustentar seu crescimento, resultando em um aumento significativo da d\u00edvida externa\u00a0 (Ribeiro, 2023, p. 10).<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Figura 1:\u00a0 Impactos da crise do petr\u00f3leo na economia Brasileira. <\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_680\" style=\"width: 2570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-680\" class=\"size-full wp-image-680\" src=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/grafico3-scaled.png\" alt=\"Impacto crise do petr\u00f3leo\" width=\"2560\" height=\"1190\" srcset=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/grafico3-scaled.png 2560w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/grafico3-300x139.png 300w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/grafico3-1024x476.png 1024w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/grafico3-768x357.png 768w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/grafico3-1536x714.png 1536w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/grafico3-2048x952.png 2048w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/grafico3-255x119.png 255w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><p id=\"caption-attachment-680\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Elaborado pelo autor com dados de MULTIVIX (2018)<\/p><\/div>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong><em>Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (OPEP), fundada em 1960: <\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.opec.org\/brief-history.html\"><strong><em>HIST\u00d3RIA DA OPEP<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/controleinflacao\/planoreal?modalAberto=30anosreal_noticia3\">Diversos planos econ\u00f4micos<\/a> foram implementados ao longo da hist\u00f3ria econ\u00f4mica do Brasil, na tentativa de conter a infla\u00e7\u00e3o e estabilizar a economia. No entanto, n\u00e3o conseguiram alcan\u00e7ar os resultados esperados, levando a um cen\u00e1rio de instabilidade financeira e busca cont\u00ednua por solu\u00e7\u00f5es eficazes.<\/p>\n<p>Com o fracasso dessas medidas, a instabilidade econ\u00f4mica e social retornou com mais for\u00e7a. O governo recorria frequentemente \u00e0 emiss\u00e3o de moeda para financiar seus d\u00e9ficits, o que intensificava a infla\u00e7\u00e3o. &#8220;A ideia b\u00e1sica \u00e9 que, num ambiente cronicamente inflacion\u00e1rio, os agentes econ\u00f4micos desenvolvem um comportamento fortemente defensivo na forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, o qual, em condi\u00e7\u00f5es normais, consiste na tentativa de recompor o pico anterior de renda real no momento de cada reajuste peri\u00f3dico de pre\u00e7o.&#8221; (Varaschin, 2024, p. 5).<\/p>\n<p>Essa pr\u00e1tica aumentava a quantidade de dinheiro em circula\u00e7\u00e3o, sem que houvesse aumento correspondente na produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, gerando um desequil\u00edbrio na economia. O dinheiro deixou de ser considerado uma forma confi\u00e1vel de preserva\u00e7\u00e3o de valor, o que impactou diretamente o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o e ampliou a desigualdade social.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt aligncenter wp-image-683\" src=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/infografico1a.png\" alt=\"\" width=\"664\" height=\"448\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/infografico1a.png 2035w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/infografico1a-300x203.png 300w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/infografico1a-1024x692.png 1024w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/infografico1a-768x519.png 768w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/infografico1a-1536x1038.png 1536w, https:\/\/www3.unicentro.br\/decon\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/07\/infografico1a-255x172.png 255w\" sizes=\"auto, (max-width: 664px) 100vw, 664px\" \/><\/div>\n<blockquote><p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, a infla\u00e7\u00e3o mensal atingiu valores superiores a 80%. Na pr\u00e1tica, isso significava que o poder de compra dos sal\u00e1rios se reduzia quase \u00e0 metade ap\u00f3s 30 dias. Isso mesmo: o dinheiro necess\u00e1rio para a compra de 2 kg de carne, ap\u00f3s 30 dias, s\u00f3 permitia a compra de pouco mais de 1 kg. O resultado dessa desvaloriza\u00e7\u00e3o acelerada da moeda era visto nos supermercados no come\u00e7o de cada m\u00eas: fam\u00edlias com carrinhos lotados e longas filas (Bacen, 2025).<\/p><\/blockquote>\n<p>A indexa\u00e7\u00e3o da economia brasileira foi um mecanismo utilizado para reajustar automaticamente pre\u00e7os, sal\u00e1rios e contratos com base na infla\u00e7\u00e3o passada. Inicialmente, os reajustes eram feitos com base em \u00edndices como o IGP-DI (\u00cdndice Geral de Pre\u00e7os \u2013 Disponibilidade Interna) e o IPC (\u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor). Embora tenha sido criada para aumentar a capacidade financeira da popula\u00e7\u00e3o, essa pr\u00e1tica acabou alimentando a infla\u00e7\u00e3o inercial. &#8220;J\u00e1 durante a d\u00e9cada de 1980, frente ao fen\u00f4meno da acelera\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria, discorria-se sobre o comportamento dos pre\u00e7os internos, trazendo \u00e0 tona um conceito central para o Plano Real, qual seja, a hip\u00f3tese da infla\u00e7\u00e3o inercial&#8221; (Varaschin, 2024, p. 4). Esse fen\u00f4meno fazia com que os reajustes autom\u00e1ticos perpetuassem a alta dos pre\u00e7os, dificultando o controle da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As empresas foram consideravelmente impactadas pela instabilidade econ\u00f4mica, pois o mercado era imprevis\u00edvel e o planejamento de longo prazo praticamente desapareceu. Para se protegerem do aumento da infla\u00e7\u00e3o, muitas organiza\u00e7\u00f5es adotaram estrat\u00e9gias de curto prazo, limitando seu crescimento e contribuindo para a desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica geral.<\/p>\n<p><strong><em>Para compreender em profundidade o impacto do Plano Real na economia e sociedade brasileira, assista ao document\u00e1rio: &#8220;Plano Real: Muito al\u00e9m de uma moeda&#8221;, produzida pelo Instituto Livres: <\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/youtu.be\/IswoeMwtPVY?si=LjjQbl6_llSAGUm7\"><strong><em>Document\u00e1rio do Plano Real: Muito al\u00e9m de uma moeda #Real25Anos<\/em><\/strong><\/a>[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/6&#8243;][vc_icon icon_fontawesome=&#8221;fa fa-solid fa-circle-arrow-left&#8221; color=&#8221;custom&#8221; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221; custom_color=&#8221;#EED1A3&#8243; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww3.unicentro.br%2Fdecon%2Fproducao-discente%2Fhistorica-da-moeda-no-brasil%2Fcapitulo-2-imperio-1822-1889%2F|title:Expediente&#8221;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;2\/3&#8243;][\/vc_column_inner][vc_column_inner width=&#8221;1\/6&#8243;][vc_icon icon_fontawesome=&#8221;fa fa-solid fa-circle-arrow-right&#8221; color=&#8221;custom&#8221; align=&#8221;center&#8221; css=&#8221;&#8221; custom_color=&#8221;#EED1A3&#8243; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww3.unicentro.br%2Fdecon%2Fproducao-discente%2Fhistorica-da-moeda-no-brasil%2Fcapitulo-4-o-plano-real-e-seus-desdobramentos-1994-presente%2F|title:Expediente&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Com a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica em 1889, o Brasil passou por mudan\u00e7as profundas na estrutura pol\u00edtica e econ\u00f4mica. 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