{"id":997,"date":"2023-03-06T09:41:13","date_gmt":"2023-03-06T12:41:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/?p=997"},"modified":"2023-03-09T09:50:54","modified_gmt":"2023-03-09T12:50:54","slug":"onde-nao-se-alcanca-nao-se-faz-sentir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2023\/03\/06\/onde-nao-se-alcanca-nao-se-faz-sentir\/","title":{"rendered":"Onde n\u00e3o se alcan\u00e7a, n\u00e3o se faz sentir"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 14pt\">H\u00e1 um lugar, em meio ao vazio, para onde eu sempre vou quando as coisas ficam reais demais. Coloco meus fones, aumento o volume da m\u00fasica, me perco nela e alcan\u00e7o o <em>desassociar<\/em>. N\u00e3o sei descrever com o que ele se parece, apenas sei que passo mais tempo l\u00e1 do que na realidade. E eu tenho a certeza de que eu n\u00e3o sou o \u00fanico que vai para l\u00e1.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\">Somos muitos os que preferem se esconder do que enfrentar os perigos da realidade. O perigo de um cora\u00e7\u00e3o partido, o perigo da dor e da perda, o perigo da derrota ou do simples fato de que as coisas n\u00e3o d\u00e3o certo. N\u00e3o vamos tentar negar a dureza da vida. N\u00e3o venha negar a dificuldade em levantar da sua cama, da dificuldade de ter dinheiro para fazer algo s\u00f3 para voc\u00ea ou da dificuldade em ser sincero sobre algo, sabendo que os outros podem n\u00e3o te levar a s\u00e9rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\">Viver no pessimismo \u00e9 med\u00edocre, no entanto viver num conto-de-fadas \u00e9 mais ainda. Para alguns, a vida \u00e9 uma linda jornada com pausas para a tristeza. Eu, por outro lado, acredito que o mundo seja um lugar ruim que, \u00e0s vezes, oferece bons momentos. O problema, em ambas as perspectivas, \u00e9 saber que alguma hora a tristeza vai voltar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\">Acabamos por evitar sentir qualquer coisa tentando n\u00e3o sermos decepcionados de novo. N\u00e3o s\u00f3 no amor, n\u00f3s tamb\u00e9m nos fechamos para novas amizades por conta de antigas experi\u00eancias. Assim como nos fechamos para qualquer emo\u00e7\u00e3o que arrisque expor o m\u00ednimo de n\u00f3s mesmos, pois estar sujeito a ser julgado por ser quem somos pode ser assustador. Quando envelhecemos, j\u00e1 n\u00e3o temos mais for\u00e7a para continuar e pouco amor a oferecer.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\">Por mais dif\u00edcil de aceitar que seja, a vida \u00e9 uma am\u00e1lgama de sentimentos bagun\u00e7ados. Queria definir essa complexidade em palavras, mas n\u00e3o h\u00e1 como. A melancolia, a paix\u00e3o, a perda, o desejo e a incerteza s\u00e3o todos elementos que constroem a verdadeira experi\u00eancia de se estar vivo. Claro que muitas vezes parece est\u00fapido, porque \u00e9 mesmo. \u00c9 est\u00fapido sentir algo bom quando estamos rodeados de trag\u00e9dia, por\u00e9m n\u00e3o devemos deixar isso nos impedir de nos sentirmos est\u00fapidos. Viver na minha cabe\u00e7a \u00e9 confortante, mas no fim \u00e9 da bagun\u00e7a que precisamos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto: <\/strong>Luis Emanuel Fontana Calixto<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Maria Isabela Andrade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um lugar, em meio ao vazio, para onde eu sempre vou quando as coisas ficam reais demais. Coloco meus fones, aumento o volume da m\u00fasica, me perco nela e alcan\u00e7o o desassociar. N\u00e3o sei descrever com o que ele se parece, apenas sei que passo mais tempo l\u00e1 do que na realidade. 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