{"id":981,"date":"2023-01-03T09:38:55","date_gmt":"2023-01-03T12:38:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/?p=981"},"modified":"2023-03-02T09:40:48","modified_gmt":"2023-03-02T12:40:48","slug":"o-brilho-eterno-de-uma-mente-cheia-de-lembrancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2023\/01\/03\/o-brilho-eterno-de-uma-mente-cheia-de-lembrancas\/","title":{"rendered":"O Brilho Eterno de Uma Mente Cheia de Lembran\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Na manh\u00e3 do dia 28 de novembro de 2022 explorei, pela primeira vez, o Cemit\u00e9rio Santa Cruz de Guarapuava. Foi um passeio estranho, principalmente para uma segunda-feira qualquer como aquela, semanas ap\u00f3s o dia de Finados. Eu n\u00e3o estava sozinha, fui com minha turma da faculdade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos separamos em grupos para podermos explorar o lugar todo, e me juntei ao meu colega Daniel. \u00c0 primeira vista, foi uma confus\u00e3o. Era um cemit\u00e9rio grande, meio desorganizado. Os corredores eram irregulares, em alguns pontos chegavam a ser inexistentes. Era definitivamente diferente de todos os que eu j\u00e1 havia ido em outras cidades. Em todos os sentidos, para mim, era um lugar esquisito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m dessa quest\u00e3o da falta de praticidade que era gerada por ser um local nada intuitivo, a quantidade de t\u00famulos antigos tamb\u00e9m me gerou estranheza. Minha cidade natal, Toledo (Paran\u00e1), s\u00f3 tem 70 anos de idade. Do povo mais antigo que mora l\u00e1, poucos nasceram e foram criados no pr\u00f3prio munic\u00edpio. Em Guarapuava, as coisas s\u00e3o diferentes. Variadas idades, pessoas que se foram h\u00e1 muitos anos, gente que nasceu h\u00e1 quase dois s\u00e9culos. Tudo isso sempre me encantou. Aquele cemit\u00e9rio era um labirinto que, naquele ponto, j\u00e1 me fazia parar e refletir sobre a vida a cada esquina que eu virava.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um dos t\u00famulos que mais me impressionaram foi o da fam\u00edlia Cebulski. Onze membros da fam\u00edlia foram enterrados juntos, e todos morreram bem velhos. Longevidade \u00e9 algo que pode definir esse grupo de pessoas. Tradi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m. Analisando a gente que est\u00e1 l\u00e1, pessoas como o patriarca Thome Cebulski, que quando nasceu o Brasil ainda era um imp\u00e9rio, em 1878, imagino como seria a vida naquela \u00e9poca, em Guarapuava. O que mudou? O que continua o mesmo? Como essas pessoas lidavam com o clima inst\u00e1vel e imprevis\u00edvel dessa regi\u00e3o em uma \u00e9poca com t\u00e3o poucos recursos?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aqueles t\u00famulos, em geral, eram o registro de centenas de vidas que j\u00e1 acabaram. V\u00e1rios estavam junto a seus familiares, descansando pela eternidade lado a lado. Alguns jazigos eram mais bonitos, requintados. Outros, extremamente simples. Tinha tamb\u00e9m aqueles que sequer marcavam o nome de quem repousava<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> ali. Tudo que eu conseguia pensar era de que forma aquele indiv\u00edduo tinha tocado quem viveu com ele. E como n\u00e3o importava quem voc\u00ea fosse em vida pois ali, naquela hora, naquele lugar, sua representa\u00e7\u00e3o seria como a de qualquer outro: um bloco de concreto para toda eternidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Texto: <\/b>Ana Gabriela Abreu<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o:<\/strong> Maria Isabela Andrade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 do dia 28 de novembro de 2022 explorei, pela primeira vez, o Cemit\u00e9rio Santa Cruz de Guarapuava. Foi um passeio estranho, principalmente para uma segunda-feira qualquer como aquela, semanas ap\u00f3s o dia de Finados. Eu n\u00e3o estava sozinha, fui com minha turma da faculdade. 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