{"id":635,"date":"2022-10-22T09:50:36","date_gmt":"2022-10-22T12:50:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/?p=635"},"modified":"2022-10-22T09:50:36","modified_gmt":"2022-10-22T12:50:36","slug":"quando-a-magreza-destroi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2022\/10\/22\/quando-a-magreza-destroi\/","title":{"rendered":"Quando a magreza destr\u00f3i"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Tudo<span style=\"font-size: 14pt\"> come\u00e7ou aos 11 anos de idade. Marina era uma menina \u201cfofinha\u201d durante a inf\u00e2ncia, mas nunca chegou perto da obesidade. Logo que seus pais se separaram, os v\u00f4mitos se tornaram frequentes. Era dif\u00edcil demais conter o nervosismo e a tristeza que aquela situa\u00e7\u00e3o lhe causava. Foi assim que ela desenvolveu sua bulimia nervosa, que se prolongou por mais oito anos. No come\u00e7o, os v\u00f4mitos refletiam o descontentamento com com a sua situa\u00e7\u00e3o familiar, mas o tempo foi passando, a adolesc\u00eancia chegou, e, ent\u00e3o, Marina encontrou naquela atitude um modo de manter-se magra.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">Foi muito dif\u00edcil perceber a doen\u00e7a, mas mais dif\u00edcil ainda foi procurar ajuda. Para ela, durante muito tempo, os v\u00f4mitos eram c\u00f4modos e geravam uma sensa\u00e7\u00e3o de autocontrole e limpeza. \u201cVomitar servia como uma limpeza psicol\u00f3gica. Eu sentia como se estivesse tirando um grande peso de dentro de mim\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">A NOSSA MENTE TRABALHA CONTRA<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">A NOSSA SA\u00daDE E N\u00d3S TEMOS QUE ENCONTRAR UM MEIO DE VIRAR A MESA, GANHAR ESSE JOGO.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">Michelle<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\">A hist\u00f3ria de Marina \u00e9 triste, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Na sociedade atual, onde modelos mag\u00e9rrimas s\u00e3o consideradas exemplos de beleza e sucesso, \u00e9 cada vez mais percept\u00edvel o aparecimento de dist\u00farbios alimentares, principalmente em meninas entre 15 e 25 anos. Al\u00e9m da bulimia, outro dist\u00farbio bastante frequente entre os jovens \u00e9 a anorexia.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">A principal diferen\u00e7a entre as duas doen\u00e7as \u00e9 que na bulimia as pessoas costumam alimentar-se exageradamente e depois provocar v\u00f4mitos para compensar o ganho de peso, j\u00e1 na anorexia, as jovens privam-se da ingest\u00e3o de alimentos por longos per\u00edodos. Segundo o psic\u00f3logo Dhyone Schinemann, \u201cexistem fortes evid\u00eancias de que esses transtornos est\u00e3o associados a um tipo de funcionamento familiar de grandes exig\u00eancias, perfeccionismo, cobran\u00e7as e depend\u00eancia\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">Geralmente, as pessoas bul\u00edmicas n\u00e3o t\u00eam tanta altera\u00e7\u00e3o de peso como as anor\u00e9xicas, pois, apesar de n\u00e3o haver a pretens\u00e3o de engordar, gostam muito de comer e o fazem exageradamente. Depois do excesso, para aliviarem a culpa, for\u00e7am o v\u00f4mito e ingerem diur\u00e9ticos e laxantes. \u201cQuando eu comia demais, ficava alguns dias sem comer para tentar compensar toda a caloria que tinha adquirido. J\u00e1 cheguei a ficar quatro dias apenas tomando \u00e1gua\u201d, confessa Marina.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">Com o \u00e1cido clor\u00eddrico presente no est\u00f4mago tem um poder altamente corrosivo, muitas vezes as pessoas que t\u00eam bulimia costumam desenvolver \u00falceras no est\u00f4mago, \u00falceras de contato, gastrite, refluxo e at\u00e9 mesmo eros\u00e3o dent\u00e1ria. Marina, por exemplo, teve que reconstruir seus dentes da frente tr\u00eas vezes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\">Hoje, Marina tem 21 anos, est\u00e1 no segundo ano da faculdade e tem um peso normal para uma mo\u00e7a do seu tamanho, 1,76 m, por\u00e9m no auge da sua doen\u00e7a em 2009, ela chegou a pesar apenas 51 quilos. \u201cEu estava depressiva demais, n\u00e3o queria ajuda de psic\u00f3logos e psiquiatras e tamb\u00e9m estava viciada em coca\u00edna, o que me fez emagrecer mais ainda. Nessa \u00e9poca acabei tentando me matar\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">Quando a rea\u00e7\u00e3o estava realmente muito extrema, com o incentivo do seu pai, Marina procurou ajuda psicol\u00f3gica disposta a levar a s\u00e9rio o tratamento. Ela se diz curada da bulimia, por\u00e9m quando fica nervosa demais, ainda tem algumas reca\u00eddas e acaba vomitando. \u201cAgora eu aprendi a aceitar e ver a minha beleza interior. Tento n\u00e3o pensar muito na minha apar\u00eancia, estou feliz assim\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">A anorexia da advogada Michelle de Mentzigen Gomes de 23 anos na \u00e9poca, deu seus primeiros sinais aos 15 anos, quando fazia regimes rigorosos e se privava de comer certos tipos de alimentos, por\u00e9m, foi aos 17 anos que a situa\u00e7\u00e3o realmente ficou dr\u00e1stica. Ela chegou a pesar 37 quilos e ficou \u00e0 beira de uma interna\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">\u201cEu n\u00e3o comia. Nunca fui de fazer exerc\u00edcios f\u00edsicos, nem nessa \u00e9poca, mas eu comia pouqu\u00edssimo, somente nas horas das refei\u00e7\u00f5es principais e tomava litros e mais litros de \u00e1gua, mesmo no inverno. Eu comecei a n\u00e3o gostar mais de fazer refei\u00e7\u00f5es em fam\u00edlia, a n\u00e3o comer mais certos tipos de comida, parecia que tinha vergonha de me expor\u201d. Para ela, uma das coisas mais complicadas foi admitir e aceitar que estava doente.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">Apesar de os familiares e amigos falarem que algo estava muito errado, a obsess\u00e3o pelo emagrecimento era a \u00fanica coisa que Michelle via. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma coisa f\u00e1cil de ser admitida porque n\u00f3s n\u00e3o nos enxergamos fisicamente como realmente somos\/estamos, n\u00f3s s\u00f3 enxergamos que precisamos emagrecer. Se voc\u00ea me perguntar at\u00e9 hoje eu me olho e penso nisso, te respondo que sim. Ent\u00e3o a gente, uma vez que admite que \u00e9 anor\u00e9xica, aprende a conviver com isso\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">O grande problema \u00e9 que, da anorexia, Michelle partiu \u00e0 compuls\u00e3o. Quando come\u00e7ou a recuperar peso, passou dos 37 aos 76 quilos, o que n\u00e3o era adequado para uma pessoa de 1,54m. &#8220;Na \u00e9poca, por mais que eu tenha sa\u00eddo da anorexia para compuls\u00e3o, sa\u00ed sozinha. Mas acho fundamental o acompanhamento psicol\u00f3gico, psiqui\u00e1trico e com todos os m\u00e9dicos que forem necess\u00e1rios para ajudar a n\u00e3o fazer o que eu fiz, que foi ir de oito para o oitenta. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">O psic\u00f3logo Schinemann explica que o tratamento psicol\u00f3gico varia muito de acordo com o ritmo de recupera\u00e7\u00e3o de cada paciente. \u201cO objetivo \u00e9 articular no projeto de vida do sujeito e na sua hist\u00f3ria particular algo que d\u00ea conta, ao mesmo tempo, de suprir suas demandas inconscientes e de evitar que haja preju\u00edzo para a sua vida e para a vida dos demais.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">A NOSSO CORPO N\u00c3O FOI FEITO PARA FUNCIONAR T\u00c3O PRECARIAMENTE QUANTO O CORPO DE UM ANOR\u00c9XICO.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">Michelle<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt\">Com a ajuda de um endocrinologista, Michelle conseguiu emagrecer e hoje mant\u00e9m seu peso entre os 55 e os 60 quilos. &#8220;Desde o momento que uma pessoa anor\u00e9xica percebe que est\u00e1 se acabando com isso e decide melhorar, o processo n\u00e3o termina nunca. Pelo menos para mim \u00e9 na base do &#8216;um dia de cada vez\u201d Ent\u00e3o, posso dizer que isso \u00e9 algo que vou levar comigo para o resto da vida e que n\u00e3o desejo para ningu\u00e9m&#8221;.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">Apesar de terem dist\u00farbios alimentares diferentes, Michelle e Marina tiveram alguns sintomas em comum. A amenorr\u00e9ia foi um deles. Quando estavam doentes, as duas mo\u00e7as ficaram longos per\u00edodos sem menstruar. Marina, por exemplo, menstruou apenas quatro vezes em um ano. Algumas mulheres que t\u00eam esses dist\u00farbios alimentares por muitos anos acabam at\u00e9 mesmo ficando est\u00e9reis. Ambas as doen\u00e7as est\u00e3o fortemente ligadas a quest\u00f5es sexuais.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">Geralmente as mo\u00e7as que possuem esses problemas t\u00eam traumas com o corpo e vergonha de se exporem sexualmente ou t\u00eam medo de perder o corpo de crian\u00e7a. Marina conta que a ideia de estar crescendo e se transformando em uma mulher a incomodava muito e ficar magra era uma forma de ter certo controle sobre a situa\u00e7\u00e3o. Michelle ainda n\u00e3o se sente feliz com o corpo e com a apar\u00eancia que tem, mas sabe muito bem que n\u00e3o deve se entregar novamente para a anorexia.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">&#8220;Nosso corpo n\u00e3o foi feito para funcionar t\u00e3o precariamente quanto o corpo de um anor\u00e9xico. Sei que \u00e9 muito sofrido, penoso e desgastante n\u00e3o s\u00f3 para quem tem a doen\u00e7a<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">mas tamb\u00e9m para quem convive com o doente. A nossa mente trabalha contra a nossa sa\u00fade e n\u00f3s temos que encontrar um meio de virar a mesa, ganhar esse jogo&#8221;.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt\">A quem quiser conhecer mais sobre os dramas que as pessoas que t\u00eam esses dist\u00farbios alimentares apresentam, indico O document\u00e1rio &#8220;Thin&#8221; (Magras), da HBO, que foi lan\u00e7ado em 2006. O filme conta a hist\u00f3ria e os esfor\u00e7os para recupera\u00e7\u00e3o de jovens internadas em uma cl\u00ednica de reabilita\u00e7\u00e3o para anor\u00e9xicos e bul\u00edmicos nos Estados Unidos. Apesar de os pa\u00edses serem diferentes, os dramas s\u00e3o os mesmos. O document\u00e1rio mostra a quest\u00e3o da aceita\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Enquanto algumas pacientes t\u00eam total conhecimento da situa\u00e7\u00e3o pela qual passam, outras n\u00e3o aceitam o tratamento e preferem continuar com a vida doentia que levam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Por: Anita Hoffman para jornal \u00c1gora &#8211; 2011 Edi\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o: Anelize Pina Marques &#8211; 2022<\/span><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou aos 11 anos de idade. Marina era uma menina \u201cfofinha\u201d durante a inf\u00e2ncia, mas nunca chegou perto da obesidade. Logo que seus pais se separaram, os v\u00f4mitos se tornaram frequentes. Era dif\u00edcil demais conter o nervosismo e a tristeza que aquela situa\u00e7\u00e3o lhe causava. 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