{"id":608,"date":"2020-10-21T19:23:58","date_gmt":"2020-10-21T22:23:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/?p=608"},"modified":"2022-10-21T19:41:07","modified_gmt":"2022-10-21T22:41:07","slug":"uma-luta-por-liberdade-que-dura-eras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2020\/10\/21\/uma-luta-por-liberdade-que-dura-eras\/","title":{"rendered":"Uma luta por liberdade que dura eras!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Vi.o.l\u00ean.ci.a (subs. Feminino; singular) &#8211; Do latim <em>Violentia<\/em>, Constrangimento f\u00edsico ou moral exercido sobre algu\u00e9m, que obriga essa pessoa a fazer o que lhe \u00e9 imposto: viol\u00eancia f\u00edsica, viol\u00eancia psicol\u00f3gica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u00a0Durante muito tempo vimos os livros de hist\u00f3ria contar como a mulher tem sido julgada por seu g\u00eanero, sendo tratada como um objeto. Em muitas hist\u00f3rias vemos que as mulheres s\u00e3o culpadas pela desgra\u00e7a humana, e vistas como inferiores aos homens.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u00a0Na Gr\u00e9cia antiga, as mulheres n\u00e3o tinham direito a educa\u00e7\u00e3o formal, n\u00e3o podiam sair sozinhas e eram confinadas em suas casas, enquanto os homens ostentavam de seus direitos, incluindo a poligamia. Em Roma, as mulheres eram exclu\u00eddas da pol\u00edtica, do conv\u00edvio social e educacional, vistas no mesmo patamar que as crian\u00e7as e os escravos, tendo como sua \u00fanica fun\u00e7\u00e3o ser a procriadora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">No Cristianismo vemos a\u00e7\u00f5es parecidas, j\u00e1 que eles acreditavam que a mulher era a culpada pelo banimento dos homens do para\u00edso. E assim, para obter sua salva\u00e7\u00e3o, deveriam seguir uma trindade de obedi\u00eancia, submiss\u00e3o e passividade aos homens, que eram vistos como seres de grande ilumina\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2017\/03\/20\/a-violencia-contra-mulher-e-algumas-possiveis-solucoes\/\"><strong><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">A viol\u00eancia de g\u00eanero\u00a0<\/span><\/strong><\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">A professora e Doutoranda em Hist\u00f3ria da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), <strong>Gilvana Gomes <\/strong>explica que no Brasil, a viol\u00eancia contra a mulher pode ser vista como resultado da hist\u00f3ria marcada pelo patriarcado, mas conta que tamb\u00e9m existe uma cultura de desvaloriza\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o do feminino e uma naturaliza\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias \u201cnormais\u201d femininas e masculinas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u201cN\u00f3s mulheres acabamos por sermos fixadas neste lugar de submiss\u00e3o, ao suposto poder, suposto saber masculino, ainda vivemos essa estrutura independente de qual ordem \u00e9 a viol\u00eancia, a agress\u00e3o, seja ela a psicol\u00f3gica ou moral. Inclusive decorrendo da\u00ed, as fixa\u00e7\u00f5es traum\u00e1ticas, estresses p\u00f3s-traum\u00e1ticos, as ansiedades, as fobias, as depress\u00f5es. Al\u00e9m disso, tem as quest\u00f5es de vulnerabilidade, periculosidade para aqueles que sofrem agress\u00e3o, que podem chegar at\u00e9 a \u00f3bito\u201d, explica a Educadora, Psicoterapeuta Cl\u00ednica e Psic\u00f3loga Institucional Ana Bela dos Santos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u201cNa psican\u00e1lise, inclusive, a gente diz que muitas dessas mulheres acabam por desenvolver a depress\u00e3o, a depress\u00e3o maior, a melancolia porque existe o que a gente ent\u00e3o denomina de empobrecimento egoico ou empobrecimento do ego\u201d. A psicoterapeuta ainda explica que muitas mulheres passam a acreditar que s\u00e3o inferiores aos maridos, j\u00e1 que a agress\u00e3o f\u00edsica sempre vem acompanhada da viol\u00eancia psicol\u00f3gica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Ela termina: \u201cEssa fragilidade fala da estrutura cl\u00ednica da mulher e, porque a gente fala do empobrecimento eg\u00f3ico, porque essa mulher se sente muito inferior, submissa, menor do que ela \u00e9 em virtude do discurso masculino.\u201d E se pensarmos bem \u00e9 um discurso antigo na sociedade, e que passa de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\"><strong><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Leis contra a viol\u00eancia da mulher<\/span><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">H\u00e1 14 anos, o <strong>Brasil <\/strong>constituiu sua primeira lei em prote\u00e7\u00e3o \u00e0 <strong>viol\u00eancia contra a mulher<\/strong>. Maria da Penha foi uma farmac\u00eautica, que ap\u00f3s sofrer duas tentativas de assassinato pelo marido, uma deles a deixando parapl\u00e9gica, ela o denunciou, ele n\u00e3o foi acusado e seu caso permaneceu aberto por alguns anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u00a0Ela ent\u00e3o recorreu ao Centro de Justi\u00e7a pelo Direito Internacional (CEJIL) e o Comit\u00ea Latino &#8211; Americano de Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM) e formalizou a den\u00fancia para a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da OEA, ocasi\u00e3o em que o pa\u00eds foi condenado por n\u00e3o haver leis para prote\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u00a0Em 7 de agosto de 2006, o ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, sancionou a <strong>Lei n.\u00ba 11.340 Maria da Penha<\/strong>. \u201cA lei maria da penha veio para complementar o artigo 129 do c\u00f3digo penal que apenas trazia um resumo geral sobre les\u00f5es corporais sem distin\u00e7\u00e3o nenhuma. Foi necess\u00e1rio ent\u00e3o criar um par\u00e1grafo que narrasse situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica dentro do \u00e2mbito familiar, assim no artigo 7 da lei, ele denomina as situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de agress\u00e3o que n\u00e3o tem no c\u00f3digo penal como viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, moral, sexual e patrimonial. \u00c9 importante destacar, que ela pode ser aplicada a qualquer pessoa que se identifique com o g\u00eanero feminino, como as transexuais e transg\u00eaneros\u201d, explica a advogada Sabrina Ramos Cola\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\"><strong><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Realidade local<\/span><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u00a0Em Guarapuava, um novo protocolo foi feito para melhor atendimento a mulheres que passaram por situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, publicado pela Secretaria Municipal de Pol\u00edticas para as Mulheres (SPM). O CRAM tem recebido in\u00fameros relat\u00f3rios com as ocorr\u00eancias de viol\u00eancia contra as mulheres, registradas na Pol\u00edcia Militar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Durante esse per\u00edodo de 2020 em\u00a0 isolamento social, houve um aumento de 25% dos casos de viol\u00eancia contra mulheres, comparado ao ano passado. E foram dadas 134 medidas protetivas, um aumento de 35%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">H\u00e1 muito tempo, a sociedade vem diminuindo e desvalorizando a mulher, gerando um ciclo de viol\u00eancia que a cada ano se agrava. Com a pandemia, todos se viram em um estado de confinamento constante, cen\u00e1rio\u00a0 prop\u00edcio para agressores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Toda e qualquer viol\u00eancia deixa marcas em suas v\u00edtimas, falta voz para gritar por ajuda e ficam em sil\u00eancio esperando por alguma ajuda, mas nem sempre s\u00e3o vistas. Em briga de marido e mulher, se mete a colher, sim! Denuncie. E se voc\u00ea \u00e9 mulher e est\u00e1 sendo intimidada, n\u00e3o se cale.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\"><strong><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\"> Texto por: Val\u00e9ria Almeida (2020)<\/span><\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: left\"><strong><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Editado: Val\u00e9ria Almeida (2022)<\/span><\/strong><\/h3>\n<h4 style=\"text-align: left\"><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\"><strong><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Onde procurar ajuda?<\/span><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Secretaria da Mulher\u00a0 e CRAM, localizado na rua Av. Pref. Moacir J\u00falio Silvestre, 1545 (Centro), ou pelo telefone (42) 98405-6206. Em caso de emerg\u00eancias, tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis os n\u00fameros 190, da Pol\u00edcia Militar, e 193, da Delegacia da Mulher. A liga\u00e7\u00e3o \u00e9 gratuita.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vi.o.l\u00ean.ci.a (subs. Feminino; singular) &#8211; Do latim Violentia, Constrangimento f\u00edsico ou moral exercido sobre algu\u00e9m, que obriga essa pessoa a fazer o que lhe \u00e9 imposto: viol\u00eancia f\u00edsica, viol\u00eancia psicol\u00f3gica. \u00a0Durante muito tempo vimos os livros de hist\u00f3ria contar como a mulher tem sido julgada por seu g\u00eanero, sendo tratada como um objeto. 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