{"id":1546,"date":"2024-06-01T20:26:00","date_gmt":"2024-06-01T23:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/?p=1546"},"modified":"2024-06-02T20:28:42","modified_gmt":"2024-06-02T23:28:42","slug":"obstaculos-invisiveis-refletem-a-falta-de-mobilidade-urbana-em-guarapuava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2024\/06\/01\/obstaculos-invisiveis-refletem-a-falta-de-mobilidade-urbana-em-guarapuava\/","title":{"rendered":"Obst\u00e1culos invis\u00edveis refletem a falta de mobilidade urbana em Guarapuava"},"content":{"rendered":"<p><em>Fotoreportagem por Giovana H\u00f6ssel<\/em><\/p>\n<p>Com mais de 500 mil pessoas cegas e aproximadamente 6 milh\u00f5es com baixa vis\u00e3o no Brasil (IBGE), a falta de acessibilidade nas cidades \u00e9 uma realidade que afeta um grande contingente da popula\u00e7\u00e3o. Em Guarapuava, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. Cal\u00e7adas esburacadas, falta de piso t\u00e1til, lixeiras nos port\u00f5es e postes no meio da cal\u00e7ada s\u00e3o alguns dos exemplos que demonstram o quanto existem obst\u00e1culos para as pessoas cegas conseguirem efetividade na mobilidade urbana.<\/p>\n<p>Dessa maneira, a comunidade cega, al\u00e9m da luta di\u00e1ria para superar barreiras sociais, tamb\u00e9m precisa encarar as dificuldades relacionadas \u00e0 mobilidade urbana.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m da falta de piso t\u00e1til, presente em poucas ruas, tamb\u00e9m temos cal\u00e7adas irregulares e lixo deixado pelas pessoas. As sacolas enroscam em nossa bengala e prejudicam nossa locomo\u00e7\u00e3o&#8221;. Al\u00e9m da falta de sinaliza\u00e7\u00e3o e piso t\u00e1til, sacos de lixo e postes bloqueiam as cal\u00e7adas do centro da cidade<\/p>\n<p>O treinamento que Renilson faz, \u00e9 parte de uma a\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (APADEVI). A associa\u00e7\u00e3o emerge como uma luz de esperan\u00e7a para a comunidade com defici\u00eancia na cidade.<\/p>\n<p>&#8220;Oferecemos treinamentos que abrangem desde a autonomia nos deslocamentos pela cidade at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de tarefas simples do dia a dia, como o pagamento de contas e compras&#8221; destaca a presidente da institui\u00e7\u00e3o. Ter a possibilidade de pagar suas contas sem precisar de ningu\u00e9m \u00e9 a meta de Renilson. Contudo, novamente, os desafios para isso s\u00e3o in\u00fameros.<\/p>\n<p>Incapaz de enxergar as cores do sem\u00e1foro, ele depende de sua audi\u00e7\u00e3o para chegar ao outro lado da rua e, sem os sinais sonorizados, corre diariamente o risco de um atropelamento. &#8216;N\u00e3o sabemos quando o sinal abriu ou fechou para n\u00f3s, ent\u00e3o \u00e9 complicado&#8221;.<\/p>\n<p>A falta de sinais sonorizados nos sem\u00e1foros \u00e9 apenas um dos desafios na travessia. Em alguns cruzamentos, o tempo dispon\u00edvel para os pedestres \u00e9 de apenas 10 segundos, e at\u00e9 a pessoa cega perceber que pode atravessar, muitas vezes, o sinal j\u00e1 fechou novamente. Onde n\u00e3o h\u00e1 sem\u00e1foros, as pessoas cegas tamb\u00e9m t\u00eam que enfrentar os desafios de carros em altas velocidades e a falta de travessias elevadas.<\/p>\n<p>A presidente da APADEVI, Evanize Andrade, enfatiza que a organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 constantemente em busca de maneiras de melhorar a acessibilidade na cidade. No entanto, lamentavelmente, muitas pessoas demonstram falta de empatia e frequentemente desrespeitam os direitos das pessoas com defici\u00eancia visual.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o de depender dos outros \u00e9 complicado porque as pessoas n\u00e3o ajudam e quando tentam ajudar n\u00e3o sabem como conduzir a pessoa cega, muitas vezes puxam pela roupa ou pelo bra\u00e7o&#8221;<\/p>\n<h2>\n<strong>Cal\u00e7adas estreitas e com obst\u00e1culos dificultam a passagem de pedestres<\/strong><\/h2>\n<p>Estefany come\u00e7ou o treinamento mais recentemente. Para ela, a falta de travessias elevadas tamb\u00e9m prejudicam sua mobilidade. A estudante n\u00e3o se sente segura para caminhar desacompanhada pela cidade. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil atravessar as ruas porque n\u00e3o temos a certeza que os carros v\u00e3o parar&#8221; Al\u00e9m da falta de acessibilidade ela ainda precisa lidar com a falta de empatia da maioria das pessoas que n\u00e3o oferecem ajuda e ainda a desrespeitam.<\/p>\n<p>A prova de que a mobilidade urbana de Guarapuava \u00e9 desafiadora para as pessoas cegas \u00e9 que Estefany, enquanto treinava, bateu com a cabe\u00e7a em um poste e logo depois j\u00e1 encontrou um buraco na cal\u00e7ada. Se n\u00e3o estivesse com a bengala ou n\u00e3o sentisse o desn\u00edvel, a jovem poderia ter ca\u00eddo no meio da rua.<\/p>\n<p>Os acidentes s\u00e3o recorrentes, como conta Vinicius Bacil, aluno da Apadevi. &#8220;Teve uma vez que eu j\u00e1 cai durante um treinamento por causa de um desn\u00edvel na cal\u00e7ada&#8221; , relembra.<\/p>\n<h3>\nMelhorias previstas?<\/h3>\n<p>Evanize destaca que algumas a\u00e7\u00f5es para melhoria da mobilidade j\u00e1 foram iniciadas. Recentemente, em parceria com o Procon, foi firmado o objetivo de cumprimento dos direitos estabelecidos pela Lei Municipal n\u00ba 2.042\/2012 e pela Lei Estadual n\u00ba 18.419\/2015. Essas leis exigem que as empresas no ramo aliment\u00edcio disponibilizem, no m\u00ednimo, um exemplar de card\u00e1pio completo em sistema de leitura em Braille, garantindo, assim, a acessibilidade para pessoas com defici\u00eancia visual.<\/p>\n<p>&#8221; Com essa parceria, esperamos que agora os estabelecimentos fiquem mais acess\u00edveis, nossos alunos tamb\u00e9m t\u00eam o direito de saber o que tem pra comer nos lugares&#8221; Apesar de ser uma exig\u00eancia legal, at\u00e9 este ano, apenas poucos estabelecimentos haviam cumprido essa obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme orienta\u00e7\u00e3o do Procon, em abril deste ano, os estabelecimentos foram informados sobre a obrigatoriedade dos card\u00e1pios adaptados, tendo um prazo de at\u00e9 30 dias para iniciar a adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas. &#8220;Em abril foi feito uma inspe\u00e7\u00e3o do Procon buscando o cumprimento desta lei n\u00e9 e o prazo eram 30 dias, mas at\u00e9 agora os card\u00e1pios n\u00e3o ficaram prontos&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Emancipa\u00e7\u00e3o e liberdade<\/h3>\n<p>&#8221; A gente s\u00f3 quer o m\u00ednimo de acessibilidade e o respeito das pessoas, poder frequentar mais lugares na cidade&#8221; o depoimento de Vin\u00edcius afirma que as pessoas com defici\u00eancia s\u00f3 desejam o m\u00ednimo de acessibilidade ao qual \u00e9 seu direito.<\/p>\n<p>Os esfor\u00e7os da APADEVI para garantir essa inclus\u00e3o s\u00e3o not\u00e1veis. No entanto, a jornada para uma Guarapuava verdadeiramente inclusiva est\u00e1 longe de terminar. \u00c9 essencial que toda a comunidade se una, mostrando empatia e respeito, para criar um ambiente onde as pessoas com defici\u00eancia visual possam se locomover com seguran\u00e7a e independ\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fotoreportagem por Giovana H\u00f6ssel Com mais de 500 mil pessoas cegas e aproximadamente 6 milh\u00f5es com baixa vis\u00e3o no Brasil (IBGE), a falta de acessibilidade nas cidades \u00e9 uma realidade que afeta um grande contingente da popula\u00e7\u00e3o. Em Guarapuava, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. 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