{"id":1543,"date":"2024-06-01T20:18:34","date_gmt":"2024-06-01T23:18:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/?p=1543"},"modified":"2024-06-02T20:24:40","modified_gmt":"2024-06-02T23:24:40","slug":"artistas-independentes-a-vida-no-liquidificador-de-guarapuava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2024\/06\/01\/artistas-independentes-a-vida-no-liquidificador-de-guarapuava\/","title":{"rendered":"Artistas independentes: a vida no \u2018Liquidificador\u2019 de Guarapuava"},"content":{"rendered":"<p><em>por Ana Clara de S\u00e1 Gaspar<\/em><\/p>\n<p>Segundo a lei brasileira, artista \u00e9 \u201co profissional que cria, interpreta ou executa obra de car\u00e1ter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibi\u00e7\u00e3o ou divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica, atrav\u00e9s de meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa ou em locais onde se realizam espet\u00e1culos de divers\u00e3o p\u00fablica\u201d. Por\u00e9m, pode-se considerar um artista muito al\u00e9m desta defini\u00e7\u00e3o. \u00c9 aquele que, atrav\u00e9s da sua vis\u00e3o de mundo, desenvolve o intelecto, educa\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o social, opini\u00e3o e entretenimento ao seu p\u00fablico com seu trabalho.<\/p>\n<p>Apesar de admirado, as chances de grande visibilidade do trabalho de um artista s\u00e3o pequenas, especialmente aqueles que s\u00e3o independentes e n\u00e3o t\u00eam o apoio e investimento de terceiros. Ainda assim, pessoas pretendem seguir essa voca\u00e7\u00e3o na cidade de Guarapuava, em diferentes vertentes da Arte. Mas o quanto esses artistas s\u00e3o valorizados pelo seu trabalho? Como a cidade recebe suas artes?<\/p>\n<p>Todas as hist\u00f3rias que ser\u00e3o apresentadas a seguir, obtidas pelo evento \u201cArte no Liquidificador\u201d, t\u00eam um ponto em comum: a cren\u00e7a de que Guarapuava apresenta cada vez mais espa\u00e7os e p\u00fablicos para a Arte e seus criadores.<\/p>\n<p>Ana Paula Alves, Ana Caroline Marcondes e Guilherme Lirma trabalham artisticamente em customiza\u00e7\u00f5es de pe\u00e7as de roupas e acess\u00f3rios, e come\u00e7aram a investir de maneira mais profissional h\u00e1 dois meses. Por enquanto, seu intuito principal \u00e9 mostrar sua<br \/>\narte, mas veem uma futura possibilidade de criar uma loja.<\/p>\n<p>J\u00falia Skavronski \u00e9 de Prudent\u00f3polis e exp\u00f4s seu trabalho pela primeira vez no evento Arte no Liquidificador. Sempre foi muito atra\u00edda pela visualidade, e considera a produ\u00e7\u00e3o de arte um caminho que encontrou em sua vida. Acredita que seu p\u00fablico \u00e9 um pouco limitado, mas tem o objetivo de trabalhar exclusivamente com isso, mesmo n\u00e3o sendo poss\u00edvel no momento.<\/p>\n<p>Marileia Cardoso tem 36 anos e produz croch\u00eas desde os 12. No come\u00e7o, fazia sua arte para si mesma, mas por conta do interesse de muitas pessoas, resolveu empreender neste trabalho. Ganha certa remunera\u00e7\u00e3o com suas pe\u00e7as em croch\u00ea, e acredita que o p\u00fablico de Guarapuava, sua cidade natal, consome bastante sua arte hoje em dia.<\/p>\n<p>Eric Juan Ferreira come\u00e7ou a dedicar-se profissionalmente \u00e0s suas ilustra\u00e7\u00f5es durante os \u00faltimos quatro anos, mas \u00e9 aquele cl\u00e1ssico de artista: \u201cdesenho desde sempre\u201d. \u00c9 formado e trabalha na \u00e1rea de Administra\u00e7\u00e3o, por isso, normalmente desenha em seu tempo livre e, apesar de obter certa renda, por enquanto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sustentar-se com sua arte. Eric \u00e9 de Guarapuava e acredita que a cidade est\u00e1 cada vez mais receptiva aos artistas, por isso deseja participar de mais eventos do tipo: \u201ceu tenho que fazer parte, se eu quero que isso seja melhor, eu preciso estar participando\u201d.<\/p>\n<p>Emily Rabel produz sua arte h\u00e1 muito tempo, e come\u00e7ou a vender h\u00e1 aproximadamente 6 anos, aperfei\u00e7oando sua t\u00e9cnica e participando de feiras de arte. Suas ilustra\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito baseadas em cultura pop, como filmes e s\u00e9ries, mas tamb\u00e9m faz retratos<br \/>\nsob encomenda. Confessou que talvez queira trabalhar exclusivamente com arte \u201cquando der dinheiro de verdade\u201d.<\/p>\n<p>Jonathan Delgado, sob o nome art\u00edstico de Jonathan Bemol, desenha desde crian\u00e7a, e iniciou de maneira profissional e remunerada entre os anos de 2017 e 2018. Formado em Publicidade e Propaganda pela Unicentro, acredita que a universidade foi um grande apoio para o in\u00edcio de sua carreira art\u00edstica, atrav\u00e9s de feiras de arte e rede de contatos.<\/p>\n<p>O guarapuavano atualmente mora em Curitiba, e afirma que em Guarapuava sente-se mais acolhido por sua arte: \u201ca galera sempre gosta de comprar muito e consomem muito o trabalho\u201d. J\u00e1 em Curitiba, por ser uma cidade maior, n\u00e3o sentiu isso na mesma intensidade.<\/p>\n<p>Quanto ao seu p\u00fablico, afirma: \u201ctem uma galera que sei que vai curtir e comprar as artes: galera que curte m\u00fasica brasileira, galera que \u00e9 um pouco mais dos cursos de arte, m\u00fasicos&#8230; Nunca produzo pensando nisso, produzo pensando em expressar o que eu sinto mesmo, mas [o perfil das] pessoas que compram \u00e9 sempre meio certo\u201d.<\/p>\n<p>Muito inspirado pelo irm\u00e3o que tamb\u00e9m desenha, Gabriel Paschoal acabou se encontrando na arte. Produz desde 2019, quando tinha cerca de seus 16 anos de idade. Acredita que suas artes s\u00e3o melhores recebidas de maneira digital, enquanto de maneira f\u00edsica n\u00e3o h\u00e1 tantos espa\u00e7os p\u00fablicos para seu trabalho.<\/p>\n<p>\u201cTenho a ci\u00eancia de que \u00e9 muito dif\u00edcil viver disso, por mais que eu queira. Eu sinto a necessidade de ter a express\u00e3o, e [a arte] \u00e9 um bom motivo.\u201d<\/p>\n<p>Joana Moreira declara que cria todo tipo de arte e que gosta de se expressar. Produz desenhos e pinturas desde os sete anos, e come\u00e7ou a produzir bordados h\u00e1 cerca de dois anos. A guarapuavana acredita ter um p\u00fablico mais jovem, e o que a motiva a continuar sua arte \u00e9 o apoio, saber que tem gente que gosta\u201d.<\/p>\n<p>Faz pouco tempo que Isaac Sacks exp\u00f5e seu trabalho, mas j\u00e1 sente certo acolhimento<br \/>\ndo p\u00fablico. Desenha desde crian\u00e7a, mas investiu de maneira mais profissional aos 14 anos, e<br \/>\ndeseja ter a arte como seu trabalho e se manter somente com isso.<\/p>\n<p>\u201cO p\u00fablico que eu tenho s\u00e3o pessoas que t\u00eam o mesmo gosto que eu, e tem as mesmas coisas em comum, ent\u00e3o sinto que \u00e9 por isso que sou acolhido nesses espa\u00e7os.\u201d<\/p>\n<p>O grupo Sagaz e Frugal \u00e9 composto pelo vocalista e violonista Gabriel Panisson, pela cajonera Yasmmin Costa e pelo baixista Jo\u00e3o Felipe Horchak. Gabriel \u00e9 amigo de Jo\u00e3o h\u00e1 mais de 10 anos e namorado de Yasmmin h\u00e1 um ano. Criaram o grupo musical para o evento, mas esperam que dure para a vida toda.<\/p>\n<p>Gabriel e Jo\u00e3o s\u00e3o de Guarapuava, enquanto Yasmmin \u00e9 de Uberl\u00e2ndia, e ficaram muito felizes com a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico do evento. Jo\u00e3o assumiu ser muito grato principalmente pelas pessoas da regi\u00e3o do bairro Santa Cruz: \u201c\u00c9 uma galera muito envolvida com arte e cultura, e \u2018os cara\u2019 est\u00e3o sempre fazendo, prestigiando e somando, e \u00e9 o p\u00fablico que t\u00e1 aqui hoje e \u00e9 o que faz a cena rolar\u201d.Eles tocaram no evento gratuitamente, mas acreditam n\u00e3o ser poss\u00edvel viver somente de sua arte, pois os investimentos financeiros em instrumentos s\u00e3o muito caros.<\/p>\n<p>Mariana Santos come\u00e7ou a produzir suas pr\u00f3prias pe\u00e7as de roupas e acess\u00f3rios quando fez uma bolsa para si mesma e, ao publicar em suas redes sociais, os internautas se interessaram e a questionaram se ela vendia. A partir disso, come\u00e7ou a estudar moda para continuar com este trabalho. Alega que seu p\u00fablico se interessa principalmente pelas pe\u00e7as mais divertidas e diferentes.<\/p>\n<p>Como dica para algu\u00e9m que quer investir na arte, Mariana afirma que \u201cvoc\u00ea tem que come\u00e7ar do jeito que voc\u00ea pode, que com o tempo voc\u00ea vai conseguindo, voc\u00ea vai melhorando, e voc\u00ea vai ver que vai dar certo\u201d.<\/p>\n<p>Thalita Andrade se dedicou \u00e0s ilustra\u00e7\u00f5es em 2015, quando crian\u00e7a, e, apesar de dar certas \u201cparadas\u201d, sempre voltava \u00e0 arte. Ela \u00e9 de Irati e acredita que em Guarapuava seu trabalho \u00e9 mais valorizado do que em sua cidade natal. Sua principal motiva\u00e7\u00e3o na \u00e1rea \u00e9 sua irm\u00e3, tamb\u00e9m artista, que a incentiva a ter ideias e participar de eventos: \u201cela me ajudou muito a desenvolver esse meu lado art\u00edstico, ent\u00e3o foi muito importante pra mim\u201d. N\u00e3o pretende seguir a \u00e1rea art\u00edstica como trabalho principal, pois deseja trabalhar na \u00e1rea de Farm\u00e1cia, mas acredita que levar\u00e1 sua arte para a vida toda.<\/p>\n<p>A vida art\u00edstica independente pode gerar muitos desafios, mas eles n\u00e3o s\u00e3o motivo para impedir artistas de realizar aquilo que mais amam: conquistar as emo\u00e7\u00f5es das pessoas com seus talentos.<\/p>\n<p>E tudo isso \u00e9 ainda mais grandioso quando os locais em que convivem est\u00e3o dispostos a proporcionar esses momentos de divers\u00e3o e sentimentos art\u00edsticos. Felizmente, do ponto de vista de diversos criadores, Guarapuava est\u00e1 cada vez mais apta a gerar espa\u00e7os e visibilidade para uma arte verdadeiramente liquidificada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Ana Clara de S\u00e1 Gaspar Segundo a lei brasileira, artista \u00e9 \u201co profissional que cria, interpreta ou executa obra de car\u00e1ter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibi\u00e7\u00e3o ou divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica, atrav\u00e9s de meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa ou em locais onde se realizam espet\u00e1culos de divers\u00e3o p\u00fablica\u201d. Por\u00e9m, pode-se considerar um artista [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":560,"featured_media":1544,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1543","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/560"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1543"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1543\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1545,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1543\/revisions\/1545"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}