{"id":1225,"date":"2023-03-24T20:10:48","date_gmt":"2023-03-24T23:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/?p=1225"},"modified":"2023-04-25T10:03:15","modified_gmt":"2023-04-25T13:03:15","slug":"feminicidio-ja-e-uma-epidemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2023\/03\/24\/feminicidio-ja-e-uma-epidemia\/","title":{"rendered":"Feminic\u00eddio j\u00e1 \u00e9 uma epidemia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt\">Tatiane, Andrielly, Renata, Larissa, Adilma, Viviane, Daniela, Ana, Jessica, Lorrayne, Mara, Maria, Priscila, Silvana, Tamires, Vanessa, Camila, Edilaine, Danielle, Fernanda, Karina, Helen, Gisele, Luiza, Nat\u00e1lia, Neide Renata, Susana e outras 270 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio no ano de 2018. No primeiro trimestre de 2019, segundo levantamento pessoal feito pelo Doutor em Direito Internacional, Jefferson Nascimento, foram mais de 344 casos, 207 consumados e 137 tentativas de feminic\u00eddio. Mais de cinco casos por dia, nos primeiros tr\u00eas meses do ano. Nem todos os casos s\u00e3o Reportados para pol\u00edcia e quando a a\u00e7\u00e3o \u00e9 feita muitas vezes \u00e9 tarde, logo mais uma mulher \u00e9 morta nas cidades brasileiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">A cultura machista est\u00e1 diretamente ligada a viol\u00eancia contra mulheres, segundo Sistema de Indicadores de Percep\u00e7\u00e3o Social (SIPS) do IPEA, numa pesquisa feita em 2013, quase 64% dos entrevistados acreditam que o homem deve ser a cabe\u00e7a do lar, 89% concordam que roupa suja deve ser lavada em casa e 82% acredito que em briga de marido e mulher \u201cn\u00e3o se mete a colher\u201c. Nessa mesma pesquisa 06 em cada 10 concordam totalmente ou parcialmente que mulheres agredidas que continuo com o marido \u00e9 porque gostam de apanhar. Os dados apontam para uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o \u00e0 resist\u00eancia de muitas mulheres a levar adiante o relacionamento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">Por muito tempo mulheres sentiram medo de denunciar viol\u00eancias f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas, patrimoniais, sexuais e simb\u00f3licas, isso \u00e9 retrato hist\u00f3rico de nossas bisav\u00f3s, av\u00f3s e m\u00e3es que n\u00e3o sabiam sequer que estavam sofrendo algum dos 5 tipos de viol\u00eancia. A hipersexualiza\u00e7\u00e3o da mulher na m\u00eddia, corresponde a viol\u00eancias por eles sofridas. As gera\u00e7\u00f5es anteriores, tamb\u00e9m, entraram em contato com a viol\u00eancia, por conseguinte sem nenhum respaldo por parte da justi\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">\u00c0 exemplo, mulheres livres que desafiavam o patriarcado eram tidas como bruxas na idade m\u00e9dia sendo queimadas por seus crimes. Mulheres eram marginalizados quando se divorciavam, por serem consideradas pela sociedade patriarcal indignas de ter um marido perante deus. A sociedade machista estruturada a milhares de anos consentiu com a viol\u00eancia contra mulher durante muito tempo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">A partir do s\u00e9culo XIX in\u00edcio do s\u00e9culo XX, com a primeira onda do feminismo, mulheres lutaram por seus direitos de votar, estudar e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A segunda onda que surgiu entre os anos 60 e 90 reivindicavam o direito de escolha para o pr\u00f3prio corpo, lutando por liberdade sexual, maternidade e direitos de reprodu\u00e7\u00e3o. O final dos anos 90 \u00e9 marcada pela terceira onda, a luta pela liberdade total das mulheres, o destaque dos v\u00e1rios tipos de viol\u00eancia, a coletividade e os debates, marcando pontos importantes para hist\u00f3ria das mulheres, como a sonoridade e o reconhecimento do machismo com algo estrutural podendo ser desse constru\u00eddo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">H\u00e1 mais de cem anos,\u00a0 mulheres lutam pelos direitos umas das outras. No Brasil, a primeira lei de combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica, Lei n\u00famero 11.340\/2006 (Maria da Penha) foi criada em 7 de agosto de 2006, e, em 9 de mar\u00e7o de 2015 a Lei n\u00famero 13. 104\/2015 (feminic\u00eddio) foi sancionada, a qual considerada como circunst\u00e2ncia de crime de homic\u00eddio. O crescimento de denuncias vem acontecendo gradualmente, segundo a C\u00e2mara dos Deputados de 75 mil em 2011 subiu para 211.000 mil em 2017 as notifica\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">A viol\u00eancia contra mulheres constitui-se em uma das principais formas de viol\u00eancia dos seus direitos humanos, atingindo assim seus direitos \u00e0 vida, a sa\u00fade e a \u00edntegra integridade f\u00edsica. Resultado da estrutura da desigualdade de g\u00eanero definido de diversas formas, a viol\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 somente a f\u00edsica, mas a sexual, psicol\u00f3gica, patrimonial e simb\u00f3lica. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">Enquanto quase metade dos homic\u00eddios masculino ocorre na rua, os dados do mapa da viol\u00eancia 2015 destaca a casa como um local de alto risco as mulheres com quase 30% dos casos. N\u00e3o \u00e9 apenas no \u00e2mbito dom\u00e9stico que as mulheres s\u00e3o expostas a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. Estas podem atingi-las em diferentes espa\u00e7os como a viol\u00eancia institucional, que se d\u00e1 quando um servidor do estado \u00e0 pr\u00e1tica, podendo ser caracterizada desde a omiss\u00e3o no atendimento at\u00e9 casos que envolve maus-tratos e preconceitos. Esse tipo de viol\u00eancia tamb\u00e9m pode revelar outras pr\u00e1ticas que atentam contra os direitos das mulheres, como a discrimina\u00e7\u00e3o racial. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">A preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra mulher \u00e9 necess\u00e1ria para que ela n\u00e3o ocorra. Mas quando ela ocorre, o seu servi\u00e7os essenciais devem atender as necessidades das mulheres e meninas e a justi\u00e7a deve ser implac\u00e1vel na defesa de seus direitos. Muitas mulheres n\u00e3o consegue perceber quando est\u00e3o em um relacionamento abusivo por isso a sororidade entre mulheres \u00e9 fundamental, para isso coletivos feministas ajudam mulheres que sofrem qualquer tipo de viol\u00eancia e na conscientiza\u00e7\u00e3o do que se configura viol\u00eancia. A Secretaria da mulher, tamb\u00e9m, da aux\u00edlios necess\u00e1rios a v\u00edtima. Se voc\u00ea se sentir violada denuncie, ligue 180.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">texto:<em> Ana Laura Becker, Milena Cruz e Rayssa Braga (voz ativa edi\u00e7\u00e3o 2019)<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">edi\u00e7\u00e3o: <em>Gabriela Becker 2023<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tatiane, Andrielly, Renata, Larissa, Adilma, Viviane, Daniela, Ana, Jessica, Lorrayne, Mara, Maria, Priscila, Silvana, Tamires, Vanessa, Camila, Edilaine, Danielle, Fernanda, Karina, Helen, Gisele, Luiza, Nat\u00e1lia, Neide Renata, Susana e outras 270 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio no ano de 2018. 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