{"id":1101,"date":"2023-02-16T15:43:42","date_gmt":"2023-02-16T18:43:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/?p=1101"},"modified":"2023-03-16T16:43:08","modified_gmt":"2023-03-16T19:43:08","slug":"mais-que-uma-propriedade-a-historia-de-faxinal-do-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2023\/02\/16\/mais-que-uma-propriedade-a-historia-de-faxinal-do-ceu\/","title":{"rendered":"Mais que uma propriedade: A hist\u00f3ria de Faxinal do C\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">O faxinal \u00e9 uma forma de organiza\u00e7\u00e3o tradicional presente no interior do Paran\u00e1. O sistema faxinalense \u00e9 caracterizado pelo uso comum das terras, sem a presen\u00e7a de cercas, para o plantio de subsist\u00eancia exclusivo de uma fam\u00edlia, junto a cria\u00e7\u00e3o de seus animais. Os faxinalenses, por possu\u00edrem um estilo de vida mais tradicional no qual retiram da natureza apenas o necess\u00e1rio para sua sobreviv\u00eancia, prezando pela manuten\u00e7\u00e3o do ambiente t\u00eam perdido sua identidade em meio \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura e a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao seu povo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Um dos problemas que assolou os moradores foram os conflitos gerados pela apropria\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios por parte de empresas como as Ind\u00fastrias Zattar. Madeireira cujos interesses n\u00e3o passaram de explorar o espa\u00e7o o m\u00e1ximo poss\u00edvel. Sem se preocupar em preservar o ambiente. \u201cAo longo dos anos acabamos nos inteirando das injusti\u00e7as causadas pelas Ind\u00fastrias Zattar, a desvaloriza\u00e7\u00e3o das terras; a compra de grandes lotes a pre\u00e7o muito baixo, e medo que era imposto aos donos das terras para que vendessem ou sa\u00edssem sem receber o devido valor. \u201c relata ex-moradora do distrito, Darlene da Rosa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Al\u00e9m dessas frentes de conflitos, os pesquisadores Cristhine Ramos e Clayton da Silva discutem em sua pesquisa intitulada <em>Conflitos da Din\u00e2mica S\u00f3cio-Espacial: A (Trans)Forma\u00e7\u00e3o dos Faxinais do Munic\u00edpio do Pinh\u00e3o-PR<\/em>, de que maneira muitos faxinais foram desorganizados por conta do processo de moderniza\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. Um exemplo disso \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas, que por meio da amplia\u00e7\u00e3o capitalista, o modo de vida e a organiza\u00e7\u00e3o dos faxinalenses foi completamente abalada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">O Faxinal do C\u00e9u \u00e9 um distrito do munic\u00edpio do Pinh\u00e3o \u2013 PR que fica \u00e0 dist\u00e2ncia de 70 quil\u00f4metros de Guarapuava. Uma esp\u00e9cie de recanto \u00e0s margens do Igua\u00e7u. Muitas pessoas costumam acreditar que sua origem esteja relacionada com a chegada da Copel para a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica Bento Munhoz em Foz do Areia, perto da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Visto que a maior parte dos arquivos e documentos disponibilizados pela empresa na internet n\u00e3o mencionam o passado da regi\u00e3o. Mas na realidade, muito antes disso j\u00e1 haviam faxinalenses se acomodando e construindo a vila ali.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Os faxinais, principalmente o Faxinal do C\u00e9u, s\u00e3o \u00f3timos exemplos da manuten\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f4nio ambiental. H\u00e1 diversas esp\u00e9cies de plantas, \u00e1rvores e flores. Muitas variedades foram plantadas pelos jardineiros, mas a maior parte da \u00e1rea cont\u00e9m mata nativa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Recentemente, a Copel e o governo Ratinho Jr. (PSD) anunciaram seu plano de vender a Vila Residencial do Faxinal do C\u00e9u. A Universidade do Professor, que se tornou o local conhecido durante os governos de Jaime Lerner e Roberto Requi\u00e3o, que j\u00e1 havia sido fechada em 2011, no in\u00edcio do governo Beto Richa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">O Faxinal do C\u00e9u abrangeu diferentes hist\u00f3rias durante a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ap\u00f3s tanta explora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, a vila \u00e9 vista como sem utilidade por seus detentores. Muitas das casas mais antigas est\u00e3o abandonadas. Pr\u00f3ximo do acordo para a venda da regi\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio revisar o que aconteceu at\u00e9 o momento atual. Isso porque o Faxinal acima de tudo representa um patrim\u00f4nio cultural e hist\u00f3rico, de grande signific\u00e2ncia para as pessoas que por ali passaram.<\/span><\/p>\n<div>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Um faxinal consiste em um sistema de uso de terra independente, caracterizado pela proximidade de \u00e1reas de manejo sustent\u00e1vel de arauc\u00e1rias. S\u00e3o ambientes florestais onde os moradores constroem suas casas, criam animais \u00e0 solta pela pastagem, fazem planta\u00e7\u00f5es e extraem erva-mate.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">De acordo com Cristhine Fabiola de Ramos, Professora de Geografia na Secretaria Municipal da Educa\u00e7\u00e3o de Blumenau, a hist\u00f3ria do Faxinal \u00e9 marcada por dois grandes conflitos. \u201cUm com a Copel, porque onde \u00e9 o Faxinal do C\u00e9u agora, era um faxinal organizado com sistema desses como o de Prudent\u00f3polis ou regi\u00e3o\u201d, conta Cristhine.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u00a0Al\u00e9m da Copel, o distrito tamb\u00e9m teve influ\u00eancia de grupos tropeiros em sua estrutura. \u201cA forma\u00e7\u00e3o do Faxinal do C\u00e9u tem tr\u00eas frentes. Primeiro do <em>tropeirismo<\/em>, toda aquela quest\u00e3o do caminho de via m\u00e3o. Eles sa\u00edam do Rio Grande do Sul, traziam as tropas passando por Palmas e pelo Pinh\u00e3o. E a\u00ed se come\u00e7a a formar as primeiras vilas\u201d, conta professora Ramos.<\/span><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><\/div>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">O termo <em>tropeirismo<\/em> se refere \u00e0 atividade de deslocamento feita por grupos de homens, conhecidos como tropeiros durante a \u00e9poca colonial no Brasil. Eles conduziam o gado, levando bens essenciais para a sobreviv\u00eancia no interior, vindo do Rio Grande do Sul em dire\u00e7\u00e3o a Minas, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">A segunda via apontada pela professora Cristhine Ramos seria a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o. No passado, a chegada dos imigrantes europeus e caboclos aconteceu no mesmo momento. O caboclo, povo mesti\u00e7o entre brancos e ind\u00edgenas, vindo da Guerra do Contestado, e o imigrante, principalmente polon\u00eas e ucraniano, dos povos eslavos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">A av\u00f3 materna de Cristhine, Josefa Camargo de Melo, relatava que a pequena igreja do Faxinal costumava ser uma escola. Haviam l\u00e1 v\u00e1rias cartilhas em polon\u00eas para se ensinar \u00e0s crian\u00e7as outra l\u00edngua al\u00e9m do portugu\u00eas.<\/span><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Houve um conflito envolvendo a madeireira Zattar, empresa reconhecida pelo seu hist\u00f3rico de conflitos na regi\u00e3o, levando a apropria\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio por parte dela. Os moradores daquela \u00e9poca, em sua maioria analfabetos, assinaram os contratos dados pela madeireira abrindo m\u00e3o de suas propriedades com medo de amea\u00e7as por jagun\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Depois do Golpe Militar de 64, come\u00e7am novas frentes de forma\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. Pelo potencial h\u00eddrico do rio do Areia, come\u00e7a a instala\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica do Faxinal em 1970, come\u00e7ando pela implanta\u00e7\u00e3o da barragem. Como a \u00e1rea j\u00e1 estava limpa, a Copel come\u00e7a a instalar ali a vila oper\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Com a chegada da empresa, \u00e9 exigido que os faxinalenses se retirem de l\u00e1. \u201cPara alguns eles pagaram a indeniza\u00e7\u00e3o, para outros n\u00e3o\u201d, conta a professora Cristhine. Sem ter para onde ir, eles se instalaram nos arredores da vila, onde hoje est\u00e3o as comunidades rurais de Santa Em\u00edlia e do Alojado Feio.<\/span><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Nascido em Guarapuava, Dr. S\u00e9rgio Lopes \u00e9 procurador-geral do munic\u00edpio do Pinh\u00e3o. Seu papel \u00e9 cuidar de atividades de defesa ao munic\u00edpio e seus interesses. \u201cProvavelmente houve desapropria\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o do Faxinal e Zattar. Se voc\u00ea entra no assunto dos faxinais \u00e9 uma quest\u00e3o muito ampla que envolve coisa demais devido ao grande n\u00famero de conflitos de apropria\u00e7\u00e3o ilegal de terras na regi\u00e3o\u201daponta Lopes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">O objetivo da prefeitura, atualmente, em rela\u00e7\u00e3o ao Faxinal \u00e9 realizar o tombamento do horto e da Escola Municipal Professor Cipriano de Paula Santos. Visto que esses se encontram no espa\u00e7o de cinco alqueires da \u00e1rea pertencentes ao Pinh\u00e3o. O resto \u00e9 propriedade da Copel, que pode vender suas partes para quem quiser, contanto que mantenha cuidado das propriedades que s\u00e3o da prefeitura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">A empresa chegou a oferecer um valor pelos alqueires para vender o espa\u00e7o completo. Mas se tratava de um valor muito baixo.<\/span><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">De acordo com o Dr. S\u00e9rgio, a escola \u00e9 de 1\u00b0 mundo e foi reformada recentemente. O objetivo agora \u00e9 realizar o tombamento do Faxinal do C\u00e9u para preservar o horto, as plantas e os jardins. Isso \u00e9 garantido por lei.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">O tombamento \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o administrativa na qual por meio da iniciativa de um cidad\u00e3o ou institui\u00e7\u00e3o, h\u00e1 o pedido de abertura de um processo. Ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 submetido \u00e0 responsabilidade dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis a preserva\u00e7\u00e3o do bem natural\/cultural contra qualquer destrui\u00e7\u00e3o ou descaracteriza\u00e7\u00e3o at\u00e9 a decis\u00e3o final ser tomada. Isso pode levar um longo tempo para acontecer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Essa a\u00e7\u00e3o significa preservar integralmente um bem, isso \u00e9 decretado pela Lei n\u00b0 25, de 30 de novembro de 1937. Para o Dr. S\u00e9rgio, \u00e9 frustrante que a Copel tenha passado anos explorando as possibilidades do Faxinal, \u201c&#8230; E agora decide ir embora sem satisfa\u00e7\u00f5es. Isso precisa ser revisado. Depois de explorar, manter isso \u00e9 o m\u00ednimo\u201d.<\/span><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Ap\u00f3s o fim da constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Foz do Areia, os empregados (mais ou menos sete mil entre funcion\u00e1rios e familiares) come\u00e7aram a ir embora. Suas casas passaram a ser abandonadas e as lojas fecharam, impulsionando o crescimento do desemprego na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Como forma de recupera\u00e7\u00e3o e visando o aproveitamento da estrutura , o governo passou a investir no CCFC (Centro de Capacita\u00e7\u00e3o do Faxinal do C\u00e9u) que ofertou cursos, oficinas e palestras focados em capacitar os profissionais na \u00e1rea de ensino das escolas p\u00fablicas do Paran\u00e1. Assim, gerou empregos e despertou \u00e2nimo nos que ainda estavam morando l\u00e1, diminuindo o impacto da sa\u00edda em massa de seus amigos, vizinhos e colegas de trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">O espa\u00e7o cont\u00e9m dois grandes audit\u00f3rios cuja capacidade pode acolher at\u00e9 mil pessoas. Al\u00e9m disso, possui uma estrutura de chal\u00e9s ampla que era usada para a hospedagem dos alunos, que funcionou durante o per\u00edodo de 1995 at\u00e9 2011.<\/span><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">No ano de 2011, a Secretaria do Estado da Educa\u00e7\u00e3o (SEED) realizou oficialmente a suspens\u00e3o das atividades na Universidade do Professor. Durante seu funcionamento, a Universidade do Professor recebeu muitas celebridades como a atriz Nathalia Limberg e o humorista Renato Arag\u00e3o, por exemplo. Al\u00e9m disso, com sua cria\u00e7\u00e3o muitos comerciantes se instalaram em Faxinal do C\u00e9u para atender \u00e0s necessidades daqueles que frequentavam os cursos todas as semanas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">A Universidade era o resultado do trabalho conjunto entre a Copel, por conta da \u00e1rea e dos im\u00f3veis de l\u00e1 serem suas propriedades, e o governo do estado do Paran\u00e1. O projeto foi posto em pr\u00e1tica durante a primeira gest\u00e3o do governador Jaime-Lerner entre os anos de 1995 \u00e0 1998.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Os educadores consideraram um sucesso os seus resultados, o que garantiu a sequ\u00eancia na gest\u00e3o de Roberto Requi\u00e3o. Vale ressaltar que sua ideologia era contr\u00e1ria \u00e0 de Jaime, mas mesmo assim permaneceu com o projeto valioso de seu antecessor.<\/span><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Darlene Ferreira da Rosa, agente educacional, formada em gest\u00e3o p\u00fablica, mudou-se para o Faxinal do C\u00e9u em 1980, aos seus 18 anos, porque sua m\u00e3e havia conseguido um emprego como cozinheira durante a constru\u00e7\u00e3o da usina em 1972. Suas primeiras impress\u00f5es do lugar foram estranhar a quantidade de mato para todos os lados. Haviam muitas pessoas. Tudo era novo e l\u00e1 ela via muitas oportunidades para novas descobertas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Ela acredita que a Copel, como detentora do espa\u00e7o, n\u00e3o fez nada de forma construtiva para mant\u00ea-lo. \u201cSendo que \u00e9 um espa\u00e7o rico para o turismo paranaense. Sem contar que o munic\u00edpio do Pinh\u00e3o sairia ganhando de todas as formas, caso houvesse um genu\u00edno interesse por parte dos empres\u00e1rios e governantes\u201d indica a moradora. De acordo com Darlene, para eles \u00e9 prefer\u00edvel deixar as moscas a investir ou buscar parcerias para manter o espa\u00e7o. Por isso teriam deixado a vila em segundo plano, sem perspectivas de um bom futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">No final de 2011, com o fechamento definitivo do CCFC, Darlene assim como os outros empregados foram convidados a sair da vila j\u00e1 que n\u00e3o tinham mais porque permanecer. \u201cUma vez que \u00e9ramos funcion\u00e1rios do estado e nossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 dentro de uma escola\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Em 2012, ap\u00f3s 37 anos, deixou definitivamente o Faxinal depois de morar l\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o dos trabalhos que ali exercia. Ela conta que n\u00e3o gosta de visitar a vila pois sente um vazio em ver tudo abandonado e tomado pelo mato.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">O esposo de Darlene, que recentemente voltou a trabalhar no Faxinal do C\u00e9u como seguran\u00e7a na vila, conta a ela que os ladr\u00f5es agem na cara dura e sem medo algum. \u201cEsse descaso e abandono \u00e9 um reflexo desses desgovernos que n\u00e3o tem considera\u00e7\u00e3o pela nossa hist\u00f3ria, nossa cultura, nossos valores patrimoniais. \u00c9 prefer\u00edvel deixar abandonado do que terceirizar, abrir ao turismo, fazer algo que seja \u00fatil, rent\u00e1vel e bom para popula\u00e7\u00e3o\u201d conta Joel Jesus Fran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><\/div>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Ao ver as fotografias tiradas das antigas casas abandonadas na vila, Darlen revelou sentir um misto de tristeza e impot\u00eancia. A sensa\u00e7\u00e3o de que podia se ter feito algo antes que a situa\u00e7\u00e3o chegasse a esse ponto. \u201cMas n\u00e3o depende de n\u00f3s. \u00c9 um conjunto de poder pol\u00edtico, gente grande pensando em dinheiro grande\u201d revelou Ferreira Da Rosa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Quando perguntada sobre sua opini\u00e3o na venda do Faxinal, respondeu n\u00e3o saber muito sobre o assunto, mas que tem certeza de que \u00e9 uma jogada pol\u00edtica. Afirmou que ainda leva seu neto e seus sobrinhos de vez em quando visitar os amigos que permaneceram por l\u00e1. \u201cTem muitas hist\u00f3rias pra contar, muitos lugares que ajudei a construir, considero Faxinal meu para\u00edso na Terra. Ser\u00e1 para sempre um dos melhores lugares pra visitar, pra casar, fazer piquenique\u201d conta a moradora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">\u00c9 poss\u00edvel observar a realidade com que o passado do Faxinal \u00e9 tratado. Hist\u00f3rias, patrim\u00f4nios e cultura colocados em segundo plano, sendo desvalorizados. Darlene da Rosa, por \u00faltimo, declarou que o Faxinal \u00e9 muito mais que o local onde se criou, teve seus tr\u00eas filhos, casou, estudou e viveu grande parte da sua vida. Para ela, sempre ser\u00e1 um lugar de \u00f3timas mem\u00f3rias e recorda\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;font-size: 14pt\">Basta acompanhar o processo para saber qual rumo tomar\u00e1 o Faxinal do C\u00e9u. Com grande valor tur\u00edstico, o espa\u00e7o ainda tem muito para ser explorado e valorizado com consci\u00eancia. Se a vila e todo o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e natural ser\u00e3o tratados bem, \u00e9 de responsabilidade n\u00e3o s\u00f3 do governo como dos pr\u00f3prios detentores do espa\u00e7o. Pois para seus moradores, desde os antigos at\u00e9 os atuais e aqueles que se mudaram ou j\u00e1 partiram. A \u00e1rea do Faxinal do C\u00e9u significa muito mais que uma propriedade.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 14pt;font-family: georgia, palatino, serif\">Texto: Luis Emanuel Fontana Calixto<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 14pt;font-family: georgia, palatino, serif\">Editora: Isabela Nunes<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 14pt;font-family: georgia, palatino, serif\">Edi\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Vitor Marques\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O faxinal \u00e9 uma forma de organiza\u00e7\u00e3o tradicional presente no interior do Paran\u00e1. 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