{"id":1049,"date":"2023-03-26T10:04:54","date_gmt":"2023-03-26T13:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/?p=1049"},"modified":"2023-04-25T10:06:25","modified_gmt":"2023-04-25T13:06:25","slug":"dias-escuros-a-relacao-de-maes-com-o-luto-maternal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/colmeia\/2023\/03\/26\/dias-escuros-a-relacao-de-maes-com-o-luto-maternal\/","title":{"rendered":"Dias escuros: a rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3es com o luto maternal"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA \u00fanica certeza da vida \u00e9 a morte.\u201d Uma \u00fanica frase dita e repetida tantas vezes por v\u00e1rias pessoas, torna-se ent\u00e3o um bord\u00e3o. Desde o momento em que a vida se inicia, a morte parece presente em todos os momentos, talvez seja de fato, a \u00fanica certeza da exist\u00eancia. Parece il\u00f3gico pensar que apesar dessa certeza, a morte ainda assombra as pessoas, e dentre estas, as m\u00e3es n\u00e3o est\u00e3o isentas. H\u00e1 quem diga que o maior amor do mundo \u00e9 o de uma m\u00e3e pelo filho, seria diferente quando o assunto \u00e9 o luto?<\/p>\n<p>O <strong><a href=\"https:\/\/www.hospitalinfantilsabara.org.br\/sintomas-doencas-tratamentos\/luto\/\">luto maternal<\/a><\/strong> n\u00e3o pode ser descrito e condicionado a aspectos espec\u00edficos. N\u00e3o existe forma de mensurar a dor da perda de um filho, muito menos definir quais s\u00e3o os sentimentos que cada m\u00e3e sentir\u00e1 ap\u00f3s esse evento traum\u00e1tico. Nesse contexto, a figura maternal vive o luto dia ap\u00f3s dia, tentando seguir em frente e encontrando escapes para suportar a perda.<\/p>\n<p><strong>Lucimara Zanin, <\/strong>ou Lu<strong>,<\/strong> para os mais pr\u00f3ximos, \u00e9 uma mulher, possui cabelo m\u00e9dio e castanho, seus olhos tamb\u00e9m s\u00e3o dessa cor, o corpo magro e as roupas neutras, com tons que variam entre cinza e preto, n\u00e3o permitem adivinhar que ela j\u00e1 \u00e9 uma mulher de mais de quarenta anos. O sorriso largo esconde as cicatrizes que carrega consigo. Lu vivenciou a situa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil que uma m\u00e3e poderia viver, a perda de seu filho <strong>Nicolas<\/strong>, que s\u00f3 tinha 3 anos.<\/p>\n<p>Dentro da casa em que vive, simples e aconchegante, de paredes brancas e com quadros da fam\u00edlia est\u00e3o espalhados pela estante, <strong>Lucimara<\/strong> narra a hist\u00f3ria da morte de <strong>Nicolas<\/strong>. As m\u00e3os inquietas e as emo\u00e7\u00f5es que variam entre sorrisos nost\u00e1lgicos e l\u00e1grimas de tristeza s\u00e3o algumas das formas de expressar os sentimentos que vivem dentro dela.<\/p>\n<p>Lucimara relata que, ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o da morte de <strong>Nicolas<\/strong> decidiu, em conjunto com o pai, que faria a doa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os, que foram destinados a tr\u00eas crian\u00e7as. Emocionada, ela fala que o menino cumpriu sua miss\u00e3o nessa terra, a de trazer vida para outras crian\u00e7as e alegria e luz para a fam\u00edlia. Acreditar que essa era a miss\u00e3o do filho fez a dor do luto tornar-se suport\u00e1vel.<\/p>\n<p>A saudade que sente de <strong>Nicolas<\/strong> \u00e9 di\u00e1ria e ela costuma imaginar como ele estaria agora se ainda estivesse vivo, sobre as hist\u00f3rias que poderiam ter vivido, dos momentos juntos, anivers\u00e1rios, natais e fins de ano um ao lado do outro. Os olhos tomam um brilho diferente quando fala que espera um dia reencontr\u00e1-lo e viver com ele para sempre. Al\u00e9m disso, ela descreve os sonhos em que ele aparece. Em um deles, Lu est\u00e1 em um lindo campo verde com o menino, e ent\u00e3o ele a carrega pela m\u00e3o e esbanja um sorriso ao contar para a m\u00e3e que est\u00e1 bem.<\/p>\n<p>O luto maternal nem sempre \u00e9 compreendido por aqueles que n\u00e3o o vivenciaram, Lucimara conta que ap\u00f3s o acontecimento conheceu grupos de m\u00e3es que tamb\u00e9m perderam seus filhos, e que l\u00e1 se sentiu acolhida por elas e que foram importantes para ela passar a entender melhor sua dor e resolver alguns conflitos que existiam em sua mente sobre a morte do filho.<\/p>\n<p>E assim, <strong>Lucimara<\/strong> vai vivendo um dia de cada vez, tentando encontrar felicidade, porque \u00e9 o que Nicolas gostaria que ela sentisse. O tempo acalmou seu cora\u00e7\u00e3o ao se apegar a ideia de que o filho cumpriu o prop\u00f3sito, e que a dor se transformou em saudade, e essa nunca vai passar, porque as lembran\u00e7as sempre v\u00e3o existir, ela sempre ser\u00e1 m\u00e3e do Nicolas.<\/p>\n<p>Assim como Lu, existem outras mulheres \u2013 m\u00e3es \u2013 que tamb\u00e9m convivem com essa mesma dor. Esse \u00e9 o caso de Taila Schneider, uma jovem de olhos verdes, cabelo castanho e corpo magro que perdeu o filho durante a gesta\u00e7\u00e3o. As l\u00e1grimas inundam seus olhos ao contar sobre o beb\u00ea que n\u00e3o teve a chance de conhecer.<\/p>\n<p>A vida depois da perda \u00e9 dolorida. <strong>Taila<\/strong> conta que, ap\u00f3s o acontecimento, passou a ter medo de vivenciar essa mesma situa\u00e7\u00e3o novamente em gesta\u00e7\u00f5es futuras e que, \u00e0s vezes, mesmo tendo o sonho de ser m\u00e3e, se questiona se realmente quer engravidar mais uma vez correndo o mesmo risco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os dias s\u00e3o dif\u00edceis, especialmente os simb\u00f3licos: o Dia das M\u00e3es, o m\u00eas de fevereiro \u2013 o qual seria o nascimento do beb\u00ea \u2013 e demais datas comemorativas s\u00e3o sempre um lembrete de algo n\u00e3o vivido e que machuca.<\/p>\n<p>Com a voz arranhando a garganta e suprimindo o choro, conta que a culpa \u00e0s vezes a preenche, ela se questiona ao sentir-se bem: se est\u00e1 realmente bem e at\u00e9 mesmo se deveria se sentir bem. Em uma tentativa de justificar o que ocorreu, ela buscou encontrar em si mesma o problema, o que poderia ter feito de diferente e quais medidas deveria ter tomado. O luto trouxe culpa, dor, dias escuros. Mas tamb\u00e9m, uma mudan\u00e7a pessoal, a busca por melhorar em aspectos como sa\u00fade, para estar pronta para quando \u2013 e se \u2013 engravidar novamente.<\/p>\n<p>A rotina do luto maternal \u00e9 assim, a dor n\u00e3o passa: ora saudade, ora tristeza, mas sempre ali, permanente. E dor, n\u00e3o se questiona, apenas se respeita e acolhe. E certamente \u00e9 o que essas mulheres e tantas outras buscam, o acolhimento do luto e o respeito pelos filhos, que agora, viraram anjos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto: Chelsea K. Brito<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: B\u00e1rbara Lopes (2022)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA \u00fanica certeza da vida \u00e9 a morte.\u201d Uma \u00fanica frase dita e repetida tantas vezes por v\u00e1rias pessoas, torna-se ent\u00e3o um bord\u00e3o. Desde o momento em que a vida se inicia, a morte parece presente em todos os momentos, talvez seja de fato, a \u00fanica certeza da exist\u00eancia. 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